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Correio Braziliense

Parlamentares acusam investigadores do caso Marielle de negligência

O assassinato completa 120 dias e ainda não há respostas de quem matou a vereadora e seu motorista Anderson Gomes


postado em 11/07/2018 14:51 / atualizado em 11/07/2018 17:17

O assassinato completa 120 dias e ainda não há respostas de quem matou a vereadora e seu motorista Anderson Gomes(foto: Fernando Frazão/Agência)
O assassinato completa 120 dias e ainda não há respostas de quem matou a vereadora e seu motorista Anderson Gomes (foto: Fernando Frazão/Agência)

 
Prestes a completar 120 dias, ainda não houve quem respondesse quem matou a vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes na noite de 14 de março. Para pressionar as autoridades públicas, a Comissão Externa de Acompanhamento das Investigações reuniu a imprensa e cobrou respostas nesta quarta-feira (11/7). Os parlamentares que compõe o grupo, acusam os investigadores de negligência da equipe em repassar informações. 

O deputado Jean Willis (PSol-RJ), coordenador da comissão, critica a falta de respostas. “O que temos até agora são narrativas sem consistência apresentadas pelas autoridades públicas. Diante da falta de resposta e da negligência, vamos montar um Observatório para o acompanhamento das investigações com a participação de entidades internacionais. Não deixamos de trabalhar em nenhum momento pela transparência”, destaca. 

Chico Alencar (PSol-RJ) criticou a “falta de eficiência” dos investigadores. “A intervenção federal completará 150 dias sem mostrar eficiência. Há 40 dias,  o ministro da Segura Pública, Raul Jungmann, e o presidente Michel Temer disseram que as investigações estavam se afunilando e que já estávamos perto do esclarecimento. Mentiram”, criticou. 

A comissão deve se reunir com integrantes do Ministério Público do Rio de Janeiro e com investigadores responsáveis pelo caso. Se houver recesso parlamentar, o encontro deixa de ser oficial. “A resolução deste caso diz respeito ao Brasil. Foi uma violência política e as instituições brasileiras não estão atentas ao que está por trás da morte de Marielle”, defende a deputada Maria do Rosário (PT-RS).

O relator da comissão, deputado Glauber Braga (Psol-RJ), apresentou um relatório parcial do que se sabe do caso até o momento. “A maioria dos requerimentos desta comissão permanecem sem resposta. Temos uma lacuna que é relevante. Precisamos de uma audiência com o Ministério Público do Rio de Janeiro com os delegados responsáveis pelo caso. Precisamos de respostas formais”, pondera. 

“Esperávamos com a intervenção federal o fortalecimento das investigações. Uma mulher negra parlamentar foi executada. Isso é crime político. Todas as vidas importam, mas a conotação desse crime exige esclarecimentos. Para nós que lidamos com isso todos os dias, precisamos entender o que aconteceu. Quem matou e por quê? O desrespeito das autoridades com a comissão não é aceitável”, reclama a deputada Jandira Fegalli (PSol-RJ). 

O Correio enviou nove questionamentos ao Gabinete Federal de Intervenção, Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro e para as polícias Civil e Militar do estado, mas nenhum dos órgãos respondeu até a publicação desta reportagem. 

Quebra-cabeças

O que se sabe do assassinato de Marielle e Anderson 

>> Marielle participa por volta das 19h, na Lapa, Rio de Janeiro, de um debate com jovens negras, em 14 de março. 

>> Por volta das 21h, Marielle deixa o local. Durante o trajeto, um veículo emparelha com o carro de Marielle e faz 13 disparos.

>> A munição pertencia a um lote vendido para a Polícia Federal de Brasília em 2006. A polícia recuperou 9 cápsulas no local do crime. Parte das balas também foram utilizadas na em chacina em São Paulo, em 2015. 

>> O Ministério da Segurança afirma que o lote de balas foi roubado de uma agência do Correios na Paraíba. 

>> Para a polícia, os assassinos observaram Marielle antes do crime, porque sabiam exatamente a posição dela dentro do carro. 

>> Cinco das 11 câmeras de trânsito da Prefeitura do Rio que estavam no trajeto de Marielle estavam desligadas. 

>> O ex-PM Orlando Oliveira de Araújo, conhecido como Orlando Curucica, e Thiago Bruno Mendonça, conhecido como Thiago Macaco, são investigados suspeitos de participação na execução. Eles teriam ligação com o vereador Marcello Siciliano (PHS). Todos negam envolvimento no crime. 

>> Na madrugada de 12 de junho,  investigadores fizeram uma reconstituição do crime. Eles dispararam seis rajadas de armas diferentes.  Um laudo com as conclusões do caso deve ficar pronto em até 30 dias. 

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