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Correio Braziliense

Atentado a Bolsonaro faz PF mudar esquema de segurança de candidatos

Durante reunião com diretor-geral da PF, integrantes das equipes dos presidenciáveis acertam aumento no número de agentes. Representante de Jair Bolsonaro se recusa a participar do encontro. Por conta própria, políticos contratam mais seguranças


postado em 09/09/2018 07:00

Rogério Galloro, diretor-geral da Polícia Federal: número de agentes para segurança de candidatos aumenta de 21 para 25, a partir da combinação com os representantes dos políticos(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Rogério Galloro, diretor-geral da Polícia Federal: número de agentes para segurança de candidatos aumenta de 21 para 25, a partir da combinação com os representantes dos políticos (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Depois do ataque sofrido pelo presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) na última quinta-feira, a Polícia Federal anunciou que reforçará a proteção aos cinco candidatos à Presidência da República que solicitaram a atuação dos agentes. A decisão foi tomada ontem, após reunião entre o diretor-geral da instituição, Rogério Galloro, e os coordenadores de campanha de Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Álvaro Dias (Podemos) e Marina Silva (Rede). O representante de Bolsonaro não foi ao encontro, e os outros oito candidatos não pediram a proteção. A ideia é montar estratégias de defesa individualizadas a partir do perfil dos políticos e do local dos eventos.

A PF colocará até 25 agentes em cada equipe de segurança, segundo o representante da campanha de Marina, Bazileu Margarido, que participou da reunião. Até então, os candidatos tinham direito a, no máximo, 21 policiais federais especializados. A justificativa oficial do aumento de efetivo é a “elevação do nível de alerta provocado por evento crítico no decorrer de campanha”, segundo nota da PF.

“Os representantes das campanhas foram informados que, em decorrência da elevação do nível de alerta provocado por evento crítico no decorrer da campanha, haverá aumento do efetivo policial colocado à disposição das equipes de segurança”, disse a Polícia Federal em nota oficial divulgada pouco antes do fim da reunião. O presidente nacional do PSL, Gustavo Bebbiano, disse que não enviaria representantes por considerar que a reunião servia apenas para a Polícia Federal “ficar bem na fotografia” depois do atentado a Bolsonaro.

A preocupação se estende aos comitês de campanhas que sequer solicitaram o acompanhamento de agentes públicos. A segurança entrou no radar do presidenciável Henrique Meirelles (MDB), por exemplo, que, até o episódio de Bolsonaro, não contava com nenhum tipo de proteção especial. Ele não pediu o efetivo da Polícia Federal e só usa segurança privada em eventos pontuais, sem nenhum nível “altamente profissional” de estratégia, disse um membro da campanha.

O assunto, que “nunca foi uma preocupação” dele, agora está sendo discutido pela equipe. Amanhã deve haver uma reunião da cúpula da campanha para decidir se vão solicitar o reforço da PF, à disposição de todos os candidatos que tiverem interesse, ou se investirão em segurança privada.

No caso de Meirelles, o susto também se deve ao fato de que ele estava em Juiz de Fora (MG), onde Bolsonaro foi esfaqueado, no dia anterior ao ataque, sem nenhum segurança privado ou agente da PF que o acompanhasse. A gravidade e a proximidade do atentado acenderam o sinal de alerta na campanha. “Foi um evento que motivou uma discussão dentro da campanha. Passou a ser uma preocupação, que antes não existia. Segurança definitivamente entrou no radar”, disse o integrante da campanha do emedebista.

Antes da facada, o clima geral era de tranquilidade. Como não havia precedentes, muitos candidatos não se preocupavam com o assunto. Prova disso é que apenas cinco dos 13 candidatos pediram acompanhamento da PF.

No caso do PT, que não usa a segurança oferecida pela PF, o tema deve ser abordado amanhã por Fernando Haddad e a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, na visita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. O encontro também será o momento oficial em que Lula passará o título de candidato à Presidência pelo PT para Haddad, atualmente vice da chapa. O ex-prefeito de São Paulo aumentou o número de seguranças, de dois para seis.

Tranquilos


Apesar de se solidarizarem com o ataque a Bolsonaro, outros candidatos afirmam que vão continuar com o esquema de segurança da PF, apostando no incremento anunciado. É o caso de Álvaro Dias, que negou que vá investir em segurança privada. Geralmente, ele é acompanhado por quatro policiais federais nos eventos de campanha, número que a equipe julga suficiente. “Não vai ter mais segurança. Só contamos com a PF, mesmo. O senador não está muito preocupado com isso, não se assustou com o episódio a ponto de querer aumentar segurança”, disse uma pessoa próxima a ele.

A equipe de Marina Silva também diz que ela não investirá em segurança privada. Ontem, em caminhada em São Paulo, a candidata esteve cercada por quatro seguranças, que chegaram a formar um cordão de isolamento, mas sem impedir contato com as pessoas que a acompanhavam (leia mais na página 7). Em campanha no Ceará, Ciro disse que não pretende mudar qualquer estratégia de campanha em função do ataque.

O número de agentes da PF para fazer segurança de candidatos pode chegar a 150. O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, havia dito que o efetivo disponibilizado seria elevado em 60%. Na reunião, segundo a PF, foram reforçados aos responsáveis pelas campanhas “os critérios de atuação, as orientações e os protocolos adotados pela PF”.
 
 

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