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Correio Braziliense

13 candidatos e uma meta: conquistar o Palácio do Planalto

Na campanha eleitoral deste ano, os planos e posturas dos concorrentes à Presidência foram expostos para todos os cidadãos


postado em 07/10/2018 05:00 / atualizado em 07/10/2018 00:33

Jair Bolsonaro (PSL)

(foto: AFP/Nelson Almeida)
(foto: AFP/Nelson Almeida)
No sétimo mandato como deputado federal, Jair Bolsonaro, 63 anos, chega ao primeiro turno da campanha presidencial com uma performance surpreendente até mesmo para analistas políticos experientes. Primeiro colocado nas pesquisas eleitorais desde a saída de cena do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o capitão reformado carrega a polarização entre eleitores pró e contra o PT. Mas isso é apenas uma das facetas do parlamentar, que avançou nos últimos dias em redutos até então improváveis para o candidato, como áreas do Nordeste do país.


Nascido em Campinas, Bolsonaro é filho de pais de ascendência italiana. Casou três vezes e tem cinco filhos. Aluno da Academia Militar das Agulhas Negras, ele concluiu o curso em 1977 e foi integrante da Brigada de Infantaria Paraquedista. Seis anos depois, formou-se em educação física pela Escola do Exército — em 1987, concluiu o curso de aperfeiçoamento de oficiais.

A carreira política começou em 1988, na campanha a vereador. Com o apoio dos militares, conquistou 11.062 votos e acabou eleito, aos 33 anos. Na Câmara dos Deputados desde 1991, Bolsonaro tentou mobilizar os holofotes em defesa da volta da ditadura, da pena de morte para qualquer crime premeditado, além de exaltar preconceitos contra negros e gays abertamente. Com as votações, aumenta o número de eleitores e a visibilidade. Há quatro anos, com a eleição de Dilma Rousseff, deu início ao projeto Palácio do Planalto. Durante o processo de impeachment, em 2016, o capitão aproveitou para reforçar posições. Na votação da Câmara que derrubou a petista, o deputado dedicou o voto ao coronel Brilhante Ustra, o primeiro militar reconhecido pela Justiça como torturador.

Congresso

O comportamento de Bolsonaro acabou o levando ao banco do STF por ofensas à deputada Maria do Rosário (PT-RS) por injúria e incitação ao estupro. Em 2014, ele afirmou que a parlamentar não merecia ser estuprada porque ele a considerava “muito feia”. O episódio repercute até hoje, levando o deputado inclusive a enfrentar resistência entre as mulheres. Um dos maiores exemplos foi uma manifestação na semana passada, o #Elenão, que tomou capitais brasileiras. O presidenciável, entretanto, manteve os índices de votos nas pesquisas. O crescimento consistente é nítido, mesmo com ele longe da campanha de rua por causa do atentado sofrido em Juiz de Fora (MG), no início de setembro.

A campanha de Bolsonaro é vista como inédita no país, pois não conta com um marqueteiro oficial, tempo de rádio e televisão ou mesmo alianças formais. A quebra de parâmetros levou cientistas políticos a reverem, por exemplo, a máxima que um candidato com alta rejeição se inviabiliza ainda na largada. Não nesse caso, pelo menos no primeiro turno. Bolsonaro é favorito para aparecer em primeiro hoje, quando o último voto for contabilizado.

Fernando Haddad (PT)

(foto: AFP/Nelson Almeida)
(foto: AFP/Nelson Almeida)
O postulante do PT à Presidência, Fernando Haddad, filiou-se ao partido em 1983, quando tinha 20 anos e estudava direito na Universidade de São Paulo (USP). Aos 55, ainda é tratado por muitos correligionários como um neófito. Uma das razões para isso é que ele passou ao largo da vida partidária durante grande parte da carreira profissional.

Tornou-se advogado, fez mestrado em economia e, depois, doutorado em filosofia, sempre na USP. Em 1997, conquistou o cargo de professor de ciência política da universidade, posição que mantém até hoje. Leciona também no Insper, instituição privada de nível superior entre as mais caras do país.

“Ele tem uma formação muito boa. É jovem, mas, ao mesmo tempo, maduro. Não tem posições duras, é aberto ao diálogo. Pode conquistar alguns dos antipetistas”, diz o cientista político Eurico Figueiredo, diretor do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Suas qualidades resultaram no ônus de ter corrido por fora. Haddad só se tornou mais próximo de vários correligionários recentemente. Em 2001, aos 38 anos, tornou-se assessor na secretaria de Finanças do Município. E, ainda assim, na equipe de um não petista, o economista João Sayad, alçado ao cargo por Marta Suplicy, a então estrela da legenda, que hoje é senadora pelo MDB.

