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Correio Braziliense

Opinião: Lula e mais 726 mil na fila


postado em 13/08/2018 20:54 / atualizado em 13/08/2018 20:57

(foto: AFP / NELSON ALMEIDA)
(foto: AFP / NELSON ALMEIDA)
Muita gente, ao traçar um paralelo entre as eleições deste ano e as de 1989, aponta a impopularidade de Sarney e a de Temer, a maior de todos os tempos segundo pesquisas, como uma das principais semelhanças. Cita também que ambos eram vice e ascenderam ao poder. Quanto ao cenário econômico, apesar da crise, era bem distinto: basta comparar a inflação, que chegou a 1.972% no último ano de Sarney e deve ficar abaixo de 5% neste ano. No espectro político, vale recordar que 1989 seria o ponto de partida para similaridades entre o impeachment de Collor e o de Dilma e para a entrada em cena de outro vice, Itamar Franco. 

Na campanha de 1989, o PT, quem diria!, era o partido de uma nota só: a defesa da ética na política. Nas urnas, Lula superou Brizola por menos de 1% no primeiro turno e foi vencido, no segundo por Fernando Collor, cujo discurso de caça aos marajás rivalizava com o “não rouba nem deixa roubar" petista. Collor acabou alvo de impeachment no rastro de um esquema de corrupção que teve como pivô um Fiat Elba. Hoje, um caso que, à luz das roubalheiras atuais, certamente seria tratado num tribunal de pequenas causas, como diria um ministro do STF. 

Vice de Collor, Itamar Franco assumiu e se tornou um dos patronos de uma revolução na economia ao bancar o Plano Real, que estabeleceria padrões civilizados para a inflação e levaria o então ministro da Fazenda, Fernando Henrique, a vencer as duas eleições presidenciais. Depois de, em vão, bombardear FHC, o PT resolveu apostar numa grande jogada de marketing. 

Na eleição de 2002, ainda na ladainha da “ética”, mas com a promessa, em carta pública, de não destruir os fundamentos do Real, Lula ganharia a eleição. Contudo, logo os brasileiros descobririam que o bordão “O PT não rouba nem deixa roubar” não passava de um estelionato eleitoral. O primeiro choque de realidade se deu com a descoberta do mensalão. As imagens de Roberto Jefferson revelando como funcionavam as engrenagens da maracutaia estarreceram o país. 

Lula sobreviveu ao mensalão porque tucanos evitaram o caminho do impeachment. Acreditaram que, politicamente, o petista já estava morto. Erraram feio. Ele não apenas se reelegeu, como incorporou o papel de eterna vítima de perseguição das elites e ficou mais forte. Tão forte que, apesar do petrolão – o maior esquema de corrupção de que se tem notícia no mundo –, ainda elegeu um poste, Dilma. O resultado: ex-sócio petista e então vice, Temer assumiu o governo. E também a herança maldita dos 13 anos do PT: a pior recessão do país, rombo nas contas públicas e milhões de desempregados. 

Hoje, apesar de condenado a 12 anos de reclusão, preso e inelegível pela Lei da Ficha Limpa, Lula briga para ser candidato a presidente. Da cadeia, articula a desmoralização do Judiciário, o que ocorrerá caso o STF venha a admitir que ninguém no Brasil, e o país se tornará caso único no mundo, pode ser posto atrás das grades até que o último recurso possível seja julgado pela Justiça. Ou seja: nunca. Basta o réu ter poder e dinheiro, ainda que da corrupção, para contratar uma renomada banca de advogados. Marcola, Fernandinho Beira-Mar, Cunha, Estevão, Gim, Cabral e outros 726 mil presos aguardam ansiosos a decisão do STF.

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