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Correio Braziliense

Mesmo sem favoritismo, políticos insistem em se lançar na linha de frente

Mesmo com dificuldades de emplacar nas pesquisas, políticos trabalham em candidaturas próprias ao Palácio do Planalto. Integrantes do MDB e do PSDB fazem jogo de afagos sem resultados


postado em 04/07/2018 06:00

Alckmin agora tenta puxar o pré-candidato Flávio Rocha (PRB) para o posto de vice na chapa do tucano(foto: Miguel Schincariol/AFP - 18/6/18)
Alckmin agora tenta puxar o pré-candidato Flávio Rocha (PRB) para o posto de vice na chapa do tucano (foto: Miguel Schincariol/AFP - 18/6/18)


Apesar das constantes negociações para definir vice-presidenciáveis e montar coligações primárias, pré-candidatos ainda mantêm a estratégia de serem cabeça de chapa na corrida ao Palácio do Planalto. Para unir forças, postulantes tentam buscar apoio em outros partidos, mas concorrentes da disputa eleitoral rechaçam a possibilidade de firmar qualquer união.

Entre os nomes que insistem em se lançar na linha de frente, apesar de não estarem entre os favoritos do eleitor, está o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (MDB). Além de mantê-lo como um nome para suceder o governo de Michel Temer, o partido exclui ainda qualquer possibilidade de abdicar de sua candidatura para seguir como vice de outro pré-candidato.

Para o presidente da sigla, o senador Romero Jucá (RR), o companheiro de chapa ideal de Meirelles seria algum representante do PSDB. Entre os nomes cogitados, está o do também postulante ao Planalto Geraldo Alckmin (PSDB). “Queria alguém do PSDB. Geraldo Alckmin é um bom nome, por que não?”, completou.

Questionado sobre a possibilidade de inverter os papéis e Meirelles sair como vice-presidente do tucano, Jucá ressaltou que “isso não é sequer cogitado”. Bastidores da campanha de Alckmin inclusive negam que haja um interesse do próprio ex-governador paulista em ser companheiro de chapa do ex-ministro.

Afirmam, contudo, que o próprio Meirelles estaria entre as opções para fazer coligação com o tucano, além do deputado Mendonça Filho (DEM-PE). Mas a tendência é de que firme acordo com o também pré-candidato Flávio Rocha (PRB). “Rocha é mais interessante por ser de um partido com forte militância, além de ser empresário, conhecido no Norte do país”, pontuou um político do PSDB.

Conversas


Apesar da união entre os dois partidos ainda não estar nem perto de ser definida, as conversas continuam. Ontem, o presidente Michel Temer (MDB) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso almoçaram juntos na tentativa de chegar a uma sintonia. A lógica de ambos é manter o poder por mais quatro anos, ainda que sem o MDB no comando do Palácio do Planalto.

A candidatura de Alckmin, por sua vez, ainda não convenceu os tucanos. Após participar, ontem, do debate no Encontro Nacional da Indústria promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), FHC mencionou pontos positivos da candidatura do tucano, mas ressaltou a necessidade de fazer com que a “população sinta que tem essas qualidades. Se não sentir, não adianta”.

O ex-presidente lembrou ainda a vasta experiência de Alckmin nos governos de São Paulo e reconheceu a “fratura profunda” em que vive o cenário político atual do país. “Quem é que tem condições hoje de pontuar uma mudança? Não vejo. Isso não quer dizer que não possam ocorrer solavancos pela frente. As circunstâncias criam a oportunidade, às vezes, de liderança”, ponderou.


Favoritismo


Sem acordo, os dois pré-candidatos que preferem, por enquanto, seguir na corrida eleitoral sozinhos, ainda vão encontrar outro problema durante a campanha: a pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A pouco mais de um mês da oficialização das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o petista entregou ao partido uma carta pública, na qual se reafirmou como pré-candidato. Ele se diz inocente e garantiu que fará o registro da candidatura em 15 de agosto.

Apesar de estar preso desde abril na sede da Polícia Federal, em Curitiba, as pesquisas de intenção de votos ainda indicam Lula na liderança, quando citado. Petistas disseram ao Correio que a manobra da carta de Lula era fortalecer a sigla até que eles tenham votos suficientes para transferi-los a outro político. A tendência é de que o plano B do partido seja o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, já que Lula está proibido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa. Haddad também estava presente na reunião do diretório ontem, mas não se manifestou.

Um líder do partido, que participou dos governos de Lula e Dilma, detalhou que Haddad tem ganhado cada vez mais força dentro do partido. Entretanto, lembra que os nomes da senadora Gleisi Hoffmann (PR) e de Jaques Wagner ainda estão no páreo para substituir Lula nas urnas. Com a vitória de Gleisi na Segunda Turma do STF, em um processo que a acusava de corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava-Jato, ela ganha fôlego. Wagner, por outro lado, não quer ser o candidato ao Planalto.

Contra as "críticas"


Corporações de juízes divulgaram nota pública sobre “críticas pessoais” que vêm sendo feitas a membros do Poder Judiciário por “alguns” integrantes do Ministério Público e advogados. As associações dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), dos Magistrados Brasileiros (AMB) e a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) afirmaram “não ser aceitável que aqueles que exercem funções essenciais à justiça” façam críticas de natureza pessoal aos integrantes do Poder Judiciário, “atingindo a integridade da instituição”. A nota foi publicada num contexto em que a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) é atingida por críticas em relação a recentes decisões, como libertar o petista e ex-ministro José Dirceu.

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