Publicidade

Correio Braziliense

Alckmin lembra eleições de 2006 para prever que dá para chegar ao 2º turno

O tucano fez novo apelo ao voto útil contra o PT, argumentando que Jair Bolsonaro (PSL) perderia para o candidato do partido, Fernando Haddad


postado em 19/09/2018 08:30 / atualizado em 19/09/2018 08:30

Alckmin disse ainda que parte do eleitorado que hoje sinaliza voto em Bolsonaro está, na verdade, com receio da volta do PT(foto: Carl de Souza/AFP)
Alckmin disse ainda que parte do eleitorado que hoje sinaliza voto em Bolsonaro está, na verdade, com receio da volta do PT (foto: Carl de Souza/AFP)

O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, se fiou na experiência de sua primeira disputa ao Palácio do Planalto, em 2006, para demonstrar confiança de que é possível reverter a estagnação nas pesquisas de intenção de voto e chegar ao segundo turno. Em entrevista ao Jornal da Globo, o tucano fez novo apelo ao voto útil contra o PT, argumentando que Jair Bolsonaro (PSL) perderia para o candidato do partido, Fernando Haddad.

"Se pegar a eleição que fui candidato, a 12 dias (da eleição) a diferença minha para Lula (ex-presidente, que tentava a reeleição) era de 24 pontos na pesquisa. Na hora que abriu a urna, eram 7. (Tiramos) uma diferença de 17 pontos em 12 dias. Nós não estamos a 12 dias, mas quase 20 dias", disse o tucano na entrevista, que foi gravada na noite desta terça-feira, 18, e não mencionou os resultados do último levantamento Ibope/Estadão/TV Globo.

Alckmin disse ainda que parte do eleitorado que hoje sinaliza voto em Bolsonaro está, na verdade, com receio da volta do PT, mas que o capitão reformado do Exército é, na verdade, o "passaporte" para a volta do partido do ex-presidente Lula por causa de sua alta rejeição. "O Bolsonaro tem a maior rejeição. Eu tenho uma das menores. Então acredito que na última onda, que é a que vale, nós vamos chegar lá", disse.

Segundo a pesquisa Ibope, Alckmin oscilou para baixo, de 9% para 7%, enquanto Bolsonaro passou de 26% para 28% e Haddad saltou de 8% para 19%. Nas simulações de segundo turno, o presidenciável do PSL empata com os principais adversários e vence Marina Silva (Rede). 

Força-tarefa

Alckmin,declarou que, se eleito, pretende criar uma força-tarefa de segurança para atuar nas 150 cidades com os maiores índices de homicídios no Brasil. Em entrevista ao Jornal da Globo, o tucano defendeu ainda a aliança com o Centrão e reiterou que, se dependesse dele, o partido não teria feito parte do governo do presidente Michel Temer (MDB).

No programa, Alckmin reiterou a promessa de criar uma agência nacional de inteligência para unificar e para federalizar o combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas e armas, e também de criar uma guarda nacional. "Vou pegar as 150 cidades mais perigosas, com os maiores indicadores de assassinatos e criminalidade, e vou fazer uma força-tarefa para, no ano que vem, atuar nessas cidades", disse o ex-governador de São Paulo.

Alckmin também voltou a dizer que, caso eleito, encaminhará as reformas política, da Previdência, tributária e do Estado nos primeiros seis meses e avaliou que o governo do presidente Michel Temer não conseguiu aprovar as reformas porque não tinha legitimidade do voto.

Autocrítica


Questionado se, dado o número de correligionários acusados de envolvimento em esquemas de corrupção, era possível realizar uma autocrítica, Alckmin desconversou, dizendo que todos precisam responder à Justiça. Ele reclamou ainda do que seria uma tendência a jogar os políticos todos na mesma "vala comum". "Moro no mesmo apartamento há 30 anos, abri mão de aposentadoria de deputado estadual e federal, a única coisa que herdei do meu pai foi a vida modesta", se defendeu.

O tucano disse, por outro lado, ter gostado da entrevista do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) ao Estado, concedida na semana passada, em que este disse, entre outras coisas, ter sido um erro contestar a vitória de Dilma Rousseff em 2014, ter votado contra medidas econômicas positivas apenas porque eram oposição à época e ter feito parte do governo de Temer.

Alckmin lembrou que foi um dos caciques do partido que sempre se colocou contra o ingresso no governo Temer, mas rechaçou ter votado contra medidas econômicas importantes. "O PT é um partido sem limite, não tem como querer colocar a responsabilidade do desastre sobre o PSDB", defendeu.

O ex-governador de São Paulo ainda defendeu a aliança com os partidos do Centrão e disse se sentir preparado para o desafio do próximo governo. "Fico preocupado de ver o Brasil ir para os extremos. Ninguém está convidando ninguém para um banquete. Quem ganhar a eleição, é subir a rampa em dia de chuva com lata na cabeça, não vai ser fácil", avaliou.

 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade