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Correio Braziliense

Assessores econômicos de presidenciáveis dizem como veem a situação do país

Evento da ABDE reuniu assessores de Guilherme Boulos, Lula, Ciro Gomes, Álvaro Dias, Henrique Meirelles e Marina Silva


postado em 08/08/2018 12:28 / atualizado em 08/08/2018 12:53

Assessores debateram propostas para recuperar o país(foto: CB/D.A Press e AFP)
Assessores debateram propostas para recuperar o país (foto: CB/D.A Press e AFP)
Em debate promovido pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), assessores dos candidatos Guilherme Boulos (Psol), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PDT), Álvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB) e Marina Silva (Rede) debateram propostas para recuperar o país. 

O economista Marco Antonio Rocha, assessor econômico da campanha de Boulos, afirmou em debate que o candidato possui um plano emergencial para recuperar a economia no curto prazo e gerar empregos. “Tivemos um alto grau de endividamento e uma queda significativa da rentabilidade do setor privado, mas também houve um processo estrutural de esvaziamento da matriz industrial brasileira”, afirmou.

Sobre a gestão macroeconômica, o economista defendeu a mudança do “aparato fiscalista”, para que as ações se voltem ao desenvolvimento econômico. "Viemos de uma gestão importante para estabilizar preços, mas sem efeitos na estabilização macroeconômica", criticou.Segundo Rocha, o programa prevê a reorganização dos instrumentos de intervenção na economia, além do fortalecimento dos bancos públicos e de fomento.

O economista também defendeu a organização do desenvolvimento produtivo a partir de carências na infraestrutura urbana e logística. Esses investimentos, acrescentou, possibilitaria o aumento do adensamento tecnológico nas cidades brasileiras. “O investimento será vetor estruturante de nichos tecnológicos para criar mercado e ajudar micro e pequenas empresas”, concluiu.

PT

O economista Márcio Pochmann, O assessor econômico da campanha de Lula, afirmou que o partido pretende revogar o teto de gastos e a reforma trabalhista. “O Brasil está prisioneiro de uma armadilha recessiva. O nosso plano prevê a retomada das obras públicas e de um crédito mais barato e difundido. A base do programa é a retomada dos investimentos em infraestrutura, na retomada industrialização e no desenvolvimento tecnológico”, disse. 

Segundo ele, o atual plano de governo do PT é um é um dos mais ousados que o partido já conseguiu desenvolver. “Nas últimas eleições, os planos de governo estavam assentados na perspectiva de que vivíamos uma sociedade urbana industrial permeada de mudanças. Agora o programa se assenta em outra hipótese, em outro período histórico, a começar pela natureza do golpe de 2016, que mudou a ordem política e adotou um receituário neoliberal”, completou.

PDT

O coordenador do programa de governo de Ciro, Nelson Marconi, defendeu a realização das reformas fiscal, tributária e da Previdência. “A nossa reforma tributária propõe que a carga tributária seja menor sobre pessoas jurídicas e maior sobre pessoas físicas, sobretudo os mais ricos. Também defendemos a revogação do Teto de Gastos, que não controlou despesas e reduziu o Estado”, detalhou. 

Marconi repetiu que o governo de Ciro buscará zerar o déficit primário em dois anos e defendeu a redução da taxa básica de juros Selic. “Temos que ter um teto para a dívida, buscando preservar investimentos, e as áreas de saúde e educação. Com reforma fiscal e a redução dos juros, teremos câmbio competitivo para a indústria”, completou.

Além disso, ele citou a necessidade de outras medidas, voltadas para a política industrial e a área de infraestrutura. Marconi disse que a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) voltará a ser a taxa referencial dos empréstimos do BNDES no governo do BNDES. “Queremos retomar protagonismo do BNDES nos financiamentos e alguns setores são considerados prioritários, como defesa, saúde,  agronegócio e energia”, acrescentou.

Rede

Para Eduardo Bandeira de Mello, filiado a Rede, o papel dos bancos de desenvolvimento, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na retomada dos investimentos e no crescimento da economia é importante. “Se o BNDES foi usado para políticas econômicas indevidas, isso não deve servir para que seja questionado o papel dos bancos de desenvolvimento para que possamos retomar as taxas de crescimento que a economia teve no passado”, comentou.

Segundo Bandeira, o apreço de Marina pelo BNDES é público. “A relação que ela teve com o BNDES quando foi ministra do Meio Ambiente não deixa a menor dúvida. Tanto que ela fez questão que o Fundo da Amazônia, criado em parceria com o governo da Noruega, fosse administrado pelo banco”, completou.

Podemos

A coordenadora do plano de campanha de Álvaro Dias, Ana Paula Oliveira, defendeu que a economia precisa crescer 5% ao ano. “Nosso plano prevê o incentivo à inovação, o fortalecimento da indústria e do agronegócio, o fortalecimento do empreendedorismo e a reconstrução da rede de infraestrutura. Nosso objetivo é crescer no mínimo 5% ao ano em média e criar pelo menos 10 milhões de empregos”, projetou. 

Para ela, o deficit fiscal é o principal desafio do próximo governo, além de ser necessária uma simplificação tributária. O plano de governo também prevê a revisão de todas as despesas federais, com o estabelecimento de um orçamento de base zero. Ela defendeu uma proposta de reforma na Previdência que leve ao mercado um novo produto com contas individualizadas e capitalizadas com ativos da União. 

MDB

Camargo ressaltou que Meirelles trabalhará para aprovar a reforma da Previdência nos três primeiros meses do governo.Essa reforma, diz o economista, seria um pouco mais dura que a atual proposta que tramita no Congresso Nacional.A ideia é aprovar uma reforma com algumas mudanças para torná-la um pouco mais rigorosa para que a convergência para a idade mínima seja mais rápida que os 20 anos propostos no relatório”, disse. 

Ele ainda defende a intenção de rediscutir as renúncias tributárias e as vinculações do Orçamento. Além disso, Camargo defende que a própria execução do Orçamento seja mais rígida. “A partir daí, uma vez aprovado, o Orçamento será impositivo. A estrutura do Orçamento é definido na discussão no Congresso. Base e oposição vão definir as prioridades e, a partir daí, vamos executar de forma impositiva. Todos os anos vamos fazer isso sistematicamente”, defendeu.

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