Publicidade

Correio Braziliense

Em eventual 2º turno, Haddad sai em desvantagem nos palanques estaduais

Jair Bolsonaro e Fernando Haddad caminham para disputar um segundo turno no qual, de acordo com analistas, o petista terá desvantagem nos palanques das disputas pelos governos estaduais


postado em 04/10/2018 06:00

(foto: Editoria de Arte/CB/D.A Press)
(foto: Editoria de Arte/CB/D.A Press)

É difícil que a eleição do próximo domingo traga algo diferente da disputa entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) nos dois primeiros lugares, ficando os dois habilitados a disputar o segundo turno. “Só se acontecer algo muito forte. E tem que ser nos próximos dias. Se for na sexta-feira, já não adianta mais. O eleitor vai desconfiar de que é uma manipulação para mudar seu voto”, diz o cientista político Murilo Aragão, da Arko Advice.

Para a eleição de 28 de outubro, as simulações apontam a vitória de Haddad, mas isso está longe de ser um prognóstico seguro, alertam os analistas. “A nova delação pode ter um efeito forte”, alerta o cientista político David Fleischer, professor da Universidade de Brasília (UnB), em referência à delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci, preso em Curitiba, que incrimina os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT. O depoimento teve o sigilo aberto na segunda-feira pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba.

“A narrativa da corrupção foi encoberta na semana passada pelas declarações a respeito do 13º salário. Mas, na campanha do segundo turno, vai voltar fortemente”, completa Aragão. O fato de que Bolsonaro, se vencer, terá tempo de tevê igual ao de Haddad será um instrumento importante para explorar esse aspecto. Outra dificuldade será o fato de que o PT terá poucos palanques de candidatos a governador nos maiores colégios eleitorais, depois do domingo.

Em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, o partido ficará fora da disputa no segundo turno. Em Minas, há chances de o governador petista Fernando Pimentel chegar à segunda etapa, mas é possível que o tucano Antonio Anastasia vença já no próximo dia 7. Na Bahia, Rui Costa, do PT, pode levar no primeiro turno, mas, com a antecipação do fim do embate, poderá ocorrer o fim da mobilização que favoreceria o presidenciável do partido.

A favor do PT, Aragão cita a grande capacidade de mobilizar a militância e uma forte equipe de campanha, que podem fazer a diferença na hora de rebater ataques. “O que haverá é uma disputa de narrativas”, afirma ele, em referência à ideia dos bolsonaristas de que o PT não deve voltar ao poder, devido à responsabilidade nos casos de corrupção, e à crença dos petistas de que Lula é vítima de perseguição política e teve um julgamento injusto.

“A maior parte das pessoas não está votando em propostas, mas a favor ou contra o lulismo e o petismo”, explica o cientista político Eurico Figueiredo, diretor do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ele afirma que as manifestações de mulheres contra Bolsonaro, no fim de semana passado, podem ter efeito no primeiro e no segundo turnos. “Um terço dos eleitores admite mudar de voto”, ressalta. Ainda que as pessoas que foram às manifestações já tivessem o voto decidido, isso pode influenciar as decisões de quem está indeciso. “Há um efeito demonstrativo das mulheres e também dos movimentos gays”, ressalta.

Direita

Mesmo que Bolsonaro não vença, ele considera positivo o surgimento de pessoas que se assumem de direita, algo praticamente inédito na política brasileira. “Isso é muito bom para a democracia. Está surgindo de maneira inorgânica. E precisará de um partido que expresse essa demanda”, nota.

Para Aragão, da Arko Advice, Geraldo Alckmin (PSDB) não soube trabalhar bem com esse público. “Eles são eleitores do PSDB, que votaram no partido nas eleições de 2014. É como se Bolsonaro os tivesse alugado. Alckmin tentou despejar Bolsonaro na marra. Tentou expulsá-lo de sua área. Não deveria ter feito assim”, compara. Na avaliação do cientista político, foi um erro do tucano atacar tanto Bolsonaro quanto Haddad. “Ele deveria ter atacado apenas o PT, tentando reconquistar esse público, que já havia sido seduzido por Bolsonaro”, afirma.

Para Figueiredo, os votos de praticamente todos os candidatos que não chegarem ao segundo turno serão divididos entre as duas candidaturas. A pesquisa do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) mostra que, de fato, há tendência de migração para o PT e o PSL, de forma desequilibrada e, às vezes, supreendente. Dos eleitores de João Amoêdo (Novo), 49% devem migrar para Haddad e apenas 16%, para Bolsonaro. Como Amoêdo tem 4% das intenções de voto nesse levantamento, aproximadamente dois pontos iriam para o candidato do PT e um ponto, para o do PSL (veja quadro ao lado).

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade