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Correio Braziliense

Candidatos de centro ainda apostam na virada de última hora

Candidatos de centro ainda apostam nas últimas horas antes da votação para chegar ao segundo turno como opção aos extremos. Ciro Gomes faz ofensiva final nas redes sociais com hashtag prometendo a virada


postado em 06/10/2018 07:00

O candidato pedetista em campanha: luta pelo voto dos indecisos para reverter desvantagem de 10 pontos para o petista Fernando Haddad(foto: Carl de Souza/AFP)
O candidato pedetista em campanha: luta pelo voto dos indecisos para reverter desvantagem de 10 pontos para o petista Fernando Haddad (foto: Carl de Souza/AFP)

Apesar da polarização na qual o país se encontra às vésperas das eleições, a terceira via, com a escolha de um candidato de centro, ainda pode encontrar terreno. Especialistas afirmam que, mesmo com poucas chances, não é impossível que chegue ao topo um presidenciável mais moderado, como Ciro Gomes (PDT) ou Geraldo Alckmin (PSDB). Contudo, a probabilidade é pequena. Candidatos de centro tiveram o espaço encolhido por Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Segundo análise da Prospectiva Consultoria, há cerca de 30% de possibilidade de um nome de centro subir nas pesquisas. Isso porque há ainda um alto número de indecisos e outros eleitores que podem mudar o voto na última hora.

De acordo com o último levantamento do Datafolha, divulgado na quinta-feira, Bolsonaro ocupa o primeiro lugar das pesquisas, com 35% dos votos, e Haddad, que está na segunda posição, com 22%. Com isso, começou ontem um movimento nas redes sociais, sobretudo no Twitter, de campanha em favor do pedetista Ciro Gomes, que está na terceira posição, com 11%. A hashtag ficou no assunto mais comentado da ferramenta no Brasil e foi o quarto mais falado no mundo. “Vira vira Ciro” é o nome da campanha, que tenta levar um postulante de centro ao segundo turno.

Além disso, ainda com base na sondagem do instituto, há 5% de indecisos e 6% do eleitorado que devem votar em branco ou nulo. Na reta final da campanha, postulantes tentavam convencer essa parcela da população, que pode fazer a diferença no resultado do pleito. Ademais, há pessoas que decidiram pelo “voto útil” para tentar não eleger Bolsonaro ou Haddad, enquanto outras pretendem votar em um terceiro nome com o objetivo de conter os dois.

Para o cientista político Thiago Vidal, a mobilização em torno de Ciro pode surtir efeito, porque a diferença entre ele e o petista é de aproximadamente 10 pontos percentuais. Tecnicamente, um novo segundo lugar pode ser viável. “Para a terceira via ser uma opção, é preciso ter essa diferença de até 10 pontos. Se analisado por essa lógica, faz sentido. O problema é que há também votos que iriam para Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB), que podem se tornar ‘votos úteis’ e ir para Bolsonaro”, justifica.

Vidal, contudo, afirma que as chances de Bolsonaro e Haddad irem ao segundo turno é mais expressiva, com 70%. Na última pesquisa de intenção de voto de 2014, às vésperas do pleito, Dilma Rousseff (PT), que tinha 34%, passou com 40%. Aécio, que mantinha 24%, ficou com 34%. No entanto, o cientista político chama a atenção para um novo contexto político, em que o eleitorado está polarizado e o voto útil se torna uma opção: “Nada se garante nas pesquisas. Em 2014, elas não foram muito precisas, mas também não havia tanto extremismo”.

Assim como Vidal, o analista político Creomar de Souza afirma que uma mudança ainda é possível, mas com chances reduzidas. Isso porque, na democracia e na eleição, quem escolhe é o povo — e as pessoas mudam de ideia quando chegam às urnas. “Candidatos de centro não emplacaram porque houve uma erosão nas alternativas de voto, a partir do extremismo. Ficou tudo muito confuso, sobretudo com o agravamento da crise econômica e de segurança do país”, complementa.

Segundo Souza, o cenário como está mostra a resposta dos cidadãos: a busca por soluções fáceis para problemas extremos. “O ambiente está muito dividido. Há o voto envergonhado, o voto útil e o voto ideológico. Fora as abs-tenções. Mas pode ser que uma parte da população busque uma opção mais moderada. Embora não pareça ser o destino mais forte no horizonte”, observa.

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