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Correio Braziliense

Carta de FHC e discursos de Alckmin mostram que os tucanos vão ao ataque

Carta do ex-presidente alerta para situação dramática do país e critica "soluções extremas". No horário eleitoral, Alckmin relaciona o PT e Bolsonaro ao risco de o Brasil se tornar uma nova Venezuela


postado em 21/09/2018 06:00

FHC: Brasil precisa de liderança que
FHC: Brasil precisa de liderança que "tenha experiência e capacidade política para pacificar e governar o país" (foto: Alex Korolkovas/Divulgação)

O corpo a corpo e as entrevistas de Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à Presidência da República, cada vez mais explicitam o esforço de articular uma união entre os postulantes do centro para evitar um segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Ontem, o discurso do tucano contra os líderes das últimas pesquisas ganhou o reforço do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra do partido. Ele divulgou uma carta aberta na qual afirma que a situação do país é “dramática”, mas que “ainda há tempo para deter a marcha da insensatez”.

Em seu programa político de ontem, Alckmin bateu forte no PT e no candidato do PSL, relacionando os dois à Venezuela e  a Hugo Chávez, ex-presidente daquele país. Lembrou que Lula e Bolsonaro já elogiaram o ditador e afirmou que “o risco de o Brasil se tornar uma Venezuela é real”. Na propaganda, a apresentadora ataca: “É muito triste ver o que um voto errado pode fazer com um país. Mais triste ainda é saber que, aqui no Brasil, o homem que deu início à destruição daquele país, Hugo Chávez, tem dois fãs bastante conhecidos”.

Em sua carta, FHC deixou claro o posicionamento contra a disputa entre o deputado federal e Haddad. Sem mencionar explicitamente o nome de nenhum candidato, o ex-presidente criticou “as visões radicais” e as “soluções extremas” apresentadas pelas campanhas do capitão reformado do Exército e do afilhado político de Lula. E defendeu apoio único a quem tem “melhores condições de êxito eleitoral” entre os candidatos de centro para não levar o país ao “aprofundamento da crise econômica, social e política”.

“Sem que haja escolha de uma liderança serena que saiba ouvir, que seja honesto, que tenha experiência e capacidade política para pacificar e governar o país; sem que a sociedade civil volte a atuar como tal e não como massa de manobra de partidos; sem que os candidatos que não apostam em soluções extremas se reúnam e decidam apoiar quem melhores condições de êxito eleitoral tiver, a crise tenderá certamente a se agravar. Os maiores interessados nesse encontro e nessa convergência devem ser os próprios candidatos que não se aliam às visões radicais que opõem ‘eles’ contra ‘nós’”, escreveu FHC.

Articulação

O presidente de honra do PSDB foi procurado por líderes do partido para articular a retomada do movimento Polo Democrático e atrair candidatos de centro ao palanque de Alckmin. A movimentação ocorreu logo após as mais recentes pesquisas mostrarem que o candidato do PT subiu muito e apontou a possibilidade de um segundo turno com Bolsonaro.

Na carta, FHC afirmou que foi a “coesão política” no governo Itamar Franco (1992-1994), de quem foi ministro da Fazenda, que permitiu o país sair da crise política pós-impeachment e conter a inflação, e ressalta que a “fragmentação política e social é ainda maior” hoje. “Ante a dramaticidade do quadro atual, ou se busca a coesão política, com coragem para falar o que já se sabe e a sensatez para juntar os mais capazes para evitar que o barco naufrague, ou o remendo eleitoral da escolha de um salvador da Pátria ou de um demagogo, mesmo que bem-intencionado, nos levará ao aprofundamento da crise econômica, social e política”.

O ex-presidente da República faz um mea-culpa dos partidos políticos na crise. “É neste quadro preocupante que se vê a radicalização dos sentimentos políticos. A gravidade de uma facada com intenções assassinas haver ferido o candidato que está à frente nas pesquisas eleitorais deveria servir como um grito de alerta: basta de pregar o ódio, tantas vezes estimulado pela própria vítima do atentado. O fato de ser este o candidato à frente das pesquisas e ter ele como principal opositor quem representa um líder preso por acusações de corrupção mostra o ponto a que chegamos”, disse FHC.

"Os maiores interessados nessa convergência devem ser os próprios candidatos que não se aliam às visões radicais que opõem ‘eles’ contra ‘nós’” 
FHC, ex-presidente da República

 

 

Vitória no TSE 

Por unanimidade, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou ontem um pedido formulado pelo candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, para suspender a veiculação no YouTube de uma peça publicitária da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) que associa a imagem de Bolsonaro a emojis de vômito. A defesa de Bolsonaro e de sua coligação alegava que o vídeo viola o Código Eleitoral, já que atentaria contra a imagem do deputado federal e criaria artificialmente estados mentais, emocionais ou passionais no eleitor.

Em 2 de setembro, o relator do caso, ministro Carlos Horbach, tinha negado, em decisão monocrática (individual), o pedido de Bolsonaro, sob a alegação de que a peça publicitária “nada mais é do que uma crítica forte e ácida, expressa não em palavras, mas por meio de sinais gráficos, típicos da linguagem digital amplamente empregada por grande parcela do eleitorado”.

Durante a sessão de ontem, o relator afirmou que o recurso das faces estilizadas vomitando é “extremamente banal e não se enquadra nas vedações da Lei das Eleições”. O ministro Alexandre de Moraes concordou. “Eleição sem criação de estados emocionais nem os cardeais conseguem isso para eleger o papa”, avaliou.

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