Quando Lula se tornou presidente, Haddad veio para Brasília. Mas estava longe de ser próximo do líder máximo petista, hoje preso em Curitiba. Era assessor do então ministro do Planejamento, Guido Mantega. De lá, passou ao Ministério da Educação (MEC), já na posição de secretário executivo, o segundo cargo mais importante da pasta. Quando Tarso Genro deixou o MEC, ele se tornou o titular. Foi reconduzido por Lula, no segundo mandato, e depois pela sucessora, Dilma Rousseff.

Em 2012, auge da popularidade petista, saiu candidato à Prefeitura de São Paulo, e venceu nas urnas. Em 2016, não conseguiria ser reeleito. Perdeu ainda no primeiro turno para o tucano João Doria, que deixou o cargo neste ano para ser candidato a governador.

No MEC, Haddad aumentou o número de vagas no ensino superior de 140 mil, em 2007, para 218 mil, em 2010, graças à ampliação das universidades federais e ao ProUni, que oferece bolsas de estudo em instituições privadas. Na prefeitura, controlou as contas públicas e espalhou ciclovias pela cidade.

Do MEC e da prefeitura, carrega vulnerabilidades. Como ministro, manteve um projeto para combater a homofobia nas escolas, que é atacado pela bancada evangélica como apologia da homossexualidade. Na prefeitura, acumulou processos por improbidade administrativa e por supostamente ter recebido caixa 2 na campanha. Declara-se inocente em todas as situações.

A proximidade com Lula, que lhe abriu portas, também despertou antipatia. Há exatamente um mês, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, dizia que Haddad estava em “estágio probatório”. Era, então, candidato a vice. Só no último dia 12, com Lula definitivamente impedido, ele foi confirmado como cabeça de chapa. Esta campanha, mais curta, teve 45 dias. Haddad teve 24.

Ciro Gomes (PDT)

(foto: AFP/Nelson Almeida)
(foto: AFP/Nelson Almeida)
Terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, o candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, chega à reta final da campanha eleitoral como uma alternativa para os eleitores que não querem ver o segundo turno polarizado entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Com experiência de 38 anos de vida pública e autodeclarado ficha limpa, Ciro se apresenta como um político que conhece o Brasil, disposto a dialogar em torno de um governo de coalizão.

Esta é a terceira tentativa de Ciro de presidir o Brasil. Foi candidato em 1998 e em 2002, eleição na qual apoiou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra José Serra (PSDB) no segundo turno. A aliança rendeu um convite para ser ministro da Integração Nacional em 2003. À frente da pasta, ele tirou do papel e iniciou a transposição do Rio São Francisco, que leva água às regiões secas do Nordeste.

Mesmo tendo sido ministro do então presidente, nestas eleições, Lula não retribuiu o carinho e pressionou o candidato do PDT por se apresentar como opção de esquerda. O petista articulou uma jogada política para retirar o apoio do PSB a Ciro, o que fortaleceria sua candidatura. Para isso, inicialmente, a presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, chegou a convidá-lo para ser vice de Lula. Ciro não aceitou.

Ciro Ferreira Gomes nasceu em Pindamonhangaba, interior de São Paulo. Filho de professores, quando tinha 4 anos sua família mudou-se para Sobral (CE), onde ele cresceu. Em Fortaleza, passou em primeiro lugar no vestibular, participou do movimento estudantil, se formou em direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e virou professor universitário.

Aos 24 anos, ingressou na vida pública ao se eleger deputado estadual no Ceará, em 1982. Em 1986, conquistou a reeleição. Foi líder do governo de Tasso Jereissati na Assembleia Legislativa e, em 1988, com 31 anos, se tornou prefeito de Fortaleza, o mais jovem da história da capital cearense. Chegou a ser apontado por institutos de pesquisa como o melhor prefeito do país, ao reequilibrar as contas da prefeitura, promover reforma fiscal e colocar os salários dos servidores em dia.

Em 1990, Ciro elegeu-se governador do Ceará, o mais jovem da história do país. Deixou o governo com 74% de aprovação. Em 1994, foi convocado pelo então presidente Itamar Franco a assumir o Ministério da Fazenda, para comandar a economia e conter ataques especulativos que ameaçavam o Plano Real. Entre outras medidas, criou a lei que garante aos trabalhadores a participação nos lucros das empresas.

