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Correio Braziliense

Centrão e aliados se dividem sobre estratégia para Alckmin reagir

Em conversas reservadas, aliados avaliam que, se Alckmin não reagir nem mostrar fôlego em uma semana, a campanha entrará em fase de agonia


postado em 16/09/2018 19:10 / atualizado em 16/09/2018 23:02

(foto: AFp/Pimentel)
(foto: AFp/Pimentel)
Fiador da candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência, o bloco conhecido como Centrão está desnorteado com o imobilismo do tucano nas pesquisas de intenção de voto. Em conversas reservadas, aliados avaliam que, se Alckmin não reagir nem mostrar fôlego em uma semana, a campanha entrará em fase de agonia.

Formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade, o Centrão se divide agora sobre a estratégia a ser adotada, na tentativa de fazer o ex-governador de São Paulo decolar. A maior parte do grupo acha que é preciso concentrar o ataque no deputado Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas de intenção de voto, e pregar o voto útil com mais vigor, deixando a artilharia pesada contra o petista Fernando Haddad para o final.

Os defensores dessa tática argumentam que Alckmin só chegará ao segundo turno se conseguir desconstruir Bolsonaro, mostrando também que o capitão reformado, se eleito, não terá governabilidade. Para eles, esse movimento deve ser reforçado, mesmo com o deputado internado. Desde que Bolsonaro sofreu um atentado e foi atingido por uma facada em Juiz de Fora (MG), no último dia 6, a equipe do PSDB deu uma trégua. Agora, no entanto, decidiu retomar a ofensiva.

Líderes do Centrão foram consultados para discutir mudanças no roteiro da campanha de Alckmin. Nos bastidores, porém, alguns dirigentes do bloco pedem que o tucano reforce as críticas a Michel Temer, para se descolar da imensa impopularidade do presidente. Outros querem que o bombardeio na direção de Haddad seja feito o quanto antes.

Alckmin vai investir cada vez mais na mensagem de que é o único concorrente capaz de derrotar o PT no segundo turno. Sem conseguir avançar nas pesquisas de intenção de voto, e embolado com Ciro Gomes (PDT) e Haddad (PT), o tucano tenta, ainda, atrair votos do pelotão que está empatado com 3%, como João Amoêdo (Novo), Henrique Meirelles (MDB) e Álvaro Dias (Podemos).

Não são apenas os partidos do Centrão, porém, que mostram desconfiança em relação à capacidade de Alckmin chegar à segunda etapa da corrida. "Voto útil só pega se o candidato tiver credibilidade", afirmou o senador Cristovam Buarque (PPS-DF), que concorre à reeleição. "Alckmin tem credibilidade para dizer que é o mais preparado, mas não para mostrar mais chance de ir para o segundo turno e derrotar Bolsonaro."

O PPS está na coligação que apoia Alckmin, mas Cristovam faz críticas à campanha do tucano. Para o senador, a equipe do ex-governador não destacou a plataforma de governo para a Presidência e tem apresentado um programa sem emoção. "Agora, estamos caminhando entre a catástrofe e o desastre. Tudo indica que teremos de optar entre o furacão Florence e o tufão Mangkhut", provocou o senador. "A aposta feita para ganhar tempo de TV, fechando alianças que incomodam a população, termina sendo contraproducente", emendou ele, em uma referência ao Centrão. Por ter obtido a adesão do bloco, Alckmin conquistou o maior tempo na propaganda de TV, de 5 minutos e 32 segundos por bloco, o que corresponde a 40% de todo o espaço do horário eleitoral.

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