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Correio Braziliense

Com o fim da Copa, pré-candidatos focam ainda mais na corrida por alianças

Com alianças ainda abertas, pré-candidatos iniciam torneio eliminatório para ganhar apoios e isolar adversários. A principal dificuldade das agremiações está nos políticos do mesmo time ideológico, capazes de atrapalhar jogos ainda no início


postado em 15/07/2018 08:00

(foto: Arte/CB/D.A Press)
(foto: Arte/CB/D.A Press)

Longe dos campos de futebol, os pré-candidatos à Presidência da República começam as eliminatórias para apresentar as estratégias das eleições 2018. A partida final é em outubro, mas o mata-mata começa nesta semana. É a partir de 20 de julho que os partidos definem as escalações e selecionam os jogadores para as urnas. Os campeonatos estaduais, no entanto, podem mudar as táticas e interferir nas candidaturas nacionais.

Hoje, o fim da Copa do Mundo marca o início de uma outra disputa no Brasil: a pelo mais alto cargo do Executivo. A dificuldade, neste momento, é a divisão de partidos entre os grupos ideológicos. A guerra entre PT e PDT em busca da aliança com o PSB é tão ou mais explosiva do que as alianças do campo de centro-direita, que abrange Henrique Meirelles (MDB), Álvaro Dias (Podemos) e Geraldo Alckmin (PSDB). Enquanto isso, Marina Silva (Rede) e Jair Bolsonaro (PSL) correm por fora e tentam voos solo.

Com o cenário polarizado, os palanques estaduais ganham protagonismo nas eleições. O problema é que as alianças locais podem interferir no cenário nacional. “A construção das alianças ainda não está muito bem evidente. O Alckmin, por exemplo, tenta costurar vários partidos. Mas, no Nordeste, o PSDB tem maior dificuldade de formar alianças do que o PT. Ciro, por sua vez, tenta trazer para ele os partidos de esquerda, mas, a depender de quem Lula indicará (para o vice na chapa, que deve o substituir no futuro), o PT volta a ter mais força de coligações”, comentou o cientista político Rodrigo Prando.

Embora tenha avançado nas alianças nacionais, Alckmin tem um longo caminho até fechar todos os acordos nacionais de que necessita para disputar o pleito com mais tranquilidade. O PV, por exemplo, prometeu apoio no âmbito presidencial. Nos estados, entretanto, a conversa é outra. Segundo representantes do PV, os palanques em São Paulo serão divididos com Márcio França (PSB), atual governador no estado.

Acordos


O problema dessas alianças é que, segundo Prando, é difícil encontrar partidos que tenham similaridade do campo ideológico e pragmático para que os acordos sejam feitos. “No quadro eleitoral de 2018, que tem essa característica de multiplicidade de candidatos à Presidência, é importante lembrar que quem luta pelos presidenciáveis são deputados, prefeitos, vereadores que estão nos estados. Por isso é tão importante a coligação dessas alianças”, explicou.

Sem o ministro Joaquim Barbosa para o Planalto, o PSB se tornou a maior incógnita das eleições. Disputada, a sigla tem dificuldades de fechar acordos nacionais por causa dos estados. O principal prejudicado é o pré-candidato Ciro Gomes, que tenta, a todo custo, conseguir apoio dos partidos de centro-esquerda e esquerda. Em Pernambuco, o candidato à reeleição ao governo Paulo Câmara (PSB) flerta com o PT, mesmo que a rival, Marília Arraes, seja petista. A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), esteve com Câmara na última quinta-feira. A ideia é que o PT, mesmo sem Lula, continue com força no Nordeste para conseguir firmar coligações.

Outro impasse que Ciro enfrenta com o PSB é em São Paulo. Márcio França acena para Geraldo Alckmin (PSDB), com quem dividiu o governo do estado. Para o analista político Creomar Souza, “mesmo que haja uma aliança nacional do PSB com Ciro Gomes, essa aliança não vai se manifestar de uma maneira prática em São Paulo. França deixou claro, mais de uma vez, que Alckmin terá palanque no estado. Nacionalmente, PSB pode até estar com Ciro, mas, oficialmente, o candidato do governo será o tucano”, avaliou.

A partir da próxima sexta-feira, o calendário eleitoral permite a realização das convenções partidárias. As reuniões discutirão as coligações e vão escolher os candidatos das legendas, entre eles, os que disputarão a presidência e a vice-Presidência da República. Com o período de campanha encurtado pela metade, seria de se esperar que os partidos já estivessem certos sobre os nomes que disputarão todos os cargos, mas essa é outra particularidade das eleições deste ano. Até o momento, ainda não há definição sobre coligações ou vice-representantes e a maioria das legendas deve se reunir apenas no fim do prazo dado pela Justiça Eleitoral, de 5 de agosto.

Já para Creomar Souza, os problemas têm começado porque os pré-candidatos têm começado a enfrentar um “choque de realidade”. Com os custos das campanhas, é provável que os blocos, como Centrão, se unam a pré-candidatos com mais tempo de TV, ou com mais dinheiro do fundo partidário. “Nesse aspecto, o Alckmin é melhor do que Bolsonaro, já que ele tem uma estrutura partidária que irá, de fato, atrair alianças. O que os candidatos dos estados precisam? Precisam de candidatos fortes ao Planalto que deem visibilidade à corrida eleitoral”, comentou Creomar.

Bolsonaro enfrenta um problema sem o apoio de Magno Malta (PR). Com o recuo da aliança, a tendência é de que o ex-militar possa ficar sem apoio e ir sozinho para a disputa. Além disso, um correligionário contou ao Correio que Henrique Meirelles (MDB) cresce nos estados. Isso teria se confirmado com o aumento da adesão dele dentro da própria sigla. “Paraná, Pernambuco, Alagoas, Ceará e Sergipe ainda não estão fechados. Apenas Pernambuco que é realmente contra Meirelles, porque o deputado federal Jarbas Vasconcelos (MDB) quer uma aliança com o Alckmin”, comentou.

Colaboraram Bernardo Bittar e Gabriela Vinhal

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