Publicidade

Correio Braziliense

Quais são os próximos passos de Haddad e Bolsonaro para o segundo turno?

Apesar de todo o favoritismo de Jair Bolsonaro para o segundo turno, daqui a 20 dias, o próprio candidato do PSL diz que tomará certos cuidados. Ele e Haddad, agora, também vão atrás daqueles que escolheram branco ou nulo ontem


postado em 08/10/2018 06:00 / atualizado em 08/10/2018 09:59

(foto: Kleber Sales/CB/D.A Press)
(foto: Kleber Sales/CB/D.A Press)

A fragmentada campanha presidencial será prorrogada por mais 20 dias com Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Pouco depois das 19h, com a primeira parcial da corrida ao Palácio do Planalto, a radiografia dos votos do capitão reformado no país mostrava que, por pouco menos de quatro pontos percentuais, a eleição iria para o segundo turno, uma incógnita para os eleitores de todos os partidos ao longo do dia. A polarização deixou pelo caminho Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), João Amoêdo (Novo), Cabo Daciolo (Patriotas), Henrique Meirelles (MDB), Marina Silva (Rede), Alvaro Dias (Podemos) e Guilherme Boulos (Psol).

Os números de Bolsonaro — quase 50 milhões de votos — o colocam como favorito na disputa, mas a campanha de segundo turno apresenta novos desafios, zerando o jogo em relação às alianças, ao tempo de televisão e aos debates, em paralelo às redes sociais. Às 21h30 de ontem, Ciro Gomes (13 milhões de votos) afirmou: “Minha história é a favor da democracia e contra o fascismo. Ele (Bolsonaro) não, com certeza”. A referência era um aceno a Haddad, que ontem recebeu cerca de 30 milhões de votos. O presidenciável do PSL deve ganhar o apoio da sigla de Amoêdo, que teve 2,6 milhões de votos.

A largada de Bolsonaro o leva, agora, à campanha mais tradicional. O primeiro lance é a contratação de um marqueteiro oficial e o aumento da equipe para uma eventual formação de ministério. Ele fez ontem um pronunciamento no Facebook ao lado de Paulo Guedes, que será o titular da Fazenda caso a chapa do PSL seja a vencedora. Ele também atacou as urnas eletrônicas, como já havia feito anteriormente. Disse que só não foi eleito presidente ontem por falhas nos aparelhos, sem especificar quais.

“Não podemos nos recolher. Vamos juntos ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) exigir soluções para isso que aconteceu. Foi muita coisa. Tenho certeza que, se esse problema não tivesse ocorrido, se tivesse confiança no sistema eletrônico, já teríamos o nome do novo presidente. O que está em jogo é a liberdade”, disse o deputado federal do PSL fluminense. Ele alertou para o fato de que, embora esteja em vantagem numérica, a disputa está longe de ser garantida. “Não vai ser fácil esse segundo turno. Eles têm bilhões para gastar”, alertou. E fez um aceno especial aos nordestinos, que deram vitória a Haddad no primeiro turno. “O que eu quero para o Nordeste é que uma região que, através do seu povo humilde, conservador e trabalhador, fique livre da mentira, fique longe da coação que sempre existe por parte do PT.”

Ponto fraco


Para o cientista político Leonardo Barreto, da consultoria Factual, Bolsonaro corre o risco de perder votos caso insista na falta de confiabilidade das urnas eletrônicas. “O eleitor pode vê-lo como mau perdedor”. Na avaliação de Antônio Augusto de Queiroz, diretor de Planejamento do Departamento Intersindical de Análise Parlamentar (Diap), embora a vantagem do candidato do PSL seja muito grande em relação ao petista, novos fatores vão entrar nessa nova fase eleitoral.

“A campanha foi muito baseada na emoção, em questões de costumes. Bolsonaro não apresentou propostas até agora. No segundo turno, se continuar assim, pode até mesmo perder a preferência de pessoas que votaram nele”, afirmou. Em pronunciamento após a definição do segundo turno, Haddad disse que o segundo turno será “oportunidade de ouro”. “Vamos discutir frente a frente, sem medo de ser feliz”, disse, acompanhado de palmas e manifestações de apoiadores. O ex-prefeito de São Paulo fez agradecimentos à família, aos eleitores e ao padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva.



Os dois candidatos estarão de olho também nas pessoas que não foram votar, ou que votaram em branco ou nulo. As abstenções somaram 20,32% do eleitorado em todo o país, um total de 29,6 milhões de votos. É algo próximo do que teve Haddad. Os eleitores que foram às urnas, mas decidiram invalidar a opção para presidente são 10,3 milhões (7,2 milhões de nulos e 3,1 milhões em branco), respectivamente 6,14% e 2,65%.

O mapa da votação revela que Bolsonaro ganhou em praticamente todos os estados do Centro-Oeste — ele conquistou 58,37% dos eleitores no Distrito Federal —, Sudeste e Sul, incluindo aí os três maiores colégios eleitorais: São Paulo, Minas e Rio de Janeiro. Hadadd ficou com a parte Norte e Nordeste, onde a Bahia está no quarto lugar no número de eleitores. A diferença levou a referências preconceituosas e de ódio contra habitantes das duas regiões, postados em redes sociais.

