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Correio Braziliense

Opinião: O país entre dois abismos


postado em 08/08/2018 16:01 / atualizado em 08/08/2018 16:44

(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
Apesar do mensalão, do petrolão, da recessão, do impeachment e da Lava-Jato, o brasileiro dá sinais de que nada aprendeu e que continua refém das velhas ratazanas políticas. Desta vez, contudo, o cenário eleitoral no país é ainda mais desolador. Até aqui, pesquisas apontam para um desastre eleitoral que pode levar a população, num futuro não muito distante, a ter saudade de Michel Temer, hoje o mais impopular presidente da nossa história.

No horizonte, o risco de um retrocesso democrático se desenha no radicalismo do nós contra eles de dois candidatos populistas. Em um extremo está o PT e o eterno flerte com regime semelhante ao da Venezuela, de Nicolás Maduro, ou da Nicarágua, de Daniel Ortega. No outro, Bolsonaro e as viúvas do prendo e arrebento da ditadura militar que se impôs no Brasil de 1964 a 1985.

Petistas se destacam como os mais ferrenhos opositores da Lava-Jato, a operação que desvendou o megaesquema de corrupção que teria desviado mais de R$ 40 bilhões dos cofres da Petrobras, além de levar à condenação dos três mais expressivos líderes do PT: Lula, Dirceu e Palocci. Hoje, cumprindo a pena de 12 anos de prisão, inelegível pela Lei da Ficha Limpa e suspeito de chefiar o petrolão, Lula manobra para tentar anular a condenação e se tornar candidato ao Planalto.

Capitão da reserva do Exército e parlamentar inexpressivo, apesar de estar no sétimo mandato como deputado federal, Bolsonaro é candidato graças ao PT. Integrante da bancada da bala na Câmara, ganhou musculatura como candidato a presidente da República radicalizando no discurso antipetista, com foco na segurança pública e no combate à corrupção.

Hoje, tudo indica que o Brasil ruma de vez para o abismo político. Mas ainda há esperança. Diretores de institutos de pesquisa, como Ibope e Datafolha, analisam que o alto número de indecisos — constatado em todas as sondagens eleitorais feitas até agora — pode levar a uma reviravolta nas eleições. Dependendo do instituto, o total de brasileiros dispostos a não votar, a anular o voto ou a votar em branco supera 50% dos 147 milhões aptos a irem às urnas. Além disso, mais de 70% admitem escolher outro candidato até outubro.

Ou seja: as ratazanas que hoje dominam o país aprisionaram o sistema eleitoral, numa reforma política sob medida para se manter no poder, e nos deixaram praticamente sem opção. Mas ainda dá tempo para evitar que, dentro da ratoeira armada por eles, ocorra um golpe legitimado pela principal arma da democracia, as eleições livres e diretas. E isso depende também de você. Cada eleitor importa.

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