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Correio Braziliense

Centrão se aproxima de Bolsonaro; Haddad deve ir atrás do PDT e de nanicos

Alianças para o segundo turno devem favorecer Bolsonaro, vencedor da primeira rodada de votação. Centrão se encaminha para apoiá-lo, enquanto Haddad possivelmente contará com o suporte do PDT e de legendas nanicas


postado em 08/10/2018 06:05 / atualizado em 08/10/2018 05:58

Apoiadores de Bolsonaro, que deve ter o reforço do Centrão no segundo turno. Outros nanicos também podem se unir à campanha(foto: EVARISTO SA/AFP)
Apoiadores de Bolsonaro, que deve ter o reforço do Centrão no segundo turno. Outros nanicos também podem se unir à campanha (foto: EVARISTO SA/AFP)

O segundo turno promete numerosos diálogos e articulações políticas em torno das candidaturas de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Muitas conversas estão por vir, mas o vencedor do primeiro turno deve ser o mais favorecido nas costuras. O Centrão, que embarcou na candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), deve apoiar a campanha do capitão reformado do Exército. Já o petista deve contar com o suporte do PDT, de Ciro Gomes, e de legendas nanicas da esquerda, como o PSol, de Guilherme Boulos.

A maior incerteza para o processo de alianças é se o Centrão — bloco formado por PP, DEM, PRB, PR e Solidariedade — se manterá unido no segundo turno. Mas, para o especialista em política eleitoral David Fleischer, professor da UnB, a tendência é de que permaneçam juntos, unidos a Bolsonaro. “Se Haddad tivesse liderado o primeiro turno, poderia haver uma adesão maior ao oportunismo do Centrão em torno da campanha petista. Mas Bolsonaro chega ao segundo turno com mais de 46% dos votos válidos”, sustentou.

A cúpula do PR e do PP é próxima do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), porém a base é composta por deputados afeiçoados a Bolsonaro. Isso deve levar os caciques a não se indispor com a grande maioria, analisa Fleischer. O PRB, liderado por evangélicos, deve ficar com o militar reformado. O DEM, que já conta com deputados como Onyx Lorenzoni (RS) apoiando o presidenciável, deve permanecer com os outros partidos. A dúvida é se o Solidariedade, que flertou com Ciro no primeiro turno, também se mantém junto das outras quatro legendas.

O Centrão não é o único que deve embarcar na candidatura de Bolsonaro. Outros nanicos também podem se unir à campanha. Ontem, o candidato do Novo, João Amoêdo, negou apoio ao PT e sinalizou uma possível aliança com o presidenciável do PSL. “O que vai pautar qualquer decisão é a pauta de trabalho. A gente precisa entender um pouco mais as ideias do Bolsonaro”, disse. Ele foi o quinto mais votado, com quase 2,7 milhões de votos — 2,54% dos votos válidos.

As agendas conservadoras e religiosas também podem aproximar Bolsonaro do Patriota, partido de Cabo Daciolo, avaliam analistas. O candidato conquistou 1,3 milhão de votos, 1,26% dos válidos. Pelo mesmo motivo, o PSC, que se uniu no primeiro turno ao Podemos, de Alvaro Dias, deve se unir ao presidenciável do PSL. “Temos algumas coisas a discutir internamente, mas a tendência é de que caminhemos com Bolsonaro”, afirmou um interlocutor da legenda.

Os confrontos entre postulantes aos governos estaduais no segundo turno terão peso importante para a definição das alianças em nível presidencial. As legendas vão avaliar o peso que uma decisão de apoio a Bolsonaro ou Haddad pode ter nas unidades da Federação. Por esse motivo, a liderança no primeiro turno do candidato ao governo do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC) pode definir o suporte da legenda ao deputado federal. “Fomos apoiados direta e indiretamente pela família Bolsonaro. Pode ser que tenha influência na decisão final”, disse o interlocutor.


“Ele não”

O expressivo desempenho do capitão reformado no primeiro turno deve unir a esquerda. O cientista político Ricardo Ismael, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), lembrou que o último debate entre os presidenciáveis já apontava uma união entre PSol e PT. “O adversário em questão vai unir a esquerda e trazer também Ciro Gomes”, avaliou.

A sinalização de apoio a Haddad foi dada ontem por Ciro após a confirmação do segundo turno entre PT e PSL. “Uma coisa eu posso adiantar logo, como vocês já viram: minha história de vida é uma história de vida de defesa da democracia e contra o fascismo”, antecipou. Ainda disse que “ele não, sem dúvida”, quando questionado se alguma hipótese estava descartada.

O PSDB e a Rede devem optar pela neutralidade e se encaminhar na contramão das demais legendas. Os três partidos, que somaram cerca de 6,6% dos votos válidos, ainda vão discutir internamente os caminhos a serem adotados, mas a abstenção ao apoio de Bolsonaro e Haddad é uma hipótese que não será descartada.

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