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Correio Braziliense

Ataques a Bolsonaro marcam debate entre candidatas a vice em véspera de protestos

Mirando o voto de eleitoras indecisas a pouco mais de uma semana do primeiro turno das eleições 2018, as candidatas fizeram críticas à chapa que lidera as pesquisas de intenção de voto


postado em 28/09/2018 16:20 / atualizado em 28/09/2018 16:23

(foto: Nelson Almeida/AFP)
(foto: Nelson Almeida/AFP)

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, foi o principal alvo de ataques nas declarações de quatro candidatas a vice-presidente durante o debate desta sexta, 28, promovido pelo jornal El País e pelo instituto de pesquisas Locomotiva. Participaram do evento as quatro mulheres que concorrem como vice nas chapas presidenciais: Manuela D'Ávila (PCdoB), vice de Fernando Haddad (PT); Ana Amélia (PP), vice de Geraldo Alckmin (PSDB); Kátia Abreu (PDT), vice de Ciro Gomes; e Sônia Guajajara (PSOL), vice de Guilherme Boulos .

Mirando o voto de eleitoras indecisas a pouco mais de uma semana do primeiro turno das eleições 2018, as candidatas fizeram críticas à chapa do PSL, que lidera as pesquisas de intenção de voto.

Neste sábado, 29, estão previstos diversos atos do movimento #EleNão, contra Bolsonaro, em todo o País.

"Além de antidemocrático, Bolsonaro não tem compromisso nenhum com as bases para a construção da igualdade", disse Manuela. "Ele defende surra corretiva para LGBTs, diz que mulheres podem ser estupradas de acordo com suas características físicas. Temos que ter clareza da origem (do ódio na política do País). Começou no impeachment. E agora estamos reagindo a um conjunto de ódios."

Questionada sobre um possível avanço de Bolsonaro para o segundo turno, Ana Amélia disse estar convicta de que Alckmin vai avançar e falou na necessidade de um país mais "tolerante". "Alckmin irá para o segundo turno. Estou nesta chapa para contribuir para a evolução democrática. Temos que ter um país mais tolerante na questão racial, de gênero, religiosa e não podemos perturbar o ambiente mais do que já está."

Katia Abreu chamou Bolsonaro de "fascistoide" e que as manifestações de mulheres contra o candidato são justa. "O movimento é muito apropriado. Sou da roça. Então sei que quando você planta milho, nasce milho. Não nasce arroz. É apenas a consequência e a reação justa das mulheres contra esse fascistoide, reacionário que quer nos puxar para trás. E nós não vamos permitir."

O debate levantou pautas relacionadas às questões das mulheres, como equiparação salarial, violência de gênero e representatividade na política. Um dos assuntos mais recorrentes foi sobre a estratégia das coligações em colocar mulheres como candidatas a vice. Para Manuela, é a conquista de um espaço.

"Nós não fomos colocadas nesses lugares. Ninguém me colocou aqui", disse a vice de Haddad. "Caminho há vinte anos com minhas pernas, tive quatro mandatos. Imaginar que os partidos dispõem de seus quadros mulheres apenas reproduz um crítica de caráter machista. Para nós, a presença de mulheres na chapa aumenta a qualidade democrática."

Katia Abreu afirmou que o Brasil precisa superar a polarização entre "coxinhas e mortadelas". "Nos complementamos, eu e Ciro. Não só no período eleitoral. Queremos efetivar isso no nosso mandato, que será convertido em ideias dos espectros políticos e olhando para frente. Tem que acabar com essa animosidade de coxinhas e mortadelas para pacificar o País. Comigo, a vice-presidência será uma embaixada das causas da mulher."

Sonia destacou o potencial das mulheres na definição do resultado eleitoral - elas representam 52% do eleitorado brasileiro, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "O Brasil ainda não superou o machismo e vê o avanço do fascismo. As mulheres vão fazer a diferença nessas eleições. Quem vai acabar com a esta invisibilidade e do papel secundário que impõem sobre nós, somos nós mesmas" afirmou a vice de Boulos.

A senadora do PP disse que as mulheres precisam continuar insistindo para que o eleitor tenha clareza da relevância da mulher no processo eleitoral. "O espaço que ocupamos já é uma percepção clara de que os candidatos trazem a mulher para o protagonismo. Não é o mais importante, mas é um primeiro avanço. Sou demandada pelas redes, me perguntam porque não apareço mais. Eu passo essa demanda a um comando de campanha liderado por especialistas que fazem essa leitura e das pesquisas. Esse eleitorado indeciso vai decidir a eleição. Temos que continuar insistindo para que tenham percepção clara da nossa relevância."

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