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Correio Braziliense

Para Marina, próximo presidente deve ter outra relação com o Congresso

"O Brasil não pode continuar reproduzindo as mesmas práticas. Os que criaram os problemas, não vão resolvê-los", disse pré-candidata, em evento da CNI


postado em 04/07/2018 12:07 / atualizado em 04/07/2018 12:47

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Segunda a discursar no Diálogo da Indústria com Candidatos à Presidência da República, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a pré-candidata à Presidência pela Rede, Marina Silva, defendeu mais investimento por parte do Estado em infraestrutura para combater os problemas financeiros do país, fez críticas à reforma trabalhista e defendeu uma nova forma de "fazer política". 

A mudança mais importante, segundo Marina, é a política. Para isso, é preciso que o próximo presidente mude a forma de se relacionar com o Congresso Nacional. "É fundamental a reforma. Mas, antes dela, é preciso que haja uma mudança de postura. As eleições vão ser fundamentais no seguinte aspecto: o Brasil não pode continuar reproduzindo as mesmas práticas. Os que criaram os problemas, não vão resolvê-los”, garantiu.  

Para isso, Marina defendeu o fim da reeleição para presidentes a partir de 2022. “Vamos trabalhar para aprovar o voto distrital misto e quebrar o monopólio dos partidos políticos com candidaturas independentes”, garantiu. Esta é a terceira vez que Marina se apresenta como pré-candidata. “É um grande desafio e, para isso, é preciso que se crie um processo que nos leve a uma governabilidade. Proponho fazer uma espécie de deslocamento para que o presidencialismo não se dê no toma-lá-dá-cá”, disse. 

Sobre eventuais coligações com outros partidos, Marina foi clara: não haverá alianças apenas para conquistar mais tempo de televisão, por exemplo. A aproximação da Rede com o PROS, ou PP também retrata os interesses em governanças estaduais. “Não vamos fazer alianças incoerentes. Elas serão programáticas. E para isso, tem que ter relação com a ideologia e o que estamos defendendo desde 2010”, afirmou. 

Sobre economia, Marina defendeu a autonomia das instituições financeiras, sem que haja o uso político dessas organizações. Assim como falou sobre a importância dos investimentos em tecnologia e inovação, que têm “papel fundamental para que possamos integrar as cadeias produtivas globais”. 

Marina também criticou a atuação dos candidatos que foram para o segundo turno nas últimas eleições, em 2014,que teriam escondido da sociedade brasileira os “grandes problemas” que o país já estaria enfrentando. “A realidade era de um país que, até pouco tempo, se orgulhava de ter tirado da miséria mais de 40 milhões de pessoas. E agora, somos o país que já desenvolvemos para a pobreza aqueles que nos orgulhamos de termos tirado”, afirmou. 

 
Críticas à reforma trabalhista 

Apesar de defender a importância das reformas, tanto previdenciárias quanto no âmbito da legislação do trabalho, Marina criticou a reforma trabalhista aprovada pelo Congresso Nacional. “Eles defendiam que, com a mudança, aumentaria o número de empregos no Brasil. Coisa que ainda não se efetivou. Claro que ainda em função do baixo investimento que se tem”, avaliou. A solução, porém, não seria a revogação, mas uma revisitação ao texto para “corrigir injustiças cometidas”. A ideia de Marina é aumentar a formalidade dos empregos, sem que haja a precarização das relações de trabalho. 

Se candidata, Marina afirmou que o partido também irá priorizar na educação e na segurança pública. Isso porque ambos estão ligadas em uma relação de causa e efeito. “Se investíssemos mais em educação, não investiríamos tanto em segurança”, comentou. Ela garantiu que irá continuar com o projeto do proa Bolsa Família, assim como com o Sistema Único de Saúde (SUS). “Tenho um dever de casa para ser feito: melhorar o ambiente político. E isso somente os cidadãos brasileiros podem fazer. Não dá para querer mudar e não mudar. O brasil tem o compromisso de pôr um fim a ideia de que, mantendo os que recriaram o problema, vamos resolver o problema. É preciso experimentar uma nova forma de governo e de governar”, completou. 

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