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Correio Braziliense

Com base nas pesquisas, chapas discutem alianças para o segundo turno

De olho em eventual presença no segundo turno, Bolsonaro e Haddad estudam formas de convencimento para ganhar apoio de adversários


postado em 28/09/2018 06:00

Bolsonaro e Haddad: luta para rivais aderirem a seus projetos de governo(foto: Miguel Schincariol e Nelson Almeida/AFP)
Bolsonaro e Haddad: luta para rivais aderirem a seus projetos de governo (foto: Miguel Schincariol e Nelson Almeida/AFP)

O segundo turno da corrida eleitoral promete um processo de conciliações para o fortalecimento das duas candidaturas que chegarem à reta final. A nove dias das eleições do primeiro turno, as equipes de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) já olham do retrovisor os adversários e estudam como convencer os ainda rivais a embarcarem em seus respectivos projetos de governo.

Com 27% e 21% das intenções de voto — segundo a última pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem —, Bolsonaro e Haddad, respectivamente, estão com um pé no segundo turno, conforme avaliam especialistas. O momento, no entanto, é de garantir a manutenção dos votos conquistados e deixar para intensificar diálogos a partir de 8 de outubro, garantem interlocutores de ambas as campanhas, mas conversas já existem.

Os diálogos entre o governo do presidente Michel Temer e integrantes da campanha de Bolsonaro estão intensos e com frequência nos últimos dias. O vice do capitão reformado do Exército, general Hamilton Mourão, e o assessor econômico Paulo Guedes mantêm conversas com o secretário especial de Assuntos Estratégicos, Hussein Kalout. Articuladores da campanha também falam com interlocutores do Partido Novo. Embora o presidenciável da legenda, João Amoêdo, negue a informação, a costura ganhou um importante aliado.

Cofundador do Novo, com Amoêdo, o engenheiro Roberto Motta, candidato a deputado federal pelo PSC, defendeu, nas redes sociais, que eleitores votem em Bolsonaro no segundo turno. “Nossa liberdade não dura três meses em uma gestão Haddad. A volta do PT significará a institucionalização do ódio, a explosão do crime e a emigração em massa”, argumentou.

Na esquerda, a possibilidade de uma costura entre Guilherme Boulos (PSol) e o PT é provável. Sobretudo, se o adversário for Bolsonaro. A alta cúpula da legenda admite a possibilidade de apoiar Haddad contra o deputado federal. Para o cientista político Cristiano Noronha, sócio e vice-presidente da Arko Advice, é uma aliança natural. “Há uma boa relação entre Boulos e (o ex-presidente) Lula”, disse.

O principal desafio do PT será conquistar o apoio de Ciro Gomes (PDT). Terceiro mais bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto, o pedetista negou a possibilidade de apoiar Haddad no segundo turno. “Nem a pau, Juvenal”, disse, em sabatina à Rádio CBN, em 19 de setembro. Aí é que vão entrar as articulações entre caciques das duas legendas, avalia Noronha. “É possível uma aliança entre ambos os partidos. No entanto, mais pelo PDT do que pelo Ciro”, sustentou.

"É possível uma aliança entre ambos os partidos (PT e PDT). No entanto, mais pelo PDT do que pelo Ciro”
Cristiano Noronha, cientista político e sócio e vice-presidente da Arko Advice

 

 

Neutralidade é obstáculo 

A se confirmar um segundo turno com Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), a disputa pelo poder colocará, inevitavelmente, articuladores ligados às campanhas dos dois para conversar, principalmente, com os candidatos que abocanharem maior parcela de votos no primeiro turno. No entanto, não será uma tarefa simples.

Na opinião do cientista político Cristiano Noronha, sócio e vice-presidente da Arko Advice, Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB) devem pregar a neutralidade. “Marina ataca o PT e já paga um preço grande por ter apoiado o PSDB nas eleições de 2014”, justificou o especialista. Apesar das movimentações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em defesa do apoio ao PT, a neutralidade evitaria atritos com os partidos da coligação.

O Solidariedade, ligado à Força Sindical, deve apoiar o petista. A forte presença de evangélicos no PRB pode indicar um apoio à campanha do deputado federal, que lidera as pesquisas entre eleitores da religião.

A formação de uma aliança com os partidos do Centrão é bem-vista por caciques do PT e do PSL. Ter a estrutura partidária das legendas nos estados é um trunfo desejado, mas exigirá muito jogo de cintura e articulação. A cúpula de PP e PR é mais próxima de Lula, mas a base de ambos os partidos preferem Bolsonaro. O DEM também é dividido, porém, a rivalidade entre o partido, pró-Bolsonaro, e o presidente da legenda, ACM Neto, fiel a Alckmin, pode pesar a favor do capitão reformado do Exército.

O apoio do MDB ao líder das pesquisas do primeiro turno também seria importante para garantir estrutura partidária. E não seria uma surpresa Bolsonaro manter os ataques a Temer, apesar do respaldo emedebista, pondera o cientista político Paulo Baía, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “O Alckmin já deu essa fórmula, de criticar e ter na coligação partidos que integram o governo”, avaliou. 

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