Publicidade

Correio Braziliense

Opinião: Só o voto salva a democracia


postado em 01/10/2018 21:39 / atualizado em 01/10/2018 21:57

(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
 

É do filósofo francês Jean Paul Sartre uma frase libertária que costuma ser citada por intelectuais de esquerda: “Estamos condenados a ser livres”. Ironicamente, seguindo à risca o ditado, o escritor humanista Albert Camus, autor de clássicos como O Estrangeiro, A peste e O homem revoltado, romperia justamente com Sartre por não aceitar, assim como o contraditório filósofo, a subjugação ao Partido Comunista ou a qualquer ideologia contrária à natureza humana. Não é à toa que, a exemplo de George Orwell, autor de 1984 e de A revolução dos bichos, Camus combateu tanto o fascismo quanto o comunismo.


Agora, 70 anos depois de Orwell lançar a distopia 1984, leitura obrigatória para qualquer cidadão que se oponha ao totalitarismo, faço um corte para a paradoxal eleição de 2018 no Brasil. Sim: é justo e necessário que a sociedade se indigne, alerte e se insurja contra a ameaça que as ideias de Bolsonaro (PSL) e de seu grupo podem representar para a democracia. Mas é igualmente necessário que faça o mesmo em relação a Haddad (PT). Antes de Bolsonaro declarar que não aceita o resultado da eleição se ele não for o vitorioso, o PT já alardeava que eleição sem Lula é fraude. Assim como Bolsonaro defendeu a tortura e o golpe de 1964, Dirceu acaba de dizer em entrevista que o partido vai “tomar o poder” — “o que é diferente de ganhar uma eleição”, ressalvou. Além disso, o PT não hesita em defender ditaduras que torturam e matam sumariamente opositores. Como pode um democrata votar em um desses dois candidatos?

E pergunto mais: pode um partido — ao mesmo tempo que se diz democrata e defensor das mulheres, dos negros, dos homossexuais e, de forma geral, das causas LGBT — aplaudir ditadores que perseguem, prendem e matam pessoas simplesmente por serem gays? Por “ousarem” fazer um protesto ou uma greve? Podem “democratas” perseguir, prender e matar pelo simples fato de alguém pensar “diferente” do que determina o partido? Lembram da vergonhosa perseguição de petistas a Yoani Sánchez quando a dissidente cubana visitou o Brasil? É essa intolerância, esse extremismo, essa estupidez, que vemos hoje nas redes sociais, o que nos espera?

Ora, o PT sempre aplaudiu Cuba, mesmo quando a ilha de Fidel perseguia homossexuais, não admitia liberdade de expressão, protesto, greve etc. E, ainda, fuzilava opositores. Aplaudiu e apoiou Chávez. E, hoje, aplaude e apoia Maduro e Ortega, que se valeram de eleições livres e democráticas para chegar ao poder e transformar seus países no que são hoje: vergonha para a humanidade. Apesar de tudo, o PT nunca conseguiu levantar a voz sequer para dizer que condenava atrocidades como as milícias armadas pelos regimes da Venezuela e da Nicarágua e que patrulham as ruas atirando e matando quem se opõe ao governo.

Temos mesmo de escolher entre a ameaça de retroceder a 1964 e o risco de o Brasil se tornar uma nova Venezuela? Era para onde estávamos indo quando o impeachment parou Dilma, a “presidenta” que nos deixou como legado a pior recessão da história e esses milhões de desempregados que petistas fingem ser culpa de Temer? Ao votar, no próximo domingo, pense no país em que viverão seus filhos e netos. Chega de populismo, de autoritarismo e de sabotadores da democracia. O Brasil não merece o retrocesso para o qual apontam hoje as pesquisas. A democracia, como bem observou Churchill, é o pior dos regimes, mas ninguém ainda inventou nada melhor. Churchill a defendeu tanto de Hitler quanto de Stalin. E impediu que vivêssemos, hoje, num mundo como o descrito por Orwell em 1984. Ajude a salvá-la, no Brasil, enquanto ainda tem direito a salvá-la pelo voto.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade