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Correio Braziliense

Fora da eleição, ministros de Temer agem por herdeiros sem citar presidente

Blairo Maggi, Alexandre Baldy e Ronaldo Fonseca 'apadrinham' candidatos


postado em 24/09/2018 07:25 / atualizado em 24/09/2018 08:15

Ronaldo Fonseca é deputado licenciado pelo DF. Ele deixou o Podemos ao ganhar a vaga no Planalto em maio. O ministro, porém, apoia um candidato do partido em Brasília, seu suplente na Câmara, Marcos Pacco(foto: Wilson Dias/Agencia Brasil)
Ronaldo Fonseca é deputado licenciado pelo DF. Ele deixou o Podemos ao ganhar a vaga no Planalto em maio. O ministro, porém, apoia um candidato do partido em Brasília, seu suplente na Câmara, Marcos Pacco (foto: Wilson Dias/Agencia Brasil)
 

 

Ministros do governo Michel Temer que abriram mão de disputar a reeleição entraram em campanha para eleger herdeiros políticos em seus Estados. Pelo menos três deles, que têm mandato atualmente e estão licenciados do Congresso, aparecem em peças de propaganda dos candidatos lançados na mesma base eleitoral.

É o caso de Blairo Maggi (Agricultura), Alexandre Baldy (Cidades) e Ronaldo Fonseca (Secretaria-Geral da Presidência). Com índices recordes de impopularidade, o presidente, no entanto, não é citado.

A estratégia de Baldy, que é do PP, para transferir votos ao seu candidato é a mais ostensiva. Deputado federal licenciado, o ministro decidiu lançar como seu substituto na Câmara dos Deputados o seu ex-chefe de gabinete Adriano Antônio Avelar, que adotou o sobrenome do ministro e aparecerá na urna como "Adriano do Baldy". Avelar também foi chefe de gabinete do ex-deputado Sandro Mabel, que foi um dos assessores pessoais de Temer. O PP repassou mais de R$ 1,8 milhão para financiar a campanha de Adriano.

"Trabalho, lealdade e dedicação. É por esse motivo que eu escolhi Adriano do Baldy, a pessoa que pode continuar a exercer o nosso trabalho", diz o ministro em propaganda. No Twitter, ele publicou: "Deixei de disputar a reeleição por acreditar que, no Ministério das Cidades, posso fazer ainda mais pelos goianos e brasileiros. Hoje apresento Adriano do Baldy, meus olhos quando não estou presente, de casa, me ajudou a viabilizar cada recurso encaminhado à minha querida Anápolis."

O candidato usa o apoio do ministro intensamente em suas redes sociais, onde destaca que, com Baldy, poderá destinar mais recursos para sua cidade. Ele, no entanto, não menciona o fato de que o ministro provavelmente não estará mais no cargo no próximo governo.

Senador licenciado pelo PP de Mato Grosso, Blairo Maggi decidiu fazer campanha para um amigo e antigo aliado eleitoral, o deputado Adilton Sachetti, do PRB, que agora tentará ficar com a cadeira do ministro no Senado.

Sachetti se apresenta como "o senador do Blairo Maggi". Numa propaganda, Blairo menciona ser ministro e afirma: "Este ano nós vamos eleger dois senadores. Um eu gostaria que fosse o Adilton Sachetti". Familiares do ministro apoiam Carlos Fávaro, do PSD. Apesar de não estar envolvido diretamente com a campanha, Blairo já publicou vídeos em suas redes sociais ao lado do colega - em um deles, os dois aparecem andando de bicicleta por Cuiabá (MT). Blairo decidiu, no entanto, não fazer contribuições financeiras para as campanhas.

O titular da Secretaria-Geral da Presidência da República, Ronaldo Fonseca, é deputado licenciado pelo Distrito Federal. Ligado à Assembleia de Deus, ele deixou o Podemos ao ganhar a vaga no Planalto em maio. O ministro, porém, apoia um candidato do partido em Brasília, seu suplente na Câmara, Marcos Pacco, e fez aparições no horário eleitoral. "Eu não sou candidato nesta eleição, mas estou apresentando o professor Pacco para deputado federal. Evangélico, homem de Deus, vai ocupar a minha cadeira lá na Câmara. É do segmento. Defensor da família. Vamos junto nessa!", convoca o ministro na propaganda oficial.

Ao contrário de Maggi, que foi uma escolha de Temer desde o início do governo, Baldy e Fonseca ganharam vaga nas últimas reformas ministeriais. O Palácio do Planalto condicionou a entrada de parlamentares no primeiro escalão do governo a que eles abrissem mão de tentar a reeleição e permanecessem até o fim do mandato de Temer, que termina em dezembro.

Fora de campanha


A reportagem conversou com outros ministros que possuem mandato ou estão no governo desde que Temer assumiu, após o impeachment de Dilma Rousseff, e que não têm participado de atos de campanha voltados especificamente para um candidato.

"Estou fazendo campanha para (Geraldo) Alckmin, (João) Doria, Mara (Gabrilli) e (Ricardo) Trípoli (candidatos tucanos ao Senado em São Paulo). (Para deputado) Federal e estadual, procuro ajudar todos do PSD, vou votar na legenda", disse Gilberto Kassab, ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e presidente do PSD.

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, de Mato Grosso do Sul, afirmou ao Estado que, para deputado estadual e federal votará na legenda, o MDB, porque "tem grandes amigos concorrendo".

O nome de Raul Jungmann (Segurança Pública) é ligado ao candidato do PRTB Evandro Alencar, em Pernambuco. Ele, porém, não tem atuado na linha de frente da campanha.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou não estar participando diretamente da campanha emedebista no Rio Grande do Sul. "Apoio as eleições dos candidatos do MDB". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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