Após deixar o Ministério da Fazenda, foi estudar nos Estados Unidos como pesquisador-visitante da escola de direito de Harvard. No retorno, se candidatou duas vezes à Presidência da República. Em 2006, foi o deputado federal mais votado do Brasil, proporcionalmente, com 667.830 votos. Ainda comandou a Secretaria de Saúde do Ceará de setembro de 2013 a dezembro de 2014, a convite do governador Cid Gomes, irmão dele, hoje candidato ao Senado pelo estado.

Geraldo Alckmin (PSDB)

(foto: AFP/Nelson Almeida)
(foto: AFP/Nelson Almeida)
Não poderia ter sido mais simbólico o momento em que o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin foi anunciado candidato oficial à Presidência da República pelo PSDB, em 4 de agosto, na sede do partido, em Brasília. Bandeira do Brasil ao fundo, hino nacional entoado com orgulho, vários apoiadores presentes. Tudo indicava que o caminho seria mais fácil do que em 2006, quando ele tentou a faixa presidencial pela primeira vez. Agora, com o PT órfão do líder e desgastado depois de quatro mandatos, seria a chance de ouro para o tucano.

 Entre os nomes que se colocaram à disposição para representar o PSDB na disputa, a escolha da sigla, fragilizada por denúncias de corrupção, foi Alckmin, um dos fundadores do partido. Aos 65 anos, o médico de Pindamonhangaba (SP) foi vereador, prefeito, deputado estadual, duas vezes deputado federal e governador de São Paulo por quatro mandatos, sempre com bons índices de aprovação. Quem o conhece faz facilmente a distinção entre o amigo reservado e o político que, apesar da falta de carisma que rendeu o apelido “picolé de chuchu”, é um hábil articulador. Investigado em alguns processos, ele não pode ser acusado de falta de experiência política.

Com o estilo simples de quem nasceu no interior e mantém as origens, Alckmin passou 46 anos subindo a escada, degrau por degrau, até chegar a 2018 cacifado para disputar novamente a Presidência. No primeiro turno de 2006, conquistou quase 40 milhões de votos, 41,6% do eleitorado da época. Mas nem o currículo dele, que se orgulha de ter arrumado as contas de São Paulo, nem a promessa de “unir o país”, feita na convenção que o oficializou candidato, serviram para fazer o tucano decolar desta vez. Não conseguiu passar de 11% das intenções de voto nas pesquisas (cerca de 16 milhões de eleitores). Menos da metade do que conseguiu 12 anos atrás.

Na campanha mais polarizada desde a redemocratização, Alckmin se coloca como opção de centro. Usou boa parte do tempo de televisão para criticar Jair Bolsonaro (PSL), expoente da extrema direita. Bateu também no PT, adversário histórico. O discurso moderado parecia ideal em um momento tão polarizado. Não colou. Além do crescimento dos polos, dois obstáculos de dentro do ninho impediram o voo do tucano: o apoio do Centrão e a ligação com o presidente que bate recorde de impopularidade — o PSDB foi base aliada de Michel Temer durante todo o governo do emedebista. Alckmin passou muito tempo tentando se desvencilhar desse laço.

Igualmente desgastante foi se afastar da própria coligação. O apoio do Centrão (DEM, PP, PR, PRB e SD), anunciado em julho, foi uma bênção e uma maldição: colocou Alckmin à frente na corrida, com mais tempo de televisão e mais recursos, mas ligou o nome dele ao de figuras envolvidas em escândalos, reforçando a ideia de que ele é “mais do mesmo”. Agora, o tempo de tevê não faz mais diferença. Como pelo menos outros três candidatos, o tucano aposta no voto consciente, no antipetismo e na defesa da democracia. O discurso é o mesmo de quando oficializou a candidatura: “Não podemos nos dividir”.

Marina Silva (REDE)

(foto: AFP/Nelson Almeida)
(foto: AFP/Nelson Almeida)
Nascida em um seringal a 70km de Rio Branco, a candidata ao Palácio do Planalto pela Rede Sustentabilidade, Marina Silva, encara a terceira corrida presidencial neste ano. Ao lado do vice, Eduardo Jorge (PV), de quem foi adversária nas eleições de 2014, a acreana protagoniza uma trajetória política antiga. Com o início na militância, onde atuou na resistência ao desmatamento e da Central Única dos Trabalhadores, Marina passou a se interessar pela gestão da máquina pública. Ainda filiada ao PT, elegeu-se vereadora em Rio Branco, em 1987. Foi deputada estadual e senadora antes de ser nomeada ministra do Meio Ambiente no primeiro governo de Lula. Após divergências partidárias, deixou a sigla.

