Politica

Temer critica EUA e Venezuela em abertura da Assembleia Geral da ONU

O presidente não citou Trump, mas a rejeição ao isolacionismo e unilateralismo deixou um tom crítico ao governo norte-americano, principal expoente de tais práticas no mundo

Rodolfo Costa
postado em 25/09/2018 11:00

Temer fala na Assembleia Geral da ONU

Com críticas veladas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, o presidente Michel Temer abriu a 73; Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O emedebista declarou que o mundo não se deve intimidar pelo isolacionismo, unilateralismo e intolerância no mundo. Defendeu que, a cada uma dessas tendências, é preciso responder com o que os povos ;têm de melhor;.

[SAIBAMAIS]O presidente não citou Trump, mas a rejeição ao isolacionismo e unilateralismo deixou um tom crítico ao governo norte-americano, principal expoente de tais práticas no mundo. Em março, os EUA sobretaxaram o aço e alumínio importado do Brasil. Em agosto, flexibilizaram a tarifa sobre a commoditie comprada do governo brasileiro em decorrência de escassez da matéria-prima no país.

Contra o isolacionismo, Temer destacou que o desenvolvimento comum depende de mais fluxos internacionais de comércio e investimentos. Frisou que é na abertura aos outros países que as nações podem construir uma prosperidade efetivamente compartilhada. ;Assim tem atuado o Brasil. Levamos adiante uma política externa universalista;, destacou.

No Mercosul, o emedebista disse que tem reafirmado a vocação democrática do bloco, derrubando barreiras comerciais e assinamos novos acordos. ;Impulsionamos a aproximação com os países da Aliança e do Pacífico, buscando uma América Latina cada vez mais unida. Por meio dessas e de outras iniciativas, seguimos estreitando nosso relacionamento com o conjunto das Américas, com a Europa, com a Ásia, com a África;, declarou.

As críticas veladas ao governo norte-americano continuaram quando Temer destacou o que o Brasil tem feito para combater o multilateralismo. ;A ele (o desafio), respondemos com mais diplomacia. E o fazemos imbuídos da convicção de que problemas coletivos demandam respostas coletivamente articuladas;, disse. Ele lembrou que o Brasil foi o primeiro país a assinar o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares. Já em maio deste ano Trump anunciou a retirada dos EUA do acordo nuclear com o Irã.

A superação do que Temer chama de desafio da intolerância é uma reprovação ao governo venezuelano. As medidas adotadas ao longo da gestão de Maduro aprofundaram a crise migratória e humanitária. O presidente destacou que, na América Latina, o Brasil tem trabalhado pela preservação da democracia e dos direitos humanos. ;Estima-se em mais de um milhão os venezuelanos que já deixaram seu país em busca de condições dignas de vida. O Brasil tem recebido todos os que chegam a nosso território. São dezenas de milhares de venezuelanos a quem procuramos dar toda a assistência;, afirmou.

Com a colaboração do Alto Comissariado para Refugiados, o emedebista disse que o Brasil construiu abrigos para amparar os imigrantes ;da melhor maneira;. ;Temos promovido sua interiorização para outras regiões do Brasil. Emitimos documentos que os habilitam a trabalhar no país. Oferecemos escola para as crianças, vacinação e serviços de saúde para todos. Mas sabemos que a solução para a crise apenas virá quando a Venezuela reencontrar o caminho do desenvolvimento.;

Ao destacar as políticas voltadas para imigrantes, Temer alfinetou nações que resistem ao acolhimento ou impõem duras penas, como os Estados Unidos. Em junho deste ano, o governo norte-americano isolou 49 crianças brasileiras dos pais por imigração ilegal. ;No Brasil, temos orgulho de nossa tradição de acolhimento. Somos um povo forjado na diversidade. Há um pedaço do mundo em cada brasileiro. Fiéis a esta tradição, instituímos, no ano passado, nova Lei de Migração, uma legislação moderna, que não apenas protege a dignidade do imigrante, mas reconhece os benefícios da imigração;, realçou.

Populismo


As críticas veladas também se estenderam à política econômica adotada pela ex-presidente Dilma Rousseff. ;Dissemos não ao populismo e vencemos a pior recessão de nossa história. Recessão com severas consequências para a sociedade, sobretudo para os mais pobres;, disse. O emedebista declarou que, sob sua gestão, recolocou as contas públicas em ;trajetória responsável; e restaurou a credibilidade da economia. ;Voltamos a crescer e a gerar empregos. Programas sociais antes ameaçados pelo descontrole dos gastos puderam ser salvos e ampliados. Devolvemos o Brasil ao trilho do desenvolvimento;, ponderou.
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O presidente ressaltou que, em duas semanas, os brasileiros irão às urnas escolher as lideranças políticas que ;dirigirão; o Brasil a partir de 2019. E afirmou que transmitirá ao sucessor as funções presidenciais com a ;tranquilidade de dever cumprido;. ;Hoje, no Brasil, podemos olhar para trás e verificar o quanto fizemos em pouco tempo de governo. O país que entregarei a quem o povo brasileiro venha a eleger é melhor do que aquele que recebi. Muito ainda resta por fazer, mas voltamos a ter rumo. Agora, é ir adiante. O próximo governo e o próximo Congresso Nacional encontrarão bases consistentes sobre as quais poderão seguir construindo um Brasil mais próspero e mais justo;, avaliou.

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