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Correio Braziliense

Integrantes do MST chegam à Brasília em defesa de Lula

Os manifestantes estão alojados em acampamento situado próximo ao balão do Aeroporto, chamado de Coluna Ligas Camponesas e tem a intenção de unir cinco mil pessoas em frente ao TSE na quarta-feira (15/8)


postado em 13/08/2018 20:01 / atualizado em 13/08/2018 20:56

Os integrantes Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra realizaram passeata pelo Distrito Federal nesta segunda-feira (13/8)(foto: Bruno Santa Rita)
Os integrantes Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra realizaram passeata pelo Distrito Federal nesta segunda-feira (13/8) (foto: Bruno Santa Rita)

Há dois dias do registro de candidatura dos presidenciáveis, o Partido dos Trabalhadores (PT) tenta unir forças em prol da elegibilidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) - condenado sob acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por 12 anos. Com manifestação programada para quarta-feira (15/8),  integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) chegaram à Brasília com a intenção de unir cinco mil pessoas em frente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Organizado em três colunas nomeadas como Ligas Camponesas, Tereza de Benguela e Prestes, as passeatas se concentraram em regiões há cerca de 50 quilômetros do Distrito Federal e percorreram as vias da Capital na manhã desta segunda-feira (13/8). Com cerca de 1.500 pessoas cada, o deslocamento ocorreu pelas rodovias BR-020, BR-040 e BR-060. A Polícia Militar, o Detran e o DER farão acompanhamento dos manifestantes durante o trajeto até o Centro de Brasília, não há previsão de fechamento de vias para amanhã.

De acordo com o cientista político da Arko Advice Cristiano Noronha, a passeata não passa de uma estratégia do Partido dos Trabalhadores para criar apelo popular a favor da candidatura de Lula. Mas, como o processo está em trâmite jurídico, do ponto de vista legal não surtirá muito efeito. “Ele (Lula) está em uma posição difícil com a elegibilidade atingida, então está criando estratégias para criar um apelo social. Mas a Justiça não olha isso”, analisou. 

Contudo, para o manifestante e coordenador de comunicação da Coluna Tereza de Benguela, Reinaldo Costa, o objetivo do movimento vai além da reivindicação da liberdade de Lula e se estende até o Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “Foi um retrocesso, principalmente para nós trabalhadores que vimos nossos direitos serem retirados”, explicou. A marcha está alocada ao lado da Rodoviária Interestadual com delegações da Amazônia e do Centro-Oeste, incluindo estados como Tocantins, Pará e Maranhão. 

A coluna Ligas Camponesas - que contém participantes do MST de oito estados do Nordeste - iniciaram a passeata em Brasília por volta das 5h30 de hoje saindo de Sobradinho com destino à Granja do Torto, onde cerca de 1500 pessoas estão acampadas. Compõem essa coluna integrantes dos estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Piauí, Paraíba, Alagoas, Bahia e Sergipe.   

Segundo a coordenadora do movimento dessa coluna, Rosa Maria, os manifestantes chegaram ao local do acampamento às 10h30. Um almoço foi servido para os Sem Terra às 12:30. Pela tarde, os acampados tiveram um debate aberto intitulado “Impactos do Golpe na Reforma Agrária” comandado pela Antônia Ivoneide, membra da Direção Nacional do Setor de Produção do MST. “Vamos falar a respeito de alguns direitos que foram revertidos após o Impeachment”, disse Antônia. 

Augusto Lima da Silva integrante da passeata da Coluna Ligas Camponesas(foto: Bruno Santa Rita)
Augusto Lima da Silva integrante da passeata da Coluna Ligas Camponesas (foto: Bruno Santa Rita)
 
O clima seco de Brasília abalou o agricultor alagoano Augusto Lima da Silva, que participa da passeata da Coluna Ligas Camponesas. Mesmo assim, ele continua na luta para reverter os efeitos do Impeachment da Dilma na classe trabalhadora. “Não foi um golpe só na Dilma, mas também na classe trabalhadora”, criticou. Augusto entende que a manifestação não é apenas para soltar o Lula, mas também pela democracia e pela melhoria na saúde e da educação.

O acampamento da Coluna Prestes está situado próximo ao balão do Aeroporto Internacional de Brasília. Segundo a assessoria de imprensa do movimento, cerca de 2000 pessoas vindas das regiões Sul e Sudeste estão no local, a maioria de cidades de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. Pela manhã, os manifestantes estavam em Luziânia - GO. Essa coluna tem marchado cerca de 15 km por dia até chegarem ao ponto final.   

Na parte da tarde, a organização do acampamento oferece debates públicos com temas políticos e sociais. Pela noite ocorre uma integração político cultural, com música ao vivo. Os alimentos que os manifestantes consomem são colhidos da plantação dos agricultores que aderiram ao movimento e as demais despesas são custeadas com uma “vaquinha” coordenada pelos responsáveis do acampamento. Segundo eles, o Partido dos Trabalhadores não tem dado apoio financeiro. 

Greve de fome

Sete militantes do MST participam de uma greve de fome. Desde o dia 31 de julho, eles ingerem apenas soro e água. Os manifestantes também recebem massagens terapêuticas para aliviar a fadiga muscular além de um acompanhamento médico. A Coluna Prestes também recebeu o ganhador do Nobel da Paz de 1980, Adolfo Pérez Esquivel. Ele enxerga a manifestação como “fantástica”. “A união da América Latina é uma forma de luta”, disse. 

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