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Correio Braziliense

Embora atue para isolar Ciro, PT não descarta aliança no segundo turno

Gleisi cobra aliança formal com o PSB, o que deixaria Ciro mais isolado, mas admite possibilidade de "conversar" com pedetista no segundo turno


postado em 13/07/2018 18:16 / atualizado em 13/07/2018 18:48

(foto: AFP e Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: AFP e Ed Alves/CB/D.A Press)
Após se reunir na quinta-feira (13/7) com o governador de Pernambuco e vice-presidente nacional do PSB, Paulo Câmara, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), cobrou nesta sexta-feira (13/7) que o partido feche "uma coligação formal" para apoiar a candidatura à Presidência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Segundo Gleisi, uma posição neutra do PSB, liberando os estados para fechar as alianças como bem entenderem, não interessa. "A nossa posição é de uma coligação formal. A nossa resolução diz exatamente isso, que as alianças a serem construídas de forma prioritária com PSB e PCdoB são alianças formais. Nós queremos que estejam na chapa, estejam junto na chapa com o presidente Lula. (O desejo do PT) não é que eles liberem os estados", afirmou Gleisi durante visita a Salvador, onde se reuniu com lideranças petistas. 

Na quinta-feira, após encontrar a senadora, Paulo Câmara, que é pré-candidato à reeleição, declarou apoio a uma candidatura de Lula, o que significou um forte revés nas expectativas de Ciro Gomes, pré-candidato do PDT que luta para fechar aliança com o PSB enquanto sofre fortes ofensivas de PT e MDB.
 
A declaração de Câmara, no entanto, não significa unidade no PSB, daí a pressão feita por Gleisi. Figuras importantes do partido — como o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, e o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda — recusam a aliança com Lula e defendem a aliança com Ciro ou a neutralidade. 

Em entrevista à Rádio Eldorado nesta sexta-feira, o deputado Julio Delgado, vice-líder do PSB na Câmara, admitiu e lamentou a divisão interna do PSB. "Estamos como biruta de aeroporto rodando, isso é muito ruim. Com todo respeito a Paulo Câmara, sabemos que Lula está inelegível. Ficar nessa situação a menos de um mês para a definição das alianças é o pior dos cenários", disse Delgado. Para ele, que defende a aliança com Ciro, o cenário mais provável é que a sigla libere os Estados e cada um siga o caminho que lhe for mais conveniente, priorizando as alianças regionais.

O caminho imaginado por Delgado não seria de todo mal para o PT. Isso porque, além de isolar Ciro, a neutralidade pode garantir ao partido de Lula o apoio dos diretórios pessebistas no Norte e no Nordeste. Gleisi já deu ao governador baiano, Rui Costa, e ao ex-ministro Jaques Wagner a tarefa de coordenar a campanha de Lula no Nordeste. Ela informou ainda que a Bahia teria prioridade na divisão do fundo eleitoral, o que está programado para acontecer em 20 de julho, em reunião da Executiva Nacional do PT, em Brasília. 

Frente única no segundo turno

A movimentação do PT busca deixar Ciro isolado. Na Bahia, Gleisi questionou a possibilidade de o pedetista ser apoiado pelo Centrão — bloco de partidos liderado pelo DEM e composto por PP, PRB e Solidariedade. Para a senadora, caso isso aconteça, Ciro será obrigado a defender o governo Michel Temer. "O Ciro vai pegar essa pauta? Vai defender Temer? Porque vai ter que defender. Essa é a pauta desses partidos. Inclusive salvaram Temer de duas denúncias. Se for pegar essa pauta, vai ter que saber das consequências, vai ter que fazer essa defesa no palanque, porque não pode ir para o palanque falar uma coisa e depois propor outra", afirmou.

Mesmo assim, Gleisi não descartou uma aliança com Ciro no segundo turno. "Nós só temos condições de fazer alianças com aqueles que não reivindicam a cabeça de chapa. Isso não quer dizer que no segundo turno nós não vamos conversar. Temos que sentar com todos os partidos da centro-esquerda, progressistas, que querem a reconstrução do Brasil, para fazermos uma frente única no segundo turno", disse a presidente do PT.

Com informações da Agência Estado

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