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Correio Braziliense

Movimento tenta aliança capaz de levar ao 2º turno candidatura de centro

Movimento Não aos Extremos costurar acordes para apresentar ao eleitorado uma alternativa aos atuais líderes nas pesquisas de opinião


postado em 26/09/2018 06:00 / atualizado em 26/09/2018 00:17

Espremidos entre Bolsonaro e o PT, centristas procuram caminho para subir a rampa do Planalto(foto: Evaristo Sá/AFP)
Espremidos entre Bolsonaro e o PT, centristas procuram caminho para subir a rampa do Planalto (foto: Evaristo Sá/AFP)

Em meio a uma disputa polarizada, os presidenciáveis de centro desidratam a cada pesquisa de intenções de voto. Enquanto algumas alas buscam alternativas, nada indica, hoje, que o segundo turno terá algum deles. Especialistas apontam que, a essa altura, os eleitores de centro podem abrir mão dos candidatos pelo voto útil. Com isso, ganham força Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), que lideram as sondagens.

Preocupados com o cenário, representantes dos presidenciáveis do centrão cogitaram se reunir para definir uma estratégia que possa levar algum deles para a segunda fase do pleito. Uma das opções seria escolher um só nome, com apoio dos demais. Entre os convidados peloMovimento Não aos Extremos estavam Alvaro Dias (Podemos), João Amoêdo (NOVO), Marina Silva (Rede), Henrique Meirelles (MDB) e Geraldo Alckmin (PSDB). Marcado para ontem, o encontro não ocorreu. O único que chegou a confirmar presença foi Alvaro, segundo um membro da campanha. Marina, que não tinha dado certeza, recusou depois que soube que Alckmin participaria.

A candidata é a que mais tem sofrido. Passou de segunda mais apoiada, em agosto, com 12%, para a quinta posição, na pesquisa mais recente do Ibope, com 5% das intenções de voto. Se mantiver o patamar, terá 7,3 milhões de votos, pouco mais de um terço dos 21 milhões que conquistou em 2014, quando ficou em terceiro lugar.

“Marina partiu de um patamar muito alto, devido ao recall das outras eleições. Como é a terceira vez consecutiva que é candidata, subiu cedo e muito rápido, mas não conseguiu manter. A queda também foi muito rápida e forte”, analisou o cientista político Sérgio Praça, da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Ela não mostrou, em 12 anos, que consegue agregar outras forças políticas”, completou.

Na visão do deputado distrital Chico Leite (Rede), que concorre ao Senado, o peso da polarização é muito grande. “A rejeição tem pautado as eleições presidenciais. Quem é contra Bolsonaro vota no PT. Quem é contra o PT vota em Bolsonaro. E os outros ficam no meio. Tanto que outros candidatos também têm caído”, observa. Com perdas até entre o eleitorado mais fiel, os evangélicos (de 15% para 7% em um mês), outros correligionários admitem que ela não avançará para o segundo turno.

Isso porque, além da eleição polarizada, que estimula o “voto útil” e prejudica os nomes mais ao centro, a ex-ministra enfrenta outros obstáculos. Um deles é a dificuldade de chegar aos eleitores de baixa renda, por ter pouco tempo de televisão e rádio. Embora Marina tenha, proporcionalmente, mais votos entre esses eleitores (7% entre quem ganha até um salário mínimo, segundo o Ibope), o potencial é maior, acreditam especialistas.

Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB) buscam novas estratégias. O pedetista mantém 11% — mesmo percentual do levantamento anterior do Ibope —, enquanto o tucano passou de 7% para 8% das intenções de voto. Segundo o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, coordenador do Centro Brasileiro de Estudos e Pesquisas sobre a Democracia, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o fato de os presidenciáveis de centro não conseguirem avançar na disputa pelo Planalto é resultado da polarização que teve início em 2014.

Para o especialista, à época, o PSDB usou a estratégia de desqualificar a política baseado em episódios de corrupção do PT. No entanto, a narrativa abriu caminho para manifestações nas ruas, sustentadas pela revolta dos brasileiros com a máquina pública. “O PSDB só não imaginava que, com isso, desidrataria, pois também se envolveu em esquemas de corrupção. Esses movimentos deram força a Bolsonaro.”

O crescimento de Haddad, para Geraldo, não afetou o eleitor que votaria em Ciro. Enquanto o petista avançou, o ex-governador do Ceará não ganhou nem perdeu votos. Mas precisa ganhar espaço entre eleitores de centro. “O Ciro tem limitações para encarnar o antipetismo. Ele não critica o Lula, critica o PT. Ou seja, é difícil um eleitor radicalmente antipetista migrar rapidamente para o Ciro”, destacou.

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