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Correio Braziliense

Pouco tempo de tevê e falta de estrutura derrubam Marina nas pesquisas

Falta de estrutura, pouco tempo de tevê e polarização Bolsonaro-Haddad são apontados como fatores para queda acentuada da ex-senadora no DF


postado em 27/09/2018 06:00 / atualizado em 27/09/2018 00:22

Marina aparece em quinto lugar no DF, segundo pesquisa do Instituto Opinião Política, encomendada pelo Correio (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
Marina aparece em quinto lugar no DF, segundo pesquisa do Instituto Opinião Política, encomendada pelo Correio (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )


Há oito anos, a ex-senadora Marina Silva exibia os melhores números entre os eleitores do Distrito Federal. Mesmo fora do segundo turno daquela eleição, ela conquistou mais de 600 mil votos em Brasília e nas regiões administrativas, o que a deixou em primeiro lugar por aqui, com 42% dos votos — pelo menos 10 pontos percentuais a mais do que a petista Dilma Rousseff e quase 18 pontos à frente do tucano José Serra. A força da ex-ministra do Meio Ambiente foi considerada tão extraordinária que, em 2014, ela foi cortejada por candidatos ao GDF, ao Congresso e à Câmara Legislativa. E, praticamente, repetiu a performance de quatro anos antes, apesar de apresentar uma ligeira queda. Ainda assim, teve mais de meio milhão de apoios.

A fragmentação política entre os candidatos Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) nesta eleição, entretanto, deixaram Marina no pior momento das três eleições, não apenas no cenário nacional, mas também no Distrito Federal. “A eleição atingiu a clássica polarização, aquela em que os eleitores se movimentam em busca do candidato capaz de derrotar quem ele não quer, de maneira nenhuma, como presidente”, diz Carlos André Machado, diretor do Instituto Opinião Política. “Marina se perdeu nessa fragmentação política entre Bolsonaro e Haddad. O eleitor está mais distante do voto emocional e se aproxima do apoio calculado”, afirma Machado, para completar: “Marina, a partir de alguns aspectos, como a falta de estrutura partidária, não conseguiu assumir uma postura mais agressiva, acabou sem se posicionar nesse jogo”.

Pesquisa realizada pelo Instituto Opinião Política, encomendada pelo Correio Braziliense e divulgada ontem, revelou que Marina vem perdendo fôlego desde 15 de agosto, quando aparecia com 11,7% das intenções de voto. Menos de um mês depois, a ex-senadora registrou 1,2 pontos percentuais a menos, dentro da margem de erro da pesquisa. No mais recente levantamento, porém, despencou para 5,8% e está em quinto lugar na disputa, atrás do tucano Geraldo Alckmin (6,8%), de Haddad (12,9%), do pedetista Ciro Gomes (13,3%) e de Bolsonaro (38,4%). O capitão reformado assume, assim, um papel que era de Marina nas eleições de 2010 e 2014, pelo menos na força eleitoral no DF. Entre os cinco primeiros, quem perde mais votos entre os estimulados — quando se apresentam ao eleitor os candidatos — é Marina, chegando a 3% das intenções, o que mostra a dificuldade de ela em manter o recall das disputas anteriores.

Se a votação fosse hoje, e a partir da conta total dos eleitores do DF, Marina sairia das urnas daqui com menos de 120 mil apoios, um quarto de votos a menos, se comparado com as eleições de 2010. “Marina enfrenta o que chamamos de tempestade perfeita, em que uma série de fatores combinados leva um barco a pique. Nesse caso, tem a falta de estrutura e o pouco tempo de televisão, mas, aqui no Distrito Federal, a partir dos números que ela já exibiu no passado, a derrota pode ser simbólica por causa da polarização entre Haddad e Bolsonaro”, afirma um aliado da ex-senadora, ao falar, de maneira pragmática, sobre a campanha da presidenciável da Rede.


"Marina, a partir de alguns aspectos, como a falta de estrutura partidária, não conseguiu assumir uma postura mais agressiva, acabou sem se posicionar nesse jogo”

Carlos André Machado, diretor do Instituto Opinião Política

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