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Correio Braziliense

"Tabelamento de frete é um retrocesso", critica Alckmin a ruralistas

Para Alckmin, o caminho para reduzir o preço dos combustíveis e, com isso, evitar o tabelamento do frete, passa por uma regra em que a Petrobras não faça permanentemente reajustes diários


postado em 29/08/2018 12:36 / atualizado em 29/08/2018 12:40

(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
 
O tabelamento de frete é um retrocesso e não vigorará se o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, vencer as eleições. Em sabatina organizada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), ele criticou a Medida Provisória (MP) que instituiu a prática, uma das exigências dos caminhoneiros para o encerramento da paralisação deflagrada em maio deste ano. 

O tucano disparou críticas indiretas ao governo do presidente Michel Temer, a grandes empresários transportadores, e ao candidato do Patriota, Cabo Daciolo, no processo que levou a edição da MP do tabelamento do frete. Ele ressaltou que, como resultado, o governo federal concedeu R$ 14 bilhões de subsídio para combustível fóssil. “Subsidiar combustível fóssil é um negócio que não tem o menor cabimento para nós, que somos campeões (produtores) de energia renovável”, criticou.

Para Alckmin, é preciso pensar no interesse coletivo do bem comum, da “dona Maria” e do “seu José”, e enfrentar o corporativismo. “Se as corporações vão tomando conta, o conjunto se enfraquece, o país se enfraquece. Então, está incorreto”, reclamou, em alusão aos pleitos cobrados pelos caminhoneiros, que subsidiaram o óleo diesel. Os acordos do governo com a categoria em nada modificou o preço da gasolina. O tucano ainda disse, sem citar nome, a participação de Daciolo na paralisação. “Ainda teve candidato incentivando guerra de caminhoneiro”, declarou. Deputado federal, Daciolo usou verba da Câmara para fretar helicóptero e ir à greve. 

O caminho para rediscutir a situação dos caminhoneiros passa pelas reformas estruturantes, como a tributária e previdenciária. No entendimento dele, elas são fundamentais para reduzir o deficit fiscal, gerar confiança e investimentos na economia, de modo que o real se valorize e o dólar não seja um componente oneroso na formação do preço dos combustíveis. Dessa maneira, ele aposta que empresas privadas sentirão confortáveis a investir no país, como em refinarias. “Tem muito petróleo e gás para tirar. É preciso trazer empresas especializadas em postos maduros para ampliar o refino no Brasil”, disse.

O aceno aos mercados, no entanto, vem acompanhado de uma sinalização de interferência sobre a Petrobras. Para Alckmin, o caminho para reduzir o preço dos combustíveis e, com isso, evitar o tabelamento do frete, passa por uma regra em que a Petrobras não faça permanentemente reajustes diários, como se consolidou na gestão Temer. Ele defende a instituição de um colchão tributário para evitar uma disparada dos custos dos combustíveis em função da alta do preço do barril de petróleo. 

A atual política de reajuste sobre a gasolina contempla dados como a variação do dólar e do preço do barril de petróleo, o que acaba alterando quase que diariamente o preço do combustível. Também acontecia o mesmo com o diesel, antes de o governo subsidiar. Na avaliação de Alckmin, é algo inconcebível. “A Petrobras não pode fazer reajuste diário, e nem ficar congelando por 10 anos. Faz uma média a cada 30 dias e, se subir muito o barril de petróleo, faz um imposto regulatório, que caia quando subir o barril, e suba quando cair o preço do barril”, disse. 

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