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Correio Braziliense

Debate entre candidatos ao governo de SP tem sobra de farpas e poucas propostas

João Doria (PSDB) e Marcio França (PSB)protagonizaram os maiores embates do evento neste sábado (29/9)


postado em 29/09/2018 15:43 / atualizado em 29/09/2018 16:46

(foto: EVARISTO SA/ AFP)
(foto: EVARISTO SA/ AFP)

 

O debate ocorrido na tarde deste sábado, 29, entre os concorrentes ao governo do Estado São Paulo, promovido pela TV Record, teve sobra de farpas e poucas propostas. João Doria (PSDB) e Marcio França (PSB)protagonizaram os maiores embates do evento. Enquanto Doria lembrava que França "abandonou" a prefeitura de São Vicente para fazer campanha para Garotinho (Anthony Garotinho, atualmente no PRP e que teve essa semana sua candidatura ao governo do Rio barrada pelo TSE), França devolvia a acusação, alfinetando a personalidade do tucano e dizendo que a disputa ao Palácio dos Bandeirantes foi como um "prêmio de consolação" após trair o seu governador e presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin.

"Você vai falar em abandono? Você traiu seu candidato a governador, queria a vaga do Alckmin (na disputa pelo Palácio do Planalto) e resolveu ser governador de São Paulo como prêmio de consolação", disse, lembrando que Doria não cumpriu seu mandato na Prefeitura de São Paulo, descumprindo a promessa que fez ao eleitor.

Para Marcio França, que ocupou a cadeira de governador quando Alckmin se desincompatibilizou do cargo para disputar o Palácio do Planalto, a dificuldade do tucano em conseguir subir nas pesquisas de intenção de voto e fazer frente à polarização entre o PSL de Jair Bolsonaro e o PT de Fernando Haddad deve ser creditada totalmente a Doria. "Você atrapalhou os planos de Alckmin para a presidência", acusou o pessebista, recebendo em seguida vaias da plateia, composta em sua maioria por apoiadores de João Doria, que se manifestava com aplausos em suas considerações.

França ainda acusou Doria de "brincar com sua doença" na propaganda do horário político, ao exibir suas fotos antes de realizar a cirurgia bariátrica, recomendada por seu médico para ajudar no tratamento da diabete, e de brincar também com o povo de São Paulo. Em contrapartida, o ex-prefeito de São Paulo chamou França de "esquerdista, dizendo "que ele não assume o que faz e que se vitimiza", em resposta as afirmações de França de que Dória brincou com sua doença.

"Sua vaidade não tem limites, seu dinheiro não compra pessoas dignas, tenha mais cuidado com o que fala", disse ainda França, em resposta ao candidato do PSDB.

Outro momento de troca de farpas ocorreu entre Doria e o candidato do PT ao governo do Estado, Luiz Marinho. O petista criticou o PSDB por prometer fazer o que não fizeram em 24 anos de administração no Estado. E o tucano atacou o Partido dos Trabalhadores, dizendo que a sigla entende de criminalidade já que "o chefe maior da quadrilha criminosa do PT (o ex-presidente Lula) está em preso (em Curitiba)". E prosseguiu: "Vocês não gostam do Sérgio Moro porque ele colocou o líder de vocês na cadeia."

Nesse momento, Marinho pediu direito de resposta, que foi negado pela direção da emissora, mas nas considerações finais, aproveitou para revidar o tucano: "Nosso time aqui é o 13, com Haddad presidente. Quero fazer um protesto. O que João Doria fez aqui não se faz. Talvez você pudesse visitar seus amigos que também foram presos. Os governadores do Paraná, o Paulo Preto. Ou seja, você senta no rabo e fala dos outros. Portanto, quero chamar a atenção: observe o histórico. Enquanto Doria estava ficando riquinho, eu estava lutando pelos trabalhadores."

Com a troca de farpas e a torcida organizada na plateia, as propostas dos candidatos ao governo de São Paulo acabaram ficando em segundo plano. O que prevaleceu mesmo foram as acusações mútuas.

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