Neste ano, Marina começou a campanha entre as favoritas ao Planalto. No entanto, com poucos recursos partidários, negra e mulher, desidratou nas pesquisas de intenção de voto. Não foi a primeira vez que a candidata para no meio do caminho. Em 2010, Marina se candidatou à Presidência da República pelo PV. Obteve 19 milhões de votos e ficou em terceiro lugar, atrás de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Deixou o PV no ano seguinte e tentou criar a própria legenda. A Rede teve o registro negado pelo TSE em 2013 e a acreana procurou outro partido para disputar o pleito de 2014. Filiou-se ao PSB para ser candidata a vice do então presidenciável Eduardo Campos. Após a morte do correligionário em um acidente de avião, assumiu a cabeça de chapa. Ela recebeu 22 milhões de votos e terminou novamente em terceiro, atrás de Dilma e Aécio Neves (PSDB).

Ao Correio, Jane Maria Vilas Boas, coordenadora política da comunicação da Rede Sustentabilidade da Executiva Nacional do partido, ressalta a persistência da amiga, com quem divide a rotina de trabalho desde 1985. Ainda no Acre, as duas se conheceram nos movimentos sociais. Em 1999, no primeiro mandato na Câmara dos Deputados, Jane chegou a Brasília para coordenar a equipe da deputada. “Marina é um fato concreto. É uma pessoa muito carinhosa, tem compaixão pelo próximo e busca exercer o que acredita de maneira muito ativa. Além de tudo, ela é uma pessoa com muita inteligência emocional, de articulação e de inclusão das pessoas”.

Morando no interior da Floresta Amazônica, Marina contraiu hepatite aos 16 anos e foi se tratar na capital do estado. Para se manter, trabalhou de empregada doméstica e só depois se alfabetizou. Graduou-se em história pela Universidade Federal do Acre. Depois disso, concluiu duas pós-graduações. Ainda na adolescência, frequentou a Igreja Católica. Em 1997, trocou o catolicismo pela Assembleia de Deus. “Na origem desprivilegiada que teve, conseguiu chegar no ponto privilegiado. Ainda assim, abriu mão da aposentadoria de parlamentar e dos planos de saúde sem limite de gastos. Marina tem um senso de servir que pode se exercer em qualquer circunstância. Ministra, senadora ou professora, isso é o que ela faz. Depois dessas eleições, se não for eleita, voltará a trabalhar como qualquer outra pessoa. Essa é a Marina”, conclui Jane, emocionada.

Henrique Meirelles (MDB)

(foto: AFP/Nelson Almeida)
(foto: AFP/Nelson Almeida)
Responsável pela candidatura governista ao Palácio do Planalto, o emedebista Henrique Meirelles (MDB) concorre à segunda eleição. Na primeira, em 2002, foi eleito deputado federal pelo PSDB, mas não assumiu o cargo, porque foi convidado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para comandar o Banco Central (BC), onde passou sete anos — entre 2003 e 2010. Nascido em Anápolis há 73 anos, é reconhecido pela competência tanto na iniciativa privada quanto no setor público. Também é conhecido como um dos candidatos mais ricos da eleição presidencial, com R$ 377 milhões declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ficando atrás apenas de João Amoêdo (Novo).

Formado em engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), Meirelles fez carreira como economista no mercado internacional, tanto é que assumiu a presidência mundial do BankBoston, em 1984. Como presidente do BC, foi um dos responsáveis por diminuir a turbulência de incertezas que pairavam sobre o governo Lula. O emedebista foi responsável por controlar a inflação e os juros.

Em 2010, tinha grande interesse em participar da chapa à Presidência da República com Dilma Rousseff (PT), mas acabou sendo preterido, e o atual presidente Michel Temer (MDB) foi o escolhido. Meirelles nunca conseguiu esconder seu apreço pelo Palácio do Planalto. Seis anos depois das eleições, foi convidado por Temer para assumir o Ministério da Fazenda e coordenar a equipe econômica, que é considerada um dos melhores times. Nos últimos anos, conseguiu junto com o atual presidente do BC, Ilan Goldfajn, diminuir a inflação e as taxas de juros, ancorando parte das expectativas.

Estudioso, Meirelles fala com apreço do trabalho, porque é algo de que gosta, segundo pessoas próximas. Vai dormir tarde e acorda cedo, sendo difícil acompanhá-lo. O empenho e o sucesso profissional permitiram que ele tivesse muito apoio do mercado financeiro. Entre os economistas, vários citam que Meirelles foi extremamente importante para o país nos últimos anos.

