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Correio Braziliense

Décima Cúpula do BRICS em destaque

Encontro entre líderes dos países membros do grupo marca momento de relações tensas entre Estados Unidos e China. Expectativa é de um posicionamento final defendendo o livre comércio


postado em 25/07/2018 19:10

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, durante a abertura do encontro(foto: Gianluigi Guercia / AFP)
O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, durante a abertura do encontro (foto: Gianluigi Guercia / AFP)

Cercada de influências do exterior, a décima cúpula dos BRICS, grupo político de cooperação composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, teve início nesta quarta (25/7), em Joanesburgo, capital da África do Sul. A principal pauta do encontro deve concentrar-se na elaboração de estratégias para combater as dificuldades de comercialização de produtos impostos pelos Estados Unidos. 

Os EUA serão protagonistas durante o encontro. A China, segunda maior economia global, é o principal alvo de retaliações por parte dos governo de Donald Trump em relação à guerra comercial, principalmente quanto ao aço, alumínio e produtos industriais.

Calcula-se que cerca 500 bilhões de dólares em produtos chineses podem ser afetados pelas sobretaxas impostas por Trump. Dessa forma, prejudicando-se o comércio chinês, o bloco inteiro sofre com as barreiras impostas.

O presidente chinês Xi Jiping afirmou, em um fórum de negócios na abertura do evento, que deve-se perseguir uma economia aberta, além de salientar que, caso ocorra uma possível guerra comercial, ‘não haverá vencedores’.

Na opinião do professor de Relações Internacionais do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) Danilo Porfírio, as discussões decorrem, em grande parte, do novo redesenhamento mundial do comércio externo. “Em função da mão de obra barata, e, portanto, do valor mais sedutor dos produtos chineses, há, de alguma maneira, um estrangulamento dos setores de produção dos EUA que não acompanharam a concorrência dos chineses pelo preço e também pela atualização do parque industrial”, explica.

O presidente Michel Temer, que não compareceu às primeiras sessões do evento, foi representado pelo ministro das relações exteriores Aloysio Nunes, que defendeu o respeito a regras do multilateralismo internacional. Nunes também afirmou que a Organização Mundial do Comércio (OMC), dirigida pelo brasileiro Roberto Azevedo, está “ameaçada” diante das recentes atitudes impostas pelos EUA.

Durante a programação, Temer também deve solicitar o fim do embargo da carne brasileira para líderes de Rússia e China. De acordo com Porfírio, o governo brasileiro deve concentrar-se na confirmação de possíveis novos acordos comerciais. "As oportunidades com os BRICS se voltam para a Índia, em termos tecnológicos, e China, no intuito de consolidar-se como principal parceiro dos brasileiros", diz.

Outros assuntos, como tecnologia e saúde, também serão abordados pelos Chefes de Governo durante a programação. As discussões envolvem o acordo para utilização de imagens de satélite em conjunto pelos cinco países, além da criação de um centro de vacinas na África do Sul, que aumentaria a produção de vacinas.

A expectativa é de que o grupo, em conjunto, emita um posicionamento, ao fim do encontro, defendendo o livre comércio e alertando sobre o crescimento do protecionismo. No entanto, não se deve mencionar diretamente os EUA na declaração.

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