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Correio Braziliense

Candidatos aos Executivos estaduais e ao DF gastaram juntos R$121,9 milhões

Candidatos aos governos dos estados e do DF divulgam as despesas do primeiro mês de campanha. Apesar da quantia estratosférica, especialistas apontam que valor é mais baixo do que em pleitos anteriores


postado em 16/09/2018 08:00 / atualizado em 15/09/2018 21:12

(foto: CB/D.A Press)
(foto: CB/D.A Press)
A campanha eleitoral para governador chega ao fim do primeiro mês com cifras estratosféricas. Os 199 candidatos aos Executivos estaduais e ao do Distrito Federal gastaram juntos R$ 121,9 milhões. O valor seria suficiente para construir 12 unidades de pronto atendimento (UPAs), como a existente em Ceilândia, ao custo de R$ 9,5 milhões. Em média, os postulantes aos cargos esbanjaram R$ 4 milhões diários desde a largada eleitoral.

O montante pode ser ainda maior, uma vez que somente 92% dos candidatos divulgaram gastos. As informações fazem parte de um levantamento do Correio, com base nos dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A reportagem calculou somente as despesas que já foram pagas.

Entre os estados que mais gastaram estão São Paulo (R$ 13,6 milhões), Rio de Janeiro (R$ 10,8 milhões), Pernambuco (R$ 6,9 milhões), Goiás (R$ 6,6 milhões) e Minas Gerais (R$ 5,9 milhões). No DF, os postulantes ao Palácio do Buriti já desembolsaram R$ 3,8 milhões (veja outras cifras na arte).

Por lei, os candidatos devem respeitar limites de gastos, que variam de acordo com a população. Os valores vão de R$ 2,8 milhões a R$ 21 milhões, a depender da quantidade de habitantes da unidade da Federação. Isso sem levar em consideração acréscimos de R$ 1,4 milhão a R$ 10,5 milhões permitidos em caso de segundo turno. No DF, só é liberado gastar R$ 5,6 milhões no primeiro turno. Se não houver eleito, o segundo turno engorda mais R$ 2,8 milhões.

Apesar de os números saltarem aos olhos, são mais baixos do que em pleitos passados. Consultores políticos e marqueteiros admitem que as despesas estão mais racionais em 2018. A ordem é gastar somente o necessário. Entre os principais custos aparecem produção de programas de rádio, televisão ou vídeo; publicidade por materiais impressos ou por adesivos; e atividades de militância e mobilização de rua.

Mudaram a lógica de investimento fatores, como proibição de doações por empresas, divisão do fundo partidário e financiamento de redes sociais — essa é a primeira eleição com esse tipo de gasto regulamentado — e o autofinanciamento.

Os programas de tevê estão mais modestos. As produções foram desidratadas para poder custear outras formas de campanha. “As produtoras cobram muito caro por equipamento e pessoal. Contudo, não é um gasto desprezível. Comunicação em veículos de massa, como tevê e jornais, é cara, mas dá grandes resultados”, explica Carlos Manhanelli, presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos. Ele chama a atenção para a diminuição do trabalho de rua, como propaganda com bandeiras e panfletos.

Vaquinhas
Rubens Figueiredo, consultor em marketing político, acredita esta pode ser uma das campanhas mais baratas da história. “O recurso permitido é menor em relação ao registrado em outros pleitos. A Operação Lava-jato criou um temor de uso de caixa 2, e a crise econômica não deixa espaço para grandes financiamentos”, argumenta.

Analista em marketing político, Gabriel Grossi destaca o protagonismo do autofinanciamento em determinadas candidaturas e da colaboração das vaquinhas pela internet. “O candidato vai colocando mais dinheiro e reforçando seu caixa até quando puder ou usando as doações de sua militância”, comenta.

As duas campanhas mais caras são de candidatos que têm os dois tipos de financiamento. Na corrida pelo governo de São Paulo, a equipe do empresário e ex-prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) desembolsou R$ 5,5 milhões. Já o presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf (MDB), pagou R$ 5,4 milhões para tentar chegar ao Palácio dos Bandeirantes.

Para David Fleischer, professor de ciência política da Universidade de Brasília (UnB), os gastos dos governadores estão menores pelo fato de o dinheiro ter de ser dividido pelos partidos entre as candidaturas de deputados estaduais e federais, senadores e presidente. “Está mais comedido, mas ainda assim não significa que é barato”, critica.

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