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Correio Braziliense

Temer critica EUA e Venezuela em abertura da Assembleia Geral da ONU

O presidente não citou Trump, mas a rejeição ao isolacionismo e unilateralismo deixou um tom crítico ao governo norte-americano, principal expoente de tais práticas no mundo


postado em 25/09/2018 11:00 / atualizado em 25/09/2018 11:43

Temer fala na Assembleia Geral da ONU(foto: Timothy A. Clary/AFP )
Temer fala na Assembleia Geral da ONU (foto: Timothy A. Clary/AFP )

 

Com críticas veladas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, o presidente Michel Temer abriu a 73ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O emedebista declarou que o mundo não se deve intimidar pelo isolacionismo, unilateralismo e intolerância no mundo. Defendeu que, a cada uma dessas tendências, é preciso responder com o que os povos “têm de melhor”. 

O presidente não citou Trump, mas a rejeição ao isolacionismo e unilateralismo deixou um tom crítico ao governo norte-americano, principal expoente de tais práticas no mundo. Em março, os EUA sobretaxaram o aço e alumínio importado do Brasil. Em agosto, flexibilizaram a tarifa sobre a commoditie comprada do governo brasileiro em decorrência de escassez da matéria-prima no país. 

Contra o isolacionismo, Temer destacou que o desenvolvimento comum depende de mais fluxos internacionais de comércio e investimentos. Frisou que é na abertura aos outros países que as nações podem construir uma prosperidade efetivamente compartilhada. “Assim tem atuado o Brasil. Levamos adiante uma política externa universalista”, destacou. 

No Mercosul, o emedebista disse que tem reafirmado a vocação democrática do bloco, derrubando barreiras comerciais e assinamos novos acordos. “Impulsionamos a aproximação com os países da Aliança e do Pacífico, buscando uma América Latina cada vez mais unida. Por meio dessas e de outras iniciativas, seguimos estreitando nosso relacionamento com o conjunto das Américas, com a Europa, com a Ásia, com a África”, declarou. 

As críticas veladas ao governo norte-americano continuaram quando Temer destacou o que o Brasil tem feito para combater o multilateralismo. “A ele (o desafio), respondemos com mais diplomacia. E o fazemos imbuídos da convicção de que problemas coletivos demandam respostas coletivamente articuladas”, disse. Ele lembrou que o Brasil foi o primeiro país a assinar o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares. Já em maio deste ano Trump anunciou a retirada dos EUA do acordo nuclear com o Irã. 

A superação do que Temer chama de desafio da intolerância é uma reprovação ao governo venezuelano. As medidas adotadas ao longo da gestão de Maduro aprofundaram a crise migratória e humanitária. O presidente destacou que, na América Latina, o Brasil tem trabalhado pela preservação da democracia e dos direitos humanos. “Estima-se em mais de um milhão os venezuelanos que já deixaram seu país em busca de condições dignas de vida. O Brasil tem recebido todos os que chegam a nosso território. São dezenas de milhares de venezuelanos a quem procuramos dar toda a assistência”, afirmou. 

Com a colaboração do Alto Comissariado para Refugiados, o emedebista disse que o Brasil construiu abrigos para amparar os imigrantes “da melhor maneira”. “Temos promovido sua interiorização para outras regiões do Brasil. Emitimos documentos que os habilitam a trabalhar no país. Oferecemos escola para as crianças, vacinação e serviços de saúde para todos. Mas sabemos que a solução para a crise apenas virá quando a Venezuela reencontrar o caminho do desenvolvimento.”

Ao destacar as políticas voltadas para imigrantes, Temer alfinetou nações que resistem ao acolhimento ou impõem duras penas, como os Estados Unidos. Em junho deste ano, o governo norte-americano isolou 49 crianças brasileiras dos pais por imigração ilegal. “No Brasil, temos orgulho de nossa tradição de acolhimento. Somos um povo forjado na diversidade. Há um pedaço do mundo em cada brasileiro. Fiéis a esta tradição, instituímos, no ano passado, nova Lei de Migração, uma legislação moderna, que não apenas protege a dignidade do imigrante, mas reconhece os benefícios da imigração”, realçou. 

Populismo


As críticas veladas também se estenderam à política econômica adotada pela ex-presidente Dilma Rousseff. “Dissemos não ao populismo e vencemos a pior recessão de nossa história. Recessão com severas consequências para a sociedade, sobretudo para os mais pobres”, disse. O emedebista declarou que, sob sua gestão, recolocou as contas públicas em “trajetória responsável” e restaurou a credibilidade da economia. “Voltamos a crescer e a gerar empregos. Programas sociais antes ameaçados pelo descontrole dos gastos puderam ser salvos e ampliados. Devolvemos o Brasil ao trilho do desenvolvimento”, ponderou. 
 
 

O presidente ressaltou que, em duas semanas, os brasileiros irão às urnas escolher as lideranças políticas que “dirigirão” o Brasil a partir de 2019. E afirmou que transmitirá ao sucessor as funções presidenciais com a “tranquilidade de dever cumprido”. “Hoje, no Brasil, podemos olhar para trás e verificar o quanto fizemos em pouco tempo de governo. O país que entregarei a quem o povo brasileiro venha a eleger é melhor do que aquele que recebi. Muito ainda resta por fazer, mas voltamos a ter rumo. Agora, é ir adiante. O próximo governo e o próximo Congresso Nacional encontrarão bases consistentes sobre as quais poderão seguir construindo um Brasil mais próspero e mais justo”, avaliou. 

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