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Correio Braziliense

Alvaro Dias fala em barrar indicações partidárias em eventual governo

Dias disse que os ministros seriam indicados apenas pelo presidente, e que aceitaria quadros partidários apenas se tivessem currículo relacionado à área ministerial


postado em 27/08/2018 11:19 / atualizado em 27/08/2018 11:58

A promessa encontrou ceticismo entre os jornalistas que compõem a bancada encarregada de entrevistar o candidato(foto: Nelson Almeida/AFP)
A promessa encontrou ceticismo entre os jornalistas que compõem a bancada encarregada de entrevistar o candidato (foto: Nelson Almeida/AFP)
 

 

O candidato à Presidência pelo Podemos, Alvaro Dias, disse que rejeita o modelo de presidencialismo de coalização nos moldes atuais, e prometeu convocar apenas ministros com base em competência técnica em vez de indicações partidárias. Dias disse que os ministros seriam indicados apenas pelo presidente, e que aceitaria quadros partidários apenas se tivessem currículo relacionado à área ministerial. O tema dominou os primeiros 30 minutos da primeira sabatina Estadão-Faap com os Presidenciáveis, na manhã desta segunda-feira (27/8).

"Teríamos que celebrar um pacto nacional de governabilidade. A mudança no sistema se desenha quando convoca os ministros. Que ministros? Indicados pelas siglas que se juntam numa Arca de Noé? Ou os ministros escolhidos pela capacidade técnica?", questionou Dias. Ele enquadrou essa proposta como uma "refundação da República", em que funcionaria um "governo suprapartidário" em vez de uma coalização com partidos aliados ao presidente. "A população aprova o modelo da qualificação técnica, do saneamento financeiro, das reformas para que recursos sejam aplicados em benefício da população."

A promessa encontrou ceticismo entre os jornalistas que compõem a bancada encarregada de entrevistar o candidato. Marcelo de Moraes, do BR18, questionou se é possível evitar o toma-lá-dá-cá com um governo que tem apenas 17 deputados e 5 senadores. Andreza Matais, da Coluna do Estadão, perguntou como Dias faria para manter a governabilidade e aprovar reformas sem ceder ao Congresso quando pressionado por cargos no governo. "Acredito que o Congresso vai dançar a música que toca a Presidência", afirma o candidato. "Se eu não acreditasse, eu não estaria aqui.

 

Dias defende a refundação da República através de um pacto com a sociedade civil que permita ao próximo governante nomear um ministério sem indicações políticas.

 

"As indicações políticas retiram fundos do Estado e alimentam a corrupção. Vamos inverter a lógica de nomeação", afirmou, prometendo nomear ministério sem indicações feitas por partidos. "O Congresso tem sido um colaborador do Executivo, a população tem que reagir. Isso só aconteceu duas vezes, durante o impeachment de (Fernando) Collor e (Dilma) Rousseff", criticou o presidenciável na manhã desta segunda-feira.

 

De acordo com o senador, isso só irá acontecer se a população se apoiar no "profundo sentimento de mudança" que existe e apoiar o próximo governante. "O próximo governo tem que ser 50% gestão e 50% comunicação. Obtendo apoio da população, teremos apoio do Congresso", disse Dias.

 

O presidenciável notou que as propostas de todos os candidatos nessa eleição, incluindo as suas, são mais ou menos parecidas, algo semelhante ao que aconteceu no pleito anterior. "Se não rompermos com esse sistema, todas as propostas serão blablabla eleitoral", defendeu.

 

Confrontado sobre como transpor esse pacto suprapartidários para a realidade, Dias disse que já fez o mesmo quando governou o Paraná e que, com o apoio da população, "quem resistir a esse movimento será atropelado". 

 

"Acredito sim ser possível. Michel Temer não conseguiu fazer uma equipe diferente porque é irmão siamês de quem montou esse sistema. E o equívoco da oposição foi fazer um impeachment pela metade. Ela deixou um presidente (no lugar de Dilma) que tinha duas denúncias."

Crítica

O senador Alvaro Dias abriu a sabatina pedindo licença para um protesto, e disse que as eleições 2018 são a "campanha mais desonesta, injusta e antidemocrática da nossa história". Segundo ele, a legislação eleitoral serve aos interesses "do status quo, do establishment". Dias criticava a competição desigual entre candidatos de partidos maiores e menores. Ele diz que uma reforma política deve servir de "matriz" para outras reformas de um eventual governo seu.

"Há um grande sistema operando nas sombras. Quando digo que é desonesta, injusta e antidemocrática, me refiro a uma competição desigual entre tubarões do fundo eleitoral, do tempo do rádio e da TV. Tubarões de recursos próprios aplicados na campanha eleitoral por permissão legislativa contra lambaris sem tempo de rádio e TV, com escassos recursos do fundo eleitoral e evidentemente sem recursos próprios para aplicação no processo eleitoral."

 

Dias é o primeiro candidato a participar da sabatina do Estado de S.Paulo nas eleições presidenciais 2018, feita em parceria com a Fundação Armando Alvares Penteado (Faap). A série de encontros Estadão-Faap Sabatinas com os Presidenciáveis ocorrerá na sede da fundação, em São Paulo, entre os dias 27 de agosto e 6 de setembro. Além dele, estão confirmadas as presenças de João Amoêdo (Novo), Marina Silva (Rede), Fernando Haddad (PT), vice na chapa do ex-presidente Lula, Ciro Gomes (PDT), Henrique Meirelles (MDB) e Geraldo Alckmin (PSDB). O candidato Jair Bolsonaro (PSL) declinou do convite.  

 

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(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press )
 

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