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Correio Braziliense

Candidatos vão atrás dos votos de mulheres e pessoas de baixa renda

Nesses grupos estão os maiores índices daqueles que estão em dúvidas ou dizem que votarão em branco ou nulo


postado em 21/09/2018 06:00

O sprint final atrás de votos de indecisos e dos eleitores de adversários começou. A ação das campanhas, a partir dos dados analisados pelo Correio nas pesquisas disponíveis, será entre os eleitores de baixa renda e escolaridade e nas mulheres, onde estão os maiores índices daqueles que estão em dúvidas ou dizem que votarão em branco ou nulo. No caso dos votos não consolidados, o plano posto em prática leva em conta a rejeição aos rivais. O que, na prática, se resume ao voto útil: a tentativa de desmobilizar apoiadores de políticos em baixa nos levantamentos em nome de alguém que brigue com mais chances contra o mais indesejado do páreo.


O tempo é curto e as estratégias da campanha precisarão ser cirúrgicas para absorver os votos brancos e de indecisos, alerta o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, coordenador do Centro Brasileiro de Estudos e Pesquisas sobre a Democracia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Embora o público feminino seja um dos alvos, não é no primeiro turno que presidenciáveis como Jair Bolsonaro (PSL), por exemplo, conseguirão convencer boa parte das mulheres a escolhê-lo, sustenta o especialista. “Será preciso potencializar o público cativo e focar naquele eleitor que tem mais chances de votar na campanha”, ponderou.

Os eleitores mais pobres e de menor escolaridade, do sexo feminino e das regiões Norte e Nordeste são alvo de Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Fernando Haddad (PT), pelo simples motivo de que boa parte deles ainda não se decidiu, em relação à média nacional. Mas esse é um campo difícil de competir em iguais condições com o postulante petista. “A campanha tucana (Geraldo Alckmin), por exemplo, não vai mirar o Nordeste. Precisa ir atrás de onde possa obter votos, como o Sudeste”, avaliou Monteiro. As regiões Norte e Nordeste, onde esse público menos abastado é predominante, passa a ser um ponto de referência para as candidaturas balizarem as estratégias.

 

 


Somente no Norte e no Nordeste, a intenção de votos de indecisos e propensos a votar nulo ou branco caiu abaixo da margem de erro, de 2 pontos para mais ou menos, segundo a última pesquisa DataFolha, divulgada ontem. O principal favorecido desse movimento é Haddad. No Nordeste, o desempenho dele foi de 20% para 26%. No Norte, no entanto, Bolsonaro e Ciro crescem além do petista.

Os jovens despontam nos perfis de maior resiliência à definição. Nos últimos 15 dias, as pesquisas apontam que jovens entre 16 a 34 anos são os que mostram mais resistência em optar por um nome. Sobretudo na faixa entre 25 a 34 anos, que oscila na margem, segundo o DataFolha. O foco nesse público jovem favorece, sobretudo, Bolsonaro, analisa Monteiro.

“Tradicionalmente, é um perfil menos interessado na política. Não é uma característica conjuntural, mas estrutural”, avaliou. Para o professor da Uerj, Bolsonaro é favorecido justamente pela baixa idade desses eleitores, uma vez que não vivenciaram os anos do regime militar. “As campanhas devem mirar o extrato político onde têm mais probabilidade de buscar votos e ajustar os discursos”, destacou.

A modelagem dos discursos para conquistar os indecisos varia de acordo com o público. Diante do alto nível de desemprego e incertezas para o futuro, a aposta pode ser feita em torno de educação e empregabilidade, analisa o professor. “Saúde é um tema que pode ser explorado e render votos entre as mulheres. Para homens, o ajuste pode ser feito em torno da segurança pública”, avaliou.

Tudo ou nada

A busca pelos indecisos não impedirá outra tônica: a de desidratar os candidatos rivais deve ser outra tônica, avalia o sociólogo e cientista político Paulo Baía, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Para ele, Ciro e Alckmin tentarão ir para o “tudo ou nada” e buscarão os votos que podem ir para Haddad e Bolsonaro. Diante da polarização entre o petista e o militar reformado do Exército, a aposta em ataques a eles pode gerar um efeito reverso. Alckmin, por exemplo, tem dito que o crescimento de Bolsonaro fará o PT voltar ao poder, em clara intenção de obter votos. O efeito disso, no entanto, tem levado votos ao presidenciável do PSL.

“O que veremos nas próximas semanas é um movimento mais contundente de cativar votos de quem está fora do páreo”, avaliou Baía. Para o professor da UFRJ, o petista e o candidato do PSL são indissociáveis: à medida que um sobe nas pesquisas, o outro também. Nesse contexto, Baía acredita que a direita liderada por Bolsonaro pode puxar votos dos tucanos, de João Amoêdo (Novo), Henrique Meirelles (MDB) e Alvaro Dias (Podemos). E a esquerda pode abocanhar votos do pedetista e de Marina.

"Saúde é um tema que pode ser explorado e render votos entre as mulheres. Para homens, o ajuste pode ser feito em torno da segurança pública”
Geraldo Tadeu Monteiro, professor da Uerj

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