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Correio Braziliense

Analistas avaliam que governadores eleitos terão papel decisivo

Governadores eleitos no primeiro turno têm potencial para impulsionar o desempenho dos candidatos ao Planalto na rodada final do pleito


postado em 09/10/2018 06:00 / atualizado em 09/10/2018 06:45

Como a polarização é grande, analistas avaliam que os governadores terão de se engajar neste segundo turno(foto: Ed Alves/CB/DA Press)
Como a polarização é grande, analistas avaliam que os governadores terão de se engajar neste segundo turno (foto: Ed Alves/CB/DA Press)


O apoio dos governadores já escolhidos pela população pode se tornar essencial no desempenho dos presidenciáveis que chegaram ao segundo turno. Analistas políticos explicam que, para os eleitos já no primeiro turno, o processo eleitoral não é mais uma questão de “sobrevivência”, mas de ampliação do engajamento. No entanto, a configuração dos apoios políticos aos candidatos ao Planalto não deve mudar consideravelmente, em especial, na Região Nordeste.

Para o cientista político da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Geraldo Tadeu Monteiro, os governadores eleitos no primeiro turno correm um risco menor por se posicionarem a favor de algum presidenciável. Assim, a missão deles será a busca pela ampliação do espectro político. “Mesmo que o candidato dele perca, ele vai demonstrar que tem controle do eleitorado do estado. É um jogo vantajoso para os governadores já eleitos. Eles só tendem a ganhar”, afirma.

O professor não vê uma possível mudança no apoio aos postulantes à Presidência que não seja por parte de algum governador de partidos do Centrão. E, mesmo assim, diz ser pouco provável. “Aqueles que já apoiavam o Haddad no primeiro turno, talvez não tenham tanta margem para optar. Também não vejo, por exemplo, o PSB andando ao lado de Bolsonaro. Há uma limitação nesse movimento”, ressalta.

Monteiro entende que a decisão de apoiar um ou outro candidato não é exclusiva do eleito. Ele lembra que os caciques políticos do Nordeste dificilmente vão ficar com Bolsonaro. A região tem uma penetração maior do ex-presidente Lula, do PT, e, por consequência, de Fernando Haddad. “Essa decisão não é totalmente livre do candidato, tem de levar em consideração a questão partidária, o fator histórico do partido, a coligação”, explica.

No entanto, os governadores não vão conseguir, necessariamente, transferir os votos do estado para os presidenciáveis. É o que destaca o cientista político da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Homero de Oliveira. Como há uma fragmentação muito grande, o professor entende que os partidos tendem a se dedicar mais no segundo turno. “É fundamental que eles se engajem. Bolsonaro deve se reforçar no Sul, e Haddad, no Nordeste”, acredita.

Ele diz que os chefes do Executivo estadual terão um papel importante com relação à população. Mesmo que a transferência dos votos não seja garantida, há uma inclinação maior do estado em votar de acordo com a força do político eleito no primeiro turno.

Influência

As bancadas federais sempre receberam pressões dos governadores para conseguirem mais recursos, por meio das emendas parlamentares, e para votar a favor de uma determinada pauta que transite no Congresso Nacional e seja de interesse do estado. Porém, Oliveira ressalta que esse apoio, por vezes, não é garantido. “Nem sempre do ponto de vista estadual o governador tem o controle absoluto dos deputados federais. Ele precisa dessas bancadas, mas não tem controle absoluto sobre elas”, afirma. “No Rio Grande do Norte, por exemplo, foram eleitos dois deputados federais do PT e seis de outros partidos. A candidata na liderança é do PT e pode ter uma dificuldade com relação a essa bancada”, emenda.

Geraldo Tadeu Monteiro ressalta que os deputados não tendem a desprezar de imediato o apoio dos chefes do Executivo local. “Os governadores possuem muito poder em seus estados, e os deputados federais precisam, de algum modo, do apoio de seu governador”, frisa.

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