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Correio Braziliense

Caso perca, Bolsonaro questionará resultado por conta das urnas eletrônicas

O candidato do PSL à presidência disse não entender a decisão do STF que impediu a possibilidade do voto impresso nas eleições


postado em 05/09/2018 16:06 / atualizado em 06/09/2018 12:13

(foto: Nelson Almeida / AFP)
(foto: Nelson Almeida / AFP)

O candidato ao Palácio do Planalto Jair Bolsonaro (PSL) afirmou, em entrevista coletiva, que caso perca as eleições presidenciais deste ano irá questionar a validade das urnas eletrônicas. Além disso, o parlamentar diz acreditar que quem obter êxito na campanha vai ter o resultado eleitoral questionado pelo opositor. “Nenhum país no mundo adota esse modelo, só o Brasil. Eu não acredito nessa forma de apurar votos”.

Jair Bolsonaro disse não entender a decisão do Supremo Tribunal Federal, em junho deste ano, que derrubou o voto impresso das urnas eleitorais. Porém, segundo o ex-capitão reformado do Exército, caso a norma estivesse em vigor a chapa encabeçada por ele terminaria vitoriosa na eleição. “Se tivermos como comprovar a lisura das eleições a gente ganha no primeiro turno”, contou.

Questionado por jornalistas se não estava “sentando na cadeira” de presidente da República antes mesmo do término da eleição presidencial, o candidato foi enfático. “Ninguém está sentando e as pesquisas recentes mostram isso”. 

O candidato também afirmou que, “de Maracapuru à Manaus e em qualquer outra cidade do Brasil” a aceitação ao seu nome é “enorme”. A cidade de Maracapuru está localizada no Estado do Amazonas e fica a 98.3 km de distância da capital, Manaus.
 
O pedido de recontagem de voto é comum na justiça eleitoral, não só por candidatos a presidente, mas por políticos em geral. É o que esclarece a professora coordenadora da pós-eleitoral do IDP/SP, Karina Kufa. 


Voto Impresso


Karina Kufa conta que o voto impresso aprovado pelo Congresso Nacional e depois considerado inconstitucional pelo STF, estaria presente em 30% das urnas no país. No entanto, a jurista considera que o voto impresso da maneira em que foi pensado, não violaria, em sua visão, a inviolabilidade do voto. “O voto seria imprimido e cairia num local de impressão. Uma espécie de aquário, lacrado, sem qualquer acesso e sem contato com o eleitor”. E continua. “Eu não vejo como poderia ter o chamado voto de cabresto, e apoiei justamente para evitar esse tipo de suspeita”.

A jurista se afirma como uma defensora da urna eletrônica que acredita ser mais eficiente e “muito mais segura” do que o modelo de cédula, adotado anteriormente. Porém, afirma que a impressão do voto, desde que inviolável, não teria problema.

O Tribunal Superior Eleitoral informou que não vai se manifestar sobre as declarações do candidato do PSL. O órgão também declarou que só se pronunciará se for provocado juridicamente de acordo com suas atribuições constitucionais.

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