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Correio Braziliense

Henrique Meirelles tenta achar equilíbrio com apoio do chamado 'centrinho'

Depois de perder a negociação do centrão para Alckmin, o ex-ministro da Fazenda busca um bloco menor de nove legendas, que conta com 46 deputados e 12 senadores


postado em 28/07/2018 08:00 / atualizado em 28/07/2018 00:17

Meirelles: legendas buscadas pelo ex-ministro da Fazenda somam quase dois minutos de tempo de TV no horário eleitoral gratuito(foto: Evaristo Sá/AFP )
Meirelles: legendas buscadas pelo ex-ministro da Fazenda somam quase dois minutos de tempo de TV no horário eleitoral gratuito (foto: Evaristo Sá/AFP )

O MDB segue tentando se equilibrar na tentativa de atrair apoio para a pré-candidatura de Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda. Após o fracasso em atrair o centrão — bloco formado por PP, DEM, PRB, PR e Solidariedade —, o presidenciável está atrás de partidos do chamado centrinho. O grupo é formado por PRTB, Podemos, PSC, PRP, Patriotas, PTC, DC (antigo PSDC), Avante e Pros, que, juntos, detêm 46 deputados e 12 senadores no Congresso. O problema é que nem mesmo lideranças das nove legendas nanicas sinalizam disposição de se coligar à campanha emedebista.

A restrição a uma aliança com Meirelles e o MDB se deve ao temor de naufragar em uma candidatura que, inevitavelmente, será vinculada, pelos opositores, ao presidente Michel Temer. A aprovação de apenas 4% do governo joga contra as perspectivas dos partidos em alçar voos mais altos na corrida eleitoral, caso se unam à campanha emedebista. Diante disso, Álvaro Dias, do Podemos, e Paulo Rabello de Castro, do PSC, seguem sendo os mais cotados para liderar o “centrinho”.

O grupo composto pelos nove partidos decidiu nesta semana se unir para apoiar um único candidato à Presidência da República, como o centrão, que se uniu ao PSDB, de Geraldo Alckmin. Com isso, o centrinho formou a chamada Aliança Patriótica Democrática Cristã. Juntas, as legendas somam cerca de 1 minuto e 52 segundos de tempo de televisão, calculam líderes.

Os quase dois minutos de horário eleitoral gratuito agradam Meirelles. Mas é o público cristão que o emedebista está mirando. Nos últimos meses, o presidenciável estreitou laços com a comunidade evangélica. Foi a cultos e alinhou um discurso cristão mirando os religiosos. Nas últimas semanas, inclusive, tentou atrair apoio do PRB, presidido pelo ex-ministro da Indústria Marcos Pereira, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. O apoio da legenda a Alckmin frustrou os planos do economista, que decidiu, então, mirar o centrinho.

As legendas do bloquinho reconhecem os feitos de Meirelles pela economia no governo Temer e nas duas gestões do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando foi presidente do Banco Central. Mas estão inclinadas a negar apoio. Um interlocutor do PSC afirma que os partidos procuram um perfil mais político e carismático para capitanear a aliança cristã. “A ideia é que o nosso candidato seja um político que tenha credibilidade e empatia. Meirelles é um técnico e não é carismático. Poderia ser o caso de ser um vice”, advertiu.

Capital político

No centrinho, a análise é de que Meirelles mantém conversas para elevar o capital político e vendê-lo mais caro em um apoio a vice em alguma coligação. Álvaro Dias é o preferido para liderar. A possibilidade dele ser o segundo no comando em uma chapa, no entanto, não existe.

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse ontem em Joanesburgo, onde Temer participa de uma cúpula do Brics, que o “candidato que leva a proposta do governo é o Meirelles. “Ou estamos com Meirelles ou não tem candidato”, destacou. A expectativa do MDB é conseguir uma aliança com capilaridade para fortalecer a campanha em todo o país, sobretudo em áreas onde a esquerda é dominante, como o Nordeste. “O presidente (do MDB, Romero) Jucá e Meirelles ainda trabalham com a possibilidade de uma aliança. Vai ter que ter. Alguém que pudesse representar o Nordeste seria muito bom”, disse.

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, garante que a opção por Meirelles está consolidada e sem chance de revés. “Como militante do MDB, estou cada vez mais animado com a candidatura. É uma pessoa metódica, disciplinada e empenhada, que nos orgulha. Não me surpreenderia um bom desempenho nas eleições. O trabalho dele é fruto de resultados”, sustentou.

 

Maia: depois de desistir da corrida eleitoral, o risco de perder a disputa pela Câmara dos Deputados(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
Maia: depois de desistir da corrida eleitoral, o risco de perder a disputa pela Câmara dos Deputados (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )

Negociação para o futuro

A indefinição para a escolha do vice de Geraldo Alckmin, do PSDB, pode colocar em xeque a recondução do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) à Presidência da Câmara. A possibilidade de a deputada Tereza Cristina (DEM-MS) ser a segunda no comando da chapa presidencial põe em risco as chances de o correligionário presidir a Câmara por mais dois anos.

Entre caciques do centrão, a vitória nas urnas é a prioridade nestas eleições. E para atingir este objetivo, a definição do vice é uma peça-chave. Caso este cargo seja ocupado por um filiado do DEM, as legendas reconhecem que o escolhido pelo blocão para presidir a Câmara não poderá ser Maia ou outro membro do partido. Por isso, é real a possibilidade de o democrata ter a recondução preterida.

A definição do vice de Alckmin ainda está sendo discutida pela cúpula do centrão. A prioridade é de que seja escolhida uma mulher. Por esse motivo, Tereza é bem cotada e pode complicar as aspirações de Maia de presidir a Câmara no próximo biênio. Ainda há, no entanto, uma chama de esperança para o democrata. O nome da correligionária não é consenso na cúpula do DEM.

Caso a indicação de Tereza seja descartada, outros nomes despontam como opção para o cargo de vice na chapa tucana, sob indicação do PP: a senadora Ana Amélia (RS), a vice-governadora do Piauí, Margarete Coelho, e Luana Baldy, mulher do ministro das Cidades, Alexandre Baldy.

A correlação entre a permanência de Maia e a escolha do vice de Alckmin é refutada por caciques do DEM. O vice-líder do partido no Senado e ex-presidente nacional do partido, José Agripino, diz que não há conexão. “É algo sem fundamento. Essa pauta não participou dos entendimentos para apoio a Alckmin. É pura especulação, não tem nada a ver uma coisa com a outra”, declarou.

Nordeste

A dança das cadeiras pela definição de vice decorre de uma negativa do empresário Josué Alencar, filiado ao PR. Filho do ex-presidente José Alencar, ele rejeitou a ideia de ocupar o posto na chapa. Com a negativa, outros nomes voltaram para a pauta, como o do deputado Mendonça Filho (DEM-PE), ex-ministro da Educação do presidente Michel Temer — outro nome que colocaria em risco a recondução de Maia.

O nome de Mendonça é bem avaliado por uma ala tucana, admite um interlocutor ligado à coordenação política de Alckmin. “Ele é alguém que pode agregar votos e capilaridade no Nordeste”, sustentou. O partido deseja um nome que agregue voto, seja do Nordeste ou de um dos principais colégios eleitorais, e não tenha situação política “difícil”, como alianças regionais com partidos de oposição ao PSDB. No entanto, o nome de Mendonça encontra resistência entre caciques tucanos. 

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