Politica

Bolsonaro recebe apoio de Robson Rodovalho, criador da Sara Nossa Terra

Presidente da Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil, bispo deve influenciar outras igrejas evangélicas a fazer o mesmo

Bernardo Bittar
postado em 24/09/2018 06:05
 (foto: Facebook/Reprodução)
(foto: Facebook/Reprodução)
Rodovalho: 'Queremos compromisso com as nossas bandeiras'
Única candidata evangélica na disputa ao Planalto, Marina Silva (Rede) não terá apoio das igrejas nesta eleição. Os evangélicos, que representam cifras milionárias e apoio massivo nas urnas, estão entre Jair Bolsonaro (PSL) e Geraldo Alckmin (PSDB). O capitão do Exército, também evangélico, saiu na frente após conquistar um importante cabo eleitoral: o bispo Robson Rodovalho, criador da Sara Nossa Terra (leia entrevista abaixo). Com poder de influenciar aproximadamente 1,5 milhão de votos, o bispo tem se mostrado favorável às alianças com o deputado em almoços e reuniões com grupos religiosos. O acordo está tão solidificado que, na próxima semana, o líder da Sara vai compartilhar vídeos pedindo votos para o PSL nas redes sociais.

Representantes da Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil (Concepab), presidida por Rodovalho, dizem que a população evangélica corresponde a 40% dos eleitores brasileiros ; 58,8 milhões de pessoas. O último número oficial é de 2010, retirado do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que registra 42,2 milhões de evangélicos no país. ;Temos mais de dois mil pastores apenas no Distrito Federal. Mais de quatro mil em São Paulo. Somos uma força importante nas eleições;, diz o secretário-nacional da Concepab, pastor Valdery Alves.

A Confederação de pastores congrega as principais agremiações neopentecostais do Brasil, e é vista como uma das mais prestigiadas instituições evangélicas que existem. ;A tendência é de que a gente siga o bispo. Mas ainda não dá para bater o martelo. Cada cidade, cada município tem um conselho de pastores. Eles precisam estar de acordo com essa iniciativa;, complementa o pastor Valdery. Não é permitido falar de política no púlpito das igrejas. Por isso, essa articulação em favor de Bolsonaro tem de ser feita mais discretamente, em encontros da igreja e reuniões religiosas. Muitos consideram, até mesmo, a ideia de publicar vídeos do bispo Rodovalho apoiando o capitão nas redes sociais ;uma manobra arriscada;.

O que pode ser um divisor de águas também pode começar uma guerra ideológica na igreja, ainda dividida entre Alckmin e Bolsonaro. O tucano desponta entre os eleitores mais moderados, explicam parlamentares da bancada evangélica. ;O discurso do Bolsonaro é muito agressivo, muito cheio de radicalismos. Nessa hora, ele perde a razão contra o Alckmin. A grande questão é a seguinte: se Jair Bolsonaro for para o segundo turno com Fernando Haddad (PT), o que é uma possibilidade, aí sim, todos nós devemos ir às urnas em favor dele;, conta um aliado de Rodovalho no Congresso.

Disputa

Pesquisa da XP Investimentos divulgada ontem mostra que foi entre esse público que o capitão reformado cresceu mais na última semana no Sudeste, a região mais populosa do país, de 26% para 39%. Há uma ala de evangélicos contra a mistura de política com religião. O nível de aceitação de Bolsonaro é 17% maior que Haddad nesse meio em outros levantamentos. Enquanto o deputado tem 51% de apoio, o petista tem 34%. Em 2012, quando foi eleito prefeito de São Paulo, Fernando Haddad conseguiu aliar-se à igreja evangélica, especialmente ao bispo Rodovalho. Seis anos depois, o religioso afirma que ;só Bolsonaro é capaz de colocar um freio de arrumação no Brasil;. O bispo cumpriu agenda fechada, ontem, em São Paulo.

Abraçada pelos evangélicos em 2014, hoje Marina Silva só tem 12% das intenções de voto entre os fiéis dessas igrejas. Ela foi a opção de 43% dos eleitores que migraram para Bolsonaro. Questões como aborto e casamento gay esfriaram o desempenho da ex-senadora na corrida eleitoral. ;A falta de posicionamento da candidata, que falou sobre um plebiscito para resolver esses temas, foi considerada uma traição às questões evangélicas;, criticou o deputado Marco Feliciano (Podemos), ainda na pré-campanha.

Três perguntas para

Robson Rodovalho, presidente da Igreja Sara Nossa Terra

Os evangélicos estão divididos entre Alckmin e Bolsonaro?
Já estiveram mais. Mas faltou posicionamento incisivo do Geraldo Alckmin. O Bolsonaro é mais decidido, mais explícito em relação às nossas bandeiras. Com essa história de voto útil, coerência... Queremos compromisso com as nossas bandeiras.

Pesa o fato de o Alckmin ser católico? A Marina é evangélica.
Nesse ponto, não. A Marina se diz evangélica e está extremamente longe do nosso posicionamento. Falta ela falar das reivindicações, tratar de ideologia de gênero, casamento tradicional... Ela não fala da nada. É melhor um católico que tenha convicções alinhadas com os evangélicos.

O senhor apoiou Fernando Haddad em 2012 e Dilma Rousseff em 2010. Não vai mais investir no PT?
Quando Haddad ganhou a eleição para a prefeitura, era um discurso mais tolerante, inclusivo. Mas ele criou o kit gay. Aí, meu caro, não tem como. A performance do PT é essa: faz um compromisso mas, não o executa. O partido atropela e acaba tudo. Vamos de Bolsonaro.

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