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Correio Braziliense

Na largada do segundo turno, Bolsonaro abaixa o tom e Haddad veta Dirceu

Em entrevista ao Jornal Nacional, os dois concorrentes ao Palácio do Planalto tratam de temas espinhosos da campanha. Candidato do PSL promete não mexer no Bolsa Família. Já o petista descarta nova Constituição e critica José Dirceu


postado em 08/10/2018 21:21 / atualizado em 08/10/2018 21:27

(foto: Reprodução/TV Globo)
(foto: Reprodução/TV Globo)
 
Os dois candidatos que avançaram ao segundo turno da eleição presidencial, Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) foram entrevistados na noite desta segunda-feira (8/10) no Jornal Nacional, da Rede Globo. Enquanto o petista tentou se distanciar do ex-ministro Zé Dirceu, o deputado e capitão da reserva acenou para duas fatias do eleitorado em que teve desempenho pior: mulheres e nordestinos.

Logo nas considerações iniciais, Bolsonaro agradeceu aos eleitores do Nordeste — única região do país em que não teve maioria dos votos — e disse que só não teve desempenho melhor no local por conta de "fake news". "Não pretendemos acabar com o Bolsa Família", disparou. Em relação às mulheres, o candidato do PSL afirmou que pretende "jogar pesado na questão da insegurança pública e fazr com que a mulher se sinta protegida". Ele também reforçou o discurso com nichos do eleitorado que já lhe pertencem, citando uma passagem bíblica, agradecendo a lideranças evangélicas, policiais e integrantes das forças armadas e dizendo querer que "a inocência da criança em sala de aula seja preservada".

Depois, o deputado foi questionado sobre declarações do vice de sua chapa, o general Mourão, que já havia aventado a possibilidade de fazer uma nova Constituição com notáveis indicados pelo presidente e de o presidente dar um autogolpe. Bolsonaro respondeu: "Ele é general, eu sou capitão, mas eu sou o presidente". "Eu o desautorizei nesses dois momentos. Jamais posso admitir uma nova constituinte", acrescentou.

Em relação ao autogolpe, Bolsonaro — que errou o nome do vice em duas oportunidades, chamando-o de Augusto Mourão, quando seu nome, na verdade, é Antônio Hamilton Martins Mourão — disse não ter entendido "o que ele quis dizer", mas rechaçou a possibilidade. "Falta [a ele] tato, vivência com a política", afirmou. "Nesses dois momentos, ele foi infeliz. Deu uma canelada", completou.

Já Fernando Haddad fez um discurso em defesa da democracia. Desautorizou o ex-ministro José Dirceu, que em entrevista ao jornal El País, afirmou que "é uma questão de tempo" para o PT "tomar o poder". "Dentro do país é uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição", disse ele, quando questionado sobre o que acha da possibilidade de o PT "ganhar mas não levar" as eleições. Haddad afirmou que Dirceu não participa do comando de campanha dele e não participará do governo, caso seja eleito.

O candidato do PT ao Palácio do Planalto também afirmou que reviu a proposta de convocar uma Assembleia Nacional Constituinte. "Vamos fazer as reformas por meio de emendas constitucionais. Serão duas: primeiro, a tributária. Quem paga mais imposto é  o pobre, os muito ricos não pagam quase nada. A outra é a bancária. Não dá para viver com a concentração de bancos que temos no país", afirmou, citando que mantém o compromisso de isentar do Imposto de Renda quem ganha até cinco salários mínimos.

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