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Correio Braziliense

Conheça eleitores que escolheram seus candidatos sem repúdio ao adversário

Saiba o que os motivou a escolher um dos que, ainda hoje, será conhecido como novo presidente do país


postado em 07/10/2018 05:00 / atualizado em 07/10/2018 00:25

Quando as primeiras urnas forem liberadas às 8h de hoje, 147,3 milhões de brasileiros estarão prontos para eleger a próxima pessoa a ocupar o gabinete presidencial, no terceiro andar do Palácio do Planalto. Em um processo eleitoral marcado especialmente pelo sentimento do “anti”, e nem tanto pela identificação com um programa de governo, muitos entregarão o voto ao candidato que — acreditam — será mais capaz de derrotar aquele que não querem ver de forma alguma no comando do país.
 
Porém, também há os que escolheram um nome com base nas propostas, no alinhamento ideológico, na vida pública e na ausência de processos por corrupção. Enquanto analistas políticos indicam que grande parte do eleitorado adotará a estratégia do voto útil, milhares de brasileiros garantem que se manterão fiéis àqueles que mais os representam, independentemente da chance nas urnas. O Correio entrevistou eleitores de 10 candidatos. Saiba o que os motivou a escolher um dos que, ainda hoje, será conhecido como novo presidente do país.

Raphaela Sestini escolheu Guilherme Boulos 

(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
» Prestes a se formar em Ciências Sociais, a estudante Raphaela Sestini, 22 anos conta que tem forte identificação com as pautas do PSol. “Eu me considero uma pessoa de esquerda. Sou a favor da descriminalização do aborto, da legalização das drogas, a desmilitarização da PM... As questões que o Guilherme Boulos aborda são coisas com que concordo”, diz. Para Raphaela, que acompanha as atividades de Boulos à frente do movimento social dos trabalhadores sem-teto, o candidato é o que apresenta propostas mais inovadoras e progressistas. A moradora da Asa Norte, começou a acompanhar política por influência de um professor do ensino médio, aos 15 anos. Em seguida, leu o Manifesto comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, e se identificou. Ela pretende fazer mestrado e doutorado para investigar a sociologia da violência. “Quero trabalhar na formação dos policiais militares”, explica.

Giulia Dickel escolheu Jair Bolsonaro

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
» A admiração pelas Forças Armadas vem da infância, quando Giulia Dickel, 20 anos, acompanhava a família nos eventos do Exército. “Meu pai e minha irmã são militares, e eu também pretendo ser”, conta a jovem, que estudava Direito, mas interrompeu temporariamente para cuidar do filho, Miguel, de 11 meses. A moradora da Asa Sul começou a se interessar por política quando ouviu falar do capitão reformado Jair Bolsonaro, há dois anos. “Eu vi um meme dele com a Maria do Rosário (deputada do PT) e aí comecei a pesquisar. Assim que vi as propostas, achei que ele seria um bom presidente. Ele quer padronizar o ensino nas escolas, por exemplo, e acho isso muito legal”, avalia, consciente de que o candidato é polêmico. “Ele é meio estourado, mas é gente boa. E tem muita coisa que se diz sobre ele, mas que é distorcida”, acredita. A jovem assistiu aos debates em que Bolsonaro participou. “Soube responder com firmeza o ponto de vista dele”, diz.

Helton Marques escolheu Cabo Daciolo

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
» A defesa dos ideais cristãos e da unidade da família são os pontos-chaves da campanha do cabo Daciolo (Patriota), na opinião de Helton Marques, segundo-sargento fuzileiro naval da Marinha. Brasiliense, casado e pai de três meninas, o morador de Sobradinho está há 18 anos nas Forças Armadas e acredita que o país precisa de uma injeção de moral e ética. “Sou o único militar da família. Mas, desde criança, eu valorizava a disciplina, a hierarquia. Só pelo olhar do meu pai, eu sabia que ele estava bravo”, conta. Hoje, Helton acredita que o respeito se perdeu na sociedade e pretende vê-lo resgatado. “O cabo Daciolo não é envolvido com corrupção, é uma pessoa temente a Deus, aos princípios cristãos e à valorização da família. Ele preza o patriotismo e nacionalismo”, elogia. “Muitos perguntam se a ditadura vai voltar e eu explico que a ditadura acabou, foi de 1964 a 1985. Sou de outra geração. O que nós queremos é a democracia”, tranquiliza.

Luciana Guimarães Araújo escolheu João Amoêdo 

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
» Formada em gestão financeira e prestes a concluir o curso superior de Economia, a brasiliense Luciana Guimarães Araújo, 23 anos, chegou a considerar Henrique Meirelles (MDB) como primeira opção de voto. Mas as propostas de João Amoêdo (Novo), que conheceu há cerca de dois anos, a atraíram mais. “Eu tinha feito um post no Facebook reclamando dos políticos, aí um conhecido me falou para pesquisar sobre o Amoêdo, que eu gostaria”, recorda. A estudante, que pretende trabalhar no mercado de capitais, acolheu a sugestão e aprovou o que viu. Luciana explica que tem uma visão política liberal, e considera a economia o pilar do Estado. “O Novo prega a diminuição do Estado, não usa o fundo partidário, abre mão de regalias. O Amoêdo tem uma proposta de liberdade econômica, que é a que mais prezo”, diz a jovem, leitora de Adam Smith e de Ludwig von Mises. “Li as propostas dele e tudo o que ele prega sobre economia é o que eu faria se fosse presidente.”

Leandro Ramos dos Santos escolheu Ciro Gomes

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
» Tradicionalmente, o servidor da Secretaria de Educação do DF Leandro Ramos dos Santos, 41 anos, votava no PT. Porém, desiludido com o partido, passou a acompanhar as propostas de Ciro Gomes (PDT). “Ele me encantou pelo conhecimento de economia, a inteligência, a experiência. Além disso, os números do mandato dele no Ceará são muito importantes”, considera Leandro. “Ele é o mais capacitado e sabe lidar com o tipo de Congresso que o brasileiro costuma eleger: o Centrão, onde quem dá mais, leva”, avalia. Formado em Letras, o morador do Gama sempre se interessou por política e, quando criança, lia os jornais que o pai assinava. Leandro lamenta que o jeito intempestivo de Ciro seja, na opinião dele, usado contra o candidato. Leandro leu as propostas do candidato do PDT, segue as redes sociais dele e acompanha o noticiário político, além de debates e entrevistas. Para ele, não há dúvidas: “O momento pede o Ciro”. 

Maria dos Reis Guimarães escolheu Henrique Meirelles

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
» A experiência e a cultura de Henrique Meirelles (MDB) conquistaram o voto da servidora aposentada da Secretaria de Saúde do DF Maria dos Reis Guimarães, 59 anos. “Além de ser um homem muito culto, ele transmite seriedade e a campanha dele não agride ninguém. Diferentemente dos outros, ele está interessado em apresentar o que pretende fazer”, avalia. Maria dos Reis conta que já votou anteriormente nos tucanos Aécio Neves e José Serra, mas afirma não se identificar com partidos, e, sim, com propostas. “O Meirelles conhece muito bem a economia, sabe em que pé o país está. É um ótimo economista, muito bem-sucedido, e que nunca se envolveu em corrupção, mesmo tendo trabalhado em vários governos. Admiro o fato de ele não prometer milagres”, afirma. Moradora de Riacho Fundo, a servidora aposentada lamenta o baixo desempenho de Meirelles nas pesquisas eleitorais. “Se o brasileiro não tivesse tão pouca percepção da política e não fosse tão fanático por partidos, conseguiria enxergar o compromisso dele.”

Sandra Lúcia Marques Conforti escolheu Geraldo Alckmin

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
» Para a aposentada Sandra Lúcia Marques Conforti, 57 anos, Geraldo Alckmin (PSDB) é o mais preparado para receber a faixa presidencial. A carioca, moradora de Águas Claras, votou no tucano em 2006, quando ele perdeu as eleições para Lula, e volta a apostar no candidato. Embora acredite que as chances do ex-governador de São Paulo sejam pequenas, ao que atribui ao isolamento dentro do próprio partido e da debandada dos aliados em direção ao PSL, ela tem esperança em uma virada na reta final. “Nada é impossível”, diz. As quatro gestões de Alckmin no estado de São Paulo são admiradas por Sandra, que destaca especialmente os investimentos em educação. “Ele construiu as melhores estruturas escolares lá. Também equilibrou as finanças e fez a reforma da Previdência no estado. Alckmin implementou políticas públicas inovadoras e tem como prioridade questões importantes, como combate ao crime organizado e investimento na saúde”, diz a eleitora. Sandra lamenta o desempenho do tucano. “Ele é, sem dúvida, o mais preparado.”

Soledade Moreira escolheu Alvaro Dias

(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
» A servidora pública aposentada Soledade Moreira trabalhou quase 30 anos no Congresso Nacional e, durante esse tempo, aprendeu a admirar o trabalho do senador Alvaro Dias (Podemos), que, com meio século de vida pública, disputa a Presidência pela primeira vez. “Eu não o conheço pessoalmente, mas posso dizer que ele é um homem extremamente íntegro, inteligentíssimo, que sempre lutou pelos anseios da população”, diz. “Ele tem todo o perfil para mudar o Brasil.” Soledade conta que acompanhou o desempenho de Alvaro no Legislativo e no governo do Paraná. “Ele deixou saiu de lá com mais de 90% de aprovação. O senador é extremamente honesto. Ele é o único que se dirige aos outros políticos como ‘ladrões da pátria’ e canalhas”, diz. Embora o senador apareça com 2% nas pesquisas, Soledade afirma que não confia nas enquetes. “Alvaro Dias seria um presidente para subir a rampa com orgulho. Uma pena que vivemos em um Brasil desvalorizado, atrasado, que não valoriza um homem que lutou contra toda essa corja que está aí.”

Gabriel Kleyrner escolheu Fernando Haddad

(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
» Primogênito de 10 irmãos, o estudante de Comunicação Organizacional Gabriel Kleyrner, 23 anos, acredita na educação como forma de transformação social e diz que, por isso, vai dar o voto ao ex-ministro da pasta no governo Lula, o professor universitário Fernando Haddad (PT). “Ele disse uma frase que me chamou atenção: uma arma destrói um criminoso, mas a educação destrói a criminalidade”, diz. Gabriel conta que estudou a vida toda em escolas públicas e conseguiu, com esforço, entrar para a Universidade de Brasília (UnB). “Sei o duro que eu dei. Foi só depois do PT que as pessoas pobres como eu, tiveram acesso às universidades federais ou de sair do país com bolsas de estudo. Agora, infelizmente, o governo (Michel) Temer reduziu o investimento na educação. Pego dois ônibus do Riacho Fundo II para a UnB, todos os dias, e não consigo auxílio-moradia na universidade, porque não há verba”, reclama o jovem, que trabalha no setor de hotelaria na madrugada para poder se manter. 

Lucas Barbosa Guimarães escolheu Marina Silva

(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
» Aos 20 anos, Lucas Barbosa Guimarães votará pela primeira vez. Escolheu Marina Silva (Rede) com base no comprometimento da candidata com a pauta ambientalista. “Muitas pessoas não percebem, mas a questão do meio ambiente afeta várias áreas, como saúde e economia”, observa o estudante de Filosofia. O morador do Cruzeiro Velho diz que já acompanhava o trabalho da professora, assim como o do candidato a vice, Eduardo Jorge, a quem admira. A preocupação com o bem-estar dos animais e do meio ambiente vem da infância, conta Lucas. “Meu pai me influenciou nesse sentido, mas, com o tempo, ele passou a se preocupar mais com economia”, lamenta. “É claro que a economia é importante, mas, no geral, só se pensa nisso e em falta de emprego. Não há preocupação com a devastação ambiental, com o excesso de agrotóxicos, com o problema das áreas indígenas”, enumera. Além da agenda ambiental, Lucas admira a história pessoal de Marina Silva. “Gosto da biografia dela. Nos debates, ela não fica atacando os outros”, diz. 

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