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Correio Braziliense

Dividido, PSB adia reunião para definir quem apoiará na corrida eleitoral

Governador de São Paulo, Márcio França, pressiona a sigla para emplacar uma candidatura própria antes de 15 de agosto


postado em 26/07/2018 06:00

A petista Marília Arraes, vereadora no Recife e neta do ex-governador Miguel Arraes, um dos fundadores do PSB, tenta o governo de Pernambuco(foto: Câmara de vereadores/Divulgação)
A petista Marília Arraes, vereadora no Recife e neta do ex-governador Miguel Arraes, um dos fundadores do PSB, tenta o governo de Pernambuco (foto: Câmara de vereadores/Divulgação)

Divididos sobre quem apoiar, dirigentes do PSB adiaram a reunião da Executiva Nacional, que ocorreria em Brasília, na próxima segunda-feira (30/7). A nova data para o encontro ainda não foi definida, mas a expectativa do presidente da sigla, Carlos Siqueira, é de que seja no fim da semana que vem, próximo ao dia da convenção partidária, que ocorrerá em 5 de agosto.

Ao passo que o partido tenta ganhar tempo para intensificar as negociações com Ciro Gomes (PDT) e com o PT, o governador de São Paulo, Márcio França, pressiona a sigla para emplacar uma candidatura própria antes de 15 de agosto. França, ligado ao presidenciável tucano Geraldo Alckmin, é um dos caciques do partido que nunca escondeu o desejo de manter a legenda neutra nestas eleições.

Com isso, o governador de SP tenta articular o lançamento da ex-secretária de Planejamento do Governo do Distrito Federal, Leany Lemos, como postulante à Presidência. Assim, não precisaria escolher quem apoiar, numa espécie de candidatura laranja em favor de Alckmin. Novata na política, Leany foi exonerada do cargo para concorrer ao Senado, onde é servidora de carreira. Apesar da manobra de França, a direção do partido, em Brasília, nega que Leany tenha sido sondada para desistir da candidatura ao Congresso.

Vereadora


Pivô da crise que envolve o PT e o PSB em Pernambuco, a vereadora do Recife e postulante ao governo do estado, a petista Marília Arraes, disse ontem, em entrevista ao Correio, que as conversas entre os partidos não a intimidam. Ela afirma que seguirá, ao menos nesses próximos dias, como pré-candidata estadual.

Marília ressalta ainda que não se sente preterida pelo próprio partido, que pode apoiar Paulo Câmara (PSB-PE) para ganhar reforço nacional e descartar sua possível candidatura: “Não me sinto ameaçada. Tenho uma relação de muito respeito com Gleisi (Hoffmann, presidente da legenda). Inclusive, já participei de várias reuniões com ela e com outros membros da Executiva Nacional, quando atualizei o grupo sobre o cenário da minha pré-candidatura”.

A vereadora, que diz ter recebido a bênção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para seguir na disputa, tem conquistado o eleitorado local na primeira vez que concorre ao cargo. Marília comenta que mantém boas relações com membros da Executiva Nacional e descarta coalizão entre a sigla e o PSB. “Eu tenho uma candidatura consolidada. Neste contexto, não vejo sentido em o partido preferir apoiar alguém de outra legenda.”

Confiante, a pré-candidata garante que será só questão de tempo para ter a candidatura oficializada. “Não trabalho com futurologia, mas, hoje, a probabilidade é muito pequena de me tirarem dessas eleições para apoiar outro candidato. Tudo está se encaminhando para uma decisão. Em política, nada é fácil.” As declarações mostram que nem mesmo o PT pernambucano está fechado na aliança com o PSB.

Segundo Marília, a demora dos partidos em bater o martelo quanto às coalizões é “comum e democrática”, mas, dentro do PT, a negociação segue com respeito e de maneira “orgânica”. “Enquanto isso, a movimentação fortalece o partido e as eleições das bancadas estaduais”, conclui.

Três perguntas para Marília Arraes, vereadora


Como a senhora avalia a indecisão do partido em relação às alianças?

Hoje eu acho que faz parte da democracia e do processo de discussão interna do Partido dos Tralhadores. Isso que torna o partido grande, com a vida orgânica que tem. Se observar, o cenário está instável tanto no plano nacional quanto em Pernambuco.

A senhora está segura de que terá a candidatura oficializada?

Ainda há tempo para dialogar, mas temos uma pré-candidatura que está empatada nas pesquisas em primeiro lugar, sem ter qualquer recall. Os outros dois candidatos já disputaram eleições anteriores. É questão de tempo para a candidatura ser oficializada. Enquanto isso, o movimento fortalece o PT e as eleições de bancada.

Como a senhora avalia uma possível união do PSB com o PT?

Não vejo no plano nacional, tampouco no local, as conversas com o PSB avançarem. Lula é o mais popular em Pernambuco. 
O apoio do Paulo Câmara não é suficiente, porque ele não está bem nas pesquisas, por isso quer se aliar ao PT. Mas, se o partido já tem uma candidatura consolidada, não vejo por que desistir disso e seguir com outro candidato.

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