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Correio Braziliense

Mandato coletivo: Grupos se organizam para lançar candidatos ao Legislativo

A ideia de alguns deles inclui a divisão do salário de parlamentar. Experiências já existem em Minas e Goiás


postado em 01/07/2018 07:40

O Mandátodos terá como candidato na urna Thiago Ávila (E), que disputará uma vaga na Câmara Legislativa (foto: Antônio Cunha/CB/D.A Press)
O Mandátodos terá como candidato na urna Thiago Ávila (E), que disputará uma vaga na Câmara Legislativa (foto: Antônio Cunha/CB/D.A Press)

Transformar a velha política em mais voz para o povo. Essa é a principal função daqueles que pretendem erguer a bandeira do mandato coletivo. O método pode não ser inédito, mas é uma novidade para as eleições gerais, de outubro de 2018. Na urna, o sistema não muda: aparece apenas uma foto e um nome, como de costume. Mas, por trás do mandato, e daquele “político cabeça”, a ideia é que um coletivo de pessoas decida, em conjunto, tudo o que será feito nos próximos quatro anos.

O sistema parece igual a outros mandatos, cujos políticos têm o apoio de assessores e parlamentares para ajudá-los nas decisões e estratégias. Mas, há uma série de diferenças propostas pelos grupos de mandatos coletivos. Uma delas  é que, nas votações, por exemplo, o grupo faça uma roda de conversa para decidir sobre determinado assunto. Sairá vitoriosa a decisão da maioria, mesmo que seja contrária à opinião do “candidato oficial”. Em alguns casos, os grupos podem até dividir o salário político entre os participantes.

O assunto não é novo. Em 2016, um grupo de cinco amigos ganhou uma vaga para vereador no município de Alto Paraíso (GO). João Yuji (PTN-GO) foi eleito para a Câmara Municipal, mas ele apenas representava os outros quatro nas urnas. No dia a dia, todas as decisões são tomadas em conjunto. O grupo escreveu um contrato com todas as normas do mandato coletivo e  segue o modelo desde então. Já em Minas Gerais, o coletivo “Muitas”, o qual integram duas mulheres, assumiu também o mandato de vereadoras.

Para as eleições de 2018, o Correio mapeou quatro grupos que já estão montando estratégias para as campanhas coletivas. A maioria é ligada a partidos de esquerda. O “Cidadanista”, em São Paulo,  pleiteia uma vaga de deputado federal na Câmara dos Deputados; o Feminista, em Pernambuco, para a Assembleia Legislativa do estado; o Conjunto 18, também em São Paulo, para vaga de senador; e o Mandátodos, no Distrito Federal, para deputado distrital. Esta é a primeira vez que a capital federal terá uma candidatura coletiva para um cargo. E se os outros forem eleitos, será a primeira vez de coletivos também dentro do Congresso Nacional.

O Correio conversou com dois dos quatro grupos para saber mais sobre as propostas do coletivo, e como eles irão, na prática, funcionar. O Mandátodos é formado por quatro integrantes: Airy Gavião, Eduardo Borges, Nádia Nádila e Thiago Ávila, o candidato oficial, filiado ao Psol. O nome na urna, no entanto, será do grupo, já que a Justiça Eleitoral permite nomes sociais na disputa. 

Representatividade


O que os uniu foram as pautas em comum, em favor das minorias. A aliança liga interesses dos movimentos sociais, indígenas, raciais e feministas. Para eles, há uma crise de representatividade que foi exteriorizada nas manifestações de junho de 2013. Por isso, a proposta é uma “substituição do atual desenho político” de transformar a visão do parlamentar com alto salário e cheio de privilégios. “A pergunta é: por que não? Por que não ocupar a mesma cadeira com todos representando os interesses do povo? Queremos mostrar que é possível um deputado ganhar um salário justo e atender à demanda colocada pela população”, afirma Borges.

No caso do Conjunto 18, como o próprio nome diz, serão 18 integrantes do mandato coletivo, que disputam uma vaga no Senado Federal pela Rede. O grupo ressalta que acredita na transformação da política por meio da cocriação coletiva. Ou seja, todos juntos. A ideia principal do Conjunto é a “despersonalização da política”. Nesse caso, será uma tríade feminina (senadora 1ª e duas suplentes), com rodízio durante o mandato. As três farão campanhas juntas, mas compartilharão a gestão do mandato entre si e com mais 18 “cossenadores”, maioria apartidários, que atuarão como assessoria de gabinete, e outros 1,1 mil, que apoiarão de outras formas. Os nomes da tríade serão decididos hoje. As três senadoras e os outros 18 colaboradores participarão igualmente das decisões estratégicas, mas as atribuições serão especificadas de acordo com as responsabilidades de cada um. “Em comum, temos o compromisso com a agenda do desenvolvimento sustentável. É urgente renovar os quadros e as práticas políticas. Todos partilhamos dos princípios democráticos, da valorização da diversidade, da superação da desigualdade social e da construção de um país justo”, escreveram.

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