Publicidade

Correio Braziliense

Haddad resiste em anunciar nomes que farão parte da equipe econômica

Candidato petista evita fechar nomes, enquanto negocia apoio de partidos. Reunião do PDT será hoje. Mas há também preocupação de que um alguém ligado ao mercado agregaria poucos e faria perder respaldo de outros


postado em 10/10/2018 06:00 / atualizado em 10/10/2018 10:21

(foto: Flavio Florido/AFP)
(foto: Flavio Florido/AFP)

O candidato do PT ao Planalto, Fernando Haddad (PT), resiste a  anunciar nomes que integrarão a equipe econômica, caso venha a ser eleito, estratégia aposta ao do adversário dele, Jair Bolsonaro (PