Publicidade

Correio Braziliense

Sem alianças e com Temer, MDB oficializa Meirelles à Presidência

Embora sua candidatura não seja unanimidade na legenda, e ele tente se associar à imagem do ex-presidente Lula


postado em 02/08/2018 08:20 / atualizado em 02/08/2018 08:44

O ex-ministro se apresentará como homem de sucesso no setor privado e responsável por políticas econômicas nos governos Temer e Lula(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
O ex-ministro se apresentará como homem de sucesso no setor privado e responsável por políticas econômicas nos governos Temer e Lula (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Apadrinhado pelo presidente Michel Temer, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles será oficializado nesta quinta-feira (2/8) candidato à Presidência da República na convenção nacional do MDB, preveem caciques do partido, embora sua candidatura não seja unanimidade na legenda, e ele tente se associar à imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado e preso na Lava-Jato.

Apoiadores de Meirelles contam ter a maioria absoluta dos 598 votos na convenção. Sem alianças e estagnado com 1% das intenções de voto, o ex-ministro será oficializado sem a definição do nome para vice - o ex-ministro estava em busca de uma mulher para o posto. Assim, a convenção delegará a escolha para a Executiva Nacional. Depois de 24 anos sem ter um cabeça de chapa na disputa, o MDB pode ter um vice do próprio partido na eleição presidencial.

O senador Romero Jucá (RR), presidente nacional do partido, afirmou ontem que ainda existem esforços finais para atrair a Meirelles siglas nanicas, mas descartou chances de ceder vaga na chapa. "Tem conversas, mas não para indicar vice", disse Jucá.

O ex-ministro se apresentará como homem de sucesso no setor privado e responsável por políticas econômicas nos governos Temer e Lula, em busca do espólio eleitoral do petista. Ele divulgou nas redes sociais um vídeo no qual o petista o elogia. "Sou um homem que tenho muito respeito pelo Meirelles e devo a esse companheiro a estabilidade econômica e o respeito que o Brasil tem hoje no mundo", afirma Lula na gravação.

Meirelles, de 72 anos, ex-presidente mundial do BankBoston, tem menos de 2% das intenções de voto, mas a campanha do MDB, uma das principais forças do Congresso e com melhor representação territorial, contará com boa parte dos recursos oficiais e tempo de TV para tentar atrair votos e chegar ao segundo turno.

Temer


Embora Temer vá aparecer nesta quinta-feira ao lado do ex-ministro, toda a campanha está sendo montada para que ele fique distante do palanque. Pesquisas eleitorais indicam que a alta impopularidade do presidente (82% de reprovação) contamina não apenas a candidatura de Meirelles como quem dele se aproximar. Nas últimas semanas, Meirelles e a ala política do Planalto repetiram que a candidatura tem como pilar o histórico do ex-ministro e suas ações na Fazenda, uma tentativa de descolar o candidato da imagem de Temer.

O ex-ministro vai se apresentar aos correligionários como um gestor de resultados, um homem capaz de promover a "transformação" do País. Em uma convenção com ares de superprodução, Meirelles chegará ao lado de Temer e ocupará um palco que lembra uma arena. Ele dirá que não se omitiu quando foi chamado para enfrentar a crise econômica tanto no governo Temer como nos dois mandatos de Lula, época em que comandou o Banco Central.

Extremos


Com a estratégia apoiada no slogan "Chama o Meirelles", o ex-comandante da economia dará uma estocada nos adversários, a quem classifica ironicamente como "salvadores da pátria". Em seu discurso, Meirelles atacará os "extremos", repetindo o bordão contido na Carta Aberta à Nação divulgada pelo MDB.
 
Para Thiago Vidal, cientista político da consultoria Prospectiva, "tendência é que ele tenha pouco apoio partidário e dependa única e exclusivamente de recursos próprios", que pela lei são limitados. "Isso, somado à impopularidade do governo federal e do Temer, dificultará um desempenho sustentável do Meirelles", acrescentou. 

A cúpula do MDB entende que a candidatura será benéfica para o partido, mesmo que hoje o cenário mostre poucas chances de vitória. "O que está em jogo nessa eleição não é o resultado eleitoral, é a postura política de partidos que terão que se recolocar. Estamos recolocando o MDB no lugar certo", disse Jucá.
 

Perfil

 
O ex-banqueiro Henrique Meirelles ocupou postos-chave da área econômica em governos tanto de esquerda como de direita. Agora promete estabilidade, sensatez e mais reduções caso seja eleito presidente em outubro. Um programa que talvez explique suas dificuldades para sair do 1% das intenções de voto nas pesquisas. 

O ex-presidente mundial do BankBoston conseguiu conter os temores dos mercados frente ao Banco Central do Brasil sob a presidência do petista Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). 

E como ministro da Fazenda de  Michel Temer aplicou, em 2016, um programa de cortes drásticos de gastos, para tirar o Brasil de dois anos de recessão. Em abril, o cargo de ministro da Fazenda e aderiu ao MDB, partido do presidente Temer, para lançar-se candidato.

Mas sua mensagem até agora não funcionou em um país onde a recuperação econômica é tímida e as taxas de desemprego caem lentamente, com mais de 13 milhões de desempregados.

Engenheiro civil e administrador, Meirelles, casado com a psiquiatra Eva Missine, trabalhou quase três décadas no BankBoston e de 1996 a 1999 foi presidente mundial da instituição. Foi eleito em 2002 deputado federal por Goiás, seu estado natal. Deixou o cargo um ano depois, quando Lula o colocou à frente do BC.
 
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e da Agência France-Presse 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade