Publicidade

Correio Braziliense

Em debate, candidatos criticam polarização e miram Bolsonaro e PT

Agredido, Haddad tentou conciliação com Ciro e Boulos, candidatos identificados com a centro esquerda


postado em 01/10/2018 00:47

(foto: Nelson Almeida/AFP)
(foto: Nelson Almeida/AFP)
 
O penúltimo debate entre os candidatos à Presidência da República foi marcado por ataques dos presidenciáveis à polarização entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Considerado voto decisivo na reta final, os postulantes também se dirigiram às mulheres na tentativa de angariar votos de indecisos na última semana antes do primeiro turno, em 7 de outubro. 
 
O debate foi realizado pela TV Record com oito dos 13 candidatos. Bolsonaro não participou por recomendação médica. O candidato do PSL recebeu alta no último sábado (29/9). Estiveram presentes: Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSol), Henrique Meirelles (MDB) e Marina Silva (Rede). Foi seguido o critério de representação mínima de cinco parlamentares do partido no Congresso (deputados ou senadores).
 
Diferentemente dos outros debates, o realizado neste domingo (30/9) é que não houve perguntas feitas por jornalistas da emissora. Em três blocos, os presidenciáveis se enfrentaram em confronto direto. Daciolo se destacou com declarações exaltadas e disparou a metralhadora de críticas aos adversários políticos, não se limitando apenas a Bolsonaro e Haddad, como os outros. “São amiguinhos”, disse.
 
Agredido, Haddad tentou conciliação com Ciro e Boulos, candidatos identificados com a centro esquerda. “Nós acreditamos na democracia e, para nós, não existe outro jeito. No segundo turno, vamos verificar quais as forças políticas mais próximas do nosso programa de governo”, declarou. Entretanto, os presidenciáveis não pouparam o petista de críticas. 
 
O socialista criticou a aproximação do partido com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE). “Temos pontos de convergência. Luto contra o atraso e desgoverno do Michel Temer. Agora, um dos maiores erros do PT foi ter governado com essa turma. Sabemos o que deu: golpe. Agora, é inexplicável você ver de mãos dadas com Eunício Oliveira (MDB), Renan Calheiros (MDB)”, declarou Boulos.

Civismo

Em terceiro nas pesquisas, Ciro se dirigiu aos eleitores indecisos ou que votam por repulsa a Haddad e Bolsonaro. Não é para menos a estratégia dele. A seis dias das eleições, ele busca uma narrativa que possa atrair votos para chegar ao segundo turno. “Não sou PT, nem anti-PT. Eu peço uma oportunidade. Examine meu programa. Examine minha vida. Os pobres estão vivendo o pior momento. Eu sou o candidato menos rejeitado, sou segunda opção de muitos, e venço Haddad e Bolsonaro no segundo turno, mas preciso do seu voto no primeiro turno”, declarou.
 
A crítica à polarização entre PT e PSL também foi endossada por Marina. A candidata se postou como opção para unir o Brasil, disse que o PT acabou “criando” Bolsonaro e definiu o capitão reformado do Exército como “cabo eleitoral do PT”. Mas foi mais agressiva no confronto ao deputado federal, ao lembrar da rejeição do eleitorado feminino ao candidato. “Como se não bastasse, é uma campanha que tem desrespeito a mulheres, indígenas e negros. Nunca vi na minha vida um candidato que vai governar para os fortes, para os que têm, para os que podem”, ponderou. 
 
Estagnado nas pesquisas, Alckmin saudou as mulheres pelos atos em todo o país contra Bolsonaro, no sábado. Chamou as manifestações de um “grande exemplo de civismo” e ressaltou que elas mostraram a importância que têm na sociedade. Nas considerações finais, parabenizou o eleitorado feminino em nome da vice, senadora Ana Amélia (PP-RS). “Terá papel importante no Brasil, que vai surgir das urnas um Brasil com paz, prosperidade, emprego, de fraternidade”, disse.

Trending topics

 
No Twitter, a hashtag #DebateNaRecord foi a mais comentada. Em segundo lugar nos trending topics ficou o candidato Cabo Daciolo que, mais uma vez, levantou assuntos polêmicos. 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade