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Correio Braziliense

PSB opta pela neutralidade nas eleições e corre risco de encolher

Dentro da legenda o sentimento é o de que se perdeu uma grande oportunidade de busca pelo protagonismo


postado em 06/08/2018 06:00

(foto: Humberto Pradera/PSB/Flickr)
(foto: Humberto Pradera/PSB/Flickr)

A decisão do PSB de optar pela neutralidade deixou o partido menor. Pior: sem identidade e totalmente rachado. Dentro da legenda o sentimento é o de que se perdeu uma grande oportunidade de busca pelo protagonismo. Duvida-se agora, até da capacidade do PSB de manter sua bancada no Congresso.                       

Ao ceder aos apelos de Lula e do PT para não fechar aliança com o presidenciável Ciro Gomes, do PDT, o PSB terá de juntar os cacos. Em Pernambuco, a petista Marília Arraes comunicou ontem, em nota, que será candidata a deputada federal, não fazendo frente ao socialista Paulo Câmara, que concorre à reeleição ao governo do estado. Faltou os pessebistas, entretanto, fazerem a parte deles e convencerem o candidato ao governo de Minas Gerais, Márcio Lacerda, a desistir. O mineiro se manteve irredutível e negou, em nota, a hipótese de se retirar da campanha.

A postura de Lacerda pegou de surpresa a Executiva Nacional do partido. Caciques da legenda que participaram da reunião afirmam que ele mesmo havia admitido a anulação do congresso estadual do PSB, realizado no sábado, quando foi aclamado como candidato ao governo de Minas. “Ele havia aceitado anular a convenção e delegar a nós a decisão final sobre as alianças”, criticou um membro do diretório nacional. A Executiva desqualifica e desconhece a nota. “A candidatura dele já foi vetada pelo congresso nacional”, disse outro integrante.

O PSB, agora, corre contra o tempo para colocar panos quentes sobre a situação. O partido tem até hoje para demover Lacerda da ideia de manter a candidatura. A legislação eleitoral estabelece que o envio das atas das candidaturas deve ser feita em até 24h, após o prazo das convenções, para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Caso a Executiva Nacional não consiga convencê-lo ainda hoje, a luta será impedir o registro da campanha. O prazo final para isso é 15 de agosto.

A aliança firmada com o PT é considerada fundamental pelo PSB. Fortalece a candidatura do governador Paulo Câmara à reeleição. O estado é a “menina dos olhos” dos pessebistas e o principal reduto eleitoral da legenda. Manter o controle da unidade da Federação é uma das prioridades nessas eleições. Os petistas também se comprometeram a apoiar os socialistas na Paraíba, no Amazonas e no Amapá.

O PT, evidentemente, também tem interesse no acordo. E vai exigir o cumprimento. A costura é positiva para o fortalecimento da campanha nacional do partido, pois desidrata a candidatura de Ciro Gomes, do PDT, consolida a campanha de Fernando Pimentel à reeleição em Minas — que terá Jô Moraes (PCdoB) como vice — e garante palanques nos estados, ainda que sob apoio às chapas do PSB a governadores.

O candidato ao governo em Minas tinha dado o tom de que não aceitaria abrir mão da candidatura. Após a convenção nacional, analisou que conta com enorme capital político no estado. “Principalmente depois dessa intervenção, pois houve revolta grande. O eleitorado despertou. Temos uma eleição e o mineiro realmente não aceita esse tipo de intervenção nos seus assuntos”, declarou.

A relutância de Lacerda provocou a ira da Executiva. O presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, nega irritação e defende a pluralidade, mas sustenta que o apoio nacional à candidatura do PDT — como defendem alguns, inclusive, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg — inviabiliza a disputa do partido nos estados. 

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