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Correio Braziliense

General recomenda humildade à campanha de Jair Bolsonaro

Ao comentar o favoritismo de Bolsonaro no segundo turno, Augusto Heleno, cotado para assumir o Ministério da Defesa num eventual governo do presidenciável do PSL, diz que um time não pode entrar em campo já com a faixa de campeão


postado em 10/10/2018 06:00

General Heleno, um dos principais conselheiros de Bolsonaro: 'A campanha ainda não acabou, ao contrário'(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
General Heleno, um dos principais conselheiros de Bolsonaro: 'A campanha ainda não acabou, ao contrário' (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Um dos principais integrantes do núcleo duro da equipe do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), o general Augusto Heleno disse ontem que, a despeito do clima de favoritismo, é preciso manter o foco na campanha. “No futebol, ninguém entra em campo com a faixa de campeão. A mesma coisa pode ser dita em relação à eleição. Temos ainda 15 dias até as urnas”, disse o militar em entrevista ao Correio. A euforia na equipe e entre os apoiadores do capitão reformado, reforçada pelos índices positivos da Bolsa e pela queda do dólar, ocorre por dois motivos. O primeiro é mais óbvio, dado o resultado francamente favorável ao deputado federal, que obteve 46,06% dos votos válidos no último domingo. O segundo, é a baixa capacidade de reação entre os petistas, principalmente em relação ao anúncio de integrantes da equipe econômica de um eventual governo a partir do próximo ano (leia mais na página 4).

“Estamos no momento de reunir dados, produzir análises e pensar o tempo final de campanha, que ainda não acabou, ao contrário.” Parte da equipe, formada pelos filhos de Bolsonaro e políticos do PSL, começa a definir o tom do programa eleitoral com marqueteiros consultados (leia reportagem abaixo). Os primeiros nomes do time econômico e de postos-chaves, como o do Itamaraty, começam a ser sondados, inclusive com menor valor do ponto de vista orçamentário, mas não menos importante em relação à visibilidade, como o do Turismo. “A intenção é mostrar que o projeto de Bolsonaro não é algo de apenas uma pessoa, mas tem apoios em várias áreas”, disse um integrante da parte de comunicação da campanha, que defendeu, desde o início, a ideia dos anúncios antecipados do time. O acerto foi que o guru de Bolsonaro na área econômica, Paulo Guedes, teria liberdade para escolher a equipe, sondada, principalmente, entre executivos de teles, bancos e empresas de investimentos. Os demais cargos seriam definidos a partir da escolha direta do capitão reformado.

A principal cadeira do Itamaraty, segundo o Correio apurou, deve ser ocupada pelo embaixador do Brasil em Seul, Luís Henrique Sobreira Lopes, ministro de primeira classe do Ministério das Relações Exteriores. Outro cotado seria o diplomata Ernesto Fraga Araújo. Diretor do Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos do Itamaraty, ele havia enviado à cúpula da campanha de Bolsonaro um artigo sobre Trump e o Ocidente, que deixou os responsáveis pelo programa de governo e análises bem impressionados. “Estamos conversando com várias pessoas, que têm demonstrado interesse em colaborar, alguns deles com postos no atual governo, mas a definição do time só deve ocorrer no final da eleição”, disse um integrante da campanha, que é dividida entre grupos de Brasília e do Rio de Janeiro.


Educação


Outro cotado é o empresário Roberto Medina, que ficaria responsável pela Secretaria de Turismo, vinculada ao Ministério de Indústria e Comércio num eventual governo Bolsonaro. Ontem, em entrevista à Rádio Jovem Pan, o capitão reformado disse que busca um nome que tenha autoridade para comandar o Ministério da Educação. “Estou procurando alguém para ser ministro da Educação que tenha autoridade, que expulse a filosofia de Paulo Freire, que mude os currículos escolares”, disse. E concluiu: “Para aprender química, matemática, português, e não sexo”.

Bolsonaro fez duras críticas ao PT que, segundo ele, tem interesse em manter desinformação na sociedade para prendê-la ao Bolsa Família. Mesmo com a crítica, o presidenciável disse que pretende ampliar esse programa social, combatendo desvios. O candidato também afirmou que costuma ser chamado de extremista, mas que, na verdade, seus oponentes é que são. “Os apaixonados pela Venezuela, por Cuba, são eles”, disparou.

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