Mesmo assim, a maneira técnica de conversar criou dificuldades para angariar apoios. Por conta disso, investiu numa linguagem mais informal aos eleitores. Nas redes sociais, Meirelles tenta quebrar a imagem de ser uma pessoa séria e procura conversar de forma descontraída, assim como em atos de campanha. “Você pode ter humor e ser sério ao mesmo tempo. Desde que não atrapalhe o trabalho de melhorar o Brasil”, citou o candidato durante evento em Brasília.

Os pequenos aparecem 

(foto: AFP/Nelson Almeida)
(foto: AFP/Nelson Almeida)
O pelotão de nanicos da eleição presidencial de 2018 conta com os mais variados perfis, mas a maioria deles sequer pontuou nas pesquisas: juntos somam pouco mais de 5% das intenções de voto. Eles não têm fôlego para chegar ao Palácio do Planalto, mas pulverizam as escolhas. E alguns podem reaparecer daqui a quatro anos com um pouco mais de chance.

Alvaro Dias (Podemos), 73 anos, está no terceiro mandato no Senado. Antes de chegar a Brasília, foi governador do Paraná. Por isso, o político teve maior expressividade na região Sul. Essa foi a primeira disputa dele pela Presidência. O discurso da campanha é embasado na promessa de “refundar a República” e na intenção de convidar o juiz federal Sérgio Moro para ser o ministro da Justiça em um eventual mandato.

Com um patrimônio de R$ 425 milhões, o mais rico postulante ao Planalto é um ex-executivo de bancos privados. O carioca João Amoêdo (Novo), 55 anos, fundou o próprio partido em 2011 e também concorre à Presidência da República pela primeira vez. Seu discurso é liberal e favorável a privatizações. Apostou nas redes sociais para se apresentar ao eleitor. Nunca assumiu cargos públicos.

O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-teto (MTST) e professor Guilherme Boulos (PSol), 36 anos, mantém a tradição do partido em disputar a Presidência da República. É o quarto nome lançado pela sigla desde a fundação, em 2004, a partir de dissidências do PT. Ele é o mais jovem na disputa. O paulista nunca assumiu cargos públicos, é contra privatizações e defende que a Petrobras siga estatizada.

“Sinais, fortes sinais.” Esse é a abordagem de um dos nomes mais vistos em todas as disputas pelo cargo de chefe do Executivo federal. José Maria Eymael (Democracia Cristã), 78 anos, concorreu em 1998, 2006, 2010 e 2014. Em sua quinta eleição, o parlamentar constituinte sequer pontuou nas pesquisas. Eymael foi deputado por duas vezes (1988 e 1990) e antes de ser parlamentar disputou a prefeitura de Porto Alegre. Perdeu. Tem mais apelo com o público evangélico.

No monte

O sotaque carioca é a principal marca do deputado federal Cabo Daciolo (Patriota), de 42 anos. A outra é terminar suas frases com a expressão “Glória a Deus”. Ele é ex-bombeiro militar do Rio de Janeiro e protagonizou a greve da corporação em 2011. Em sua estreia em cargos eletivos, grande parte da sua atuação da Câmara dos Deputados é em defesa dos militares e da religião evangélica. Disputou a Presidência pela primeira vez, garantiu ter gastado menos de R$ 10 mil e passou a maior parte do tempo em oração no monte.

Filho do ex-presidente João Goulart, o escritor João Goulart Filho (PPL), 61 anos, participou da fundação do PDT em 1979, quando voltou ao Brasil após exílio de 15 anos, sob a liderança do tio Leonel Brizola. Goulart Filho disputou a eleição de 1982 para deputado estadual pelo Rio Grande do Sul e foi eleito. Também assumiu cargos no Executivo fluminense. Uma de suas principais propostas é dobrar o valor do salário mínimo em quatro anos. Também faz a estreia na disputa pelo Planalto.

A sindicalista pernambucana Vera Lúcia (PSTU), 51 anos, é a aposta do partido para chegar ao Planalto. Sem nunca ter vencido uma eleição, ela tentou um mandato de deputada federal em 2006 e a prefeitura de Aracaju, onde vive desde os 11 anos, em 2004, 2008 e 2012, quando teve 20.241 votos. Atualmente, ela é educadora sindical pelo Instituto Latino-Americano de Estudos Sócioeconômicos. Ela defende a estatização de hospitais e universidades privadas. 
 
 

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