Nas redes


Dados da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV (Dapp/FGV) mostram que Bolsonaro teve 2,6 milhões de menções no Twitter, o dobro do registrado por Ciro e quase 10 vezes mais das referências ao petista Haddad. O pico do capitão reformado ocorreu às 18h, uma hora antes da abertura das urnas. Naquele momento, com os números de alguns estados abertos, analistas chegaram a levantar a possibilidade de vitória do capitão no primeiro turno, por causa de votações expressivas de candidatos a governos estaduais que receberam apoio do presidenciável do PSL.

A força de Bolsonaro pôde ser medida também na eleição para a Câmara dos Deputados. O PSL saiu de um eleito, em 2014, para 51 ontem. Enquanto isso, o PT elegeu 13 políticos a menos, ficando com 57. O MDB perdeu a metade, restando 33. Os tucanos viram sumir 24 cadeiras. Além do PSL, quem também cresceu foi o DEM, ficando com cinco vagas a mais se comparado com a performance de quatro anos atrás.

No Brasil

Jair Bolsonaro
46,03%
Fernando Haddad
29,28%
Ciro Gomes
12,47%

ACRE
Jair Bolsonaro    62,27%
Fernando Haddad    18,55%
Geraldo Alckmin    7,81%

ALAGOAS
Fernando Haddad    44,77%
Jair Bolsonaro    34,39%
Ciro Gomes    10,12%

AMAPÁ
Jair Bolsonaro    40,74%
Fernando Haddad    32,77%
Ciro Gomes    12,34%

AMAZONAS
Jair Bolsonaro    43,53%
Fernando Haddad    40,24%
Ciro Gomes    7,5%

BAHIA
Fernando Haddad    60,12%
Jair Bolsonaro    23,51%
Ciro Gomes    9,46%

CEARÁ
Ciro Gomes    40,96%
Fernando Haddad    33,11%
Jair Bolsonaro    21,75%

DISTRITO FEDERAL
Jair Bolsonaro    58,37%
Ciro Gomes    16,6%
Fernando Haddad    11,87%

ESPÍRITO SANTO
Jair Bolsonaro    54,76%
Fernando Haddad    24,2%
Ciro Gomes    9,54%

GOIÁS
Jair Bolsonaro    57,24%
Fernando Haddad    21,86%
Ciro Gomes    8,6%

MARANHÃO
Fernando Haddad    61,09%
Jair Bolsonaro    24,4%
Ciro Gomes    8,42%

MATO GROSSO
Jair Bolsonaro    60,04%
Fernando Haddad    24,76%
Ciro Gomes    5,59%

MATO GROSSO DO SUL
Jair Bolsonaro    55,06%
Fernando Haddad    23,87%
Ciro Gomes    8,04%

MINAS GERAIS
Jair Bolsonaro    48,31%
Fernando Haddad    27,65%
Ciro Gomes    11,64%

PARÁ
Fernando Haddad    41,36%
Jair Bolsonaro    36,22%
Ciro Gomes    10,03%

PARAÍBA
Fernando Haddad    45,46%
Jair Bolsonaro    31,3%
Ciro Gomes    16,75%

PARANÁ
Jair Bolsonaro    56,89%
Fernando Haddad    19,7%
Ciro Gomes    8,31%

PERNAMBUCO
Fernando Haddad    48,86%
Jair Bolsonaro    30,58%
Ciro Gomes    13,56%

PIAUÍ
Fernando Haddad    63,38%
Jair Bolsonaro    18,78%
Ciro Gomes    11,43%

RIO DE JANEIRO
Jair Bolsonaro    59,79%
Ciro Gomes    15,22%
Fernando Haddad    14,69%

RIO GRANDE DO NORTE
Fernando Haddad    41,19%
Jair Bolsonaro    30,21%
Ciro Gomes    22,31%

RIO GRANDE DO SUL
Jair Bolsonaro    52,63%
Fernando Haddad    22,81%
Ciro Gomes    11,37%

RONDÔNIA
Jair Bolsonaro    62,24%
Fernando Haddad    20,36%
Ciro Gomes    6,03%

RORAIMA
Jair Bolsonaro    62,92%
Fernando Haddad    17,93%
Geraldo Alckmin    6,92%

SANTA CATARINA
Jair Bolsonaro    65,82%
Fernando Haddad    15,13%
Ciro Gomes    6,68%

SÃO PAULO
Jair Bolsonaro    53,02%
Fernando Haddad    16,39%
Ciro Gomes    11,35%

SERGIPE
Fernando Haddad    50,09%
Jair Bolsonaro    27,21%
Ciro Gomes    13,02%

TOCANTINS
Jair Bolsonaro    44,64%
Fernando Haddad    41,12%
Ciro Gomes    7,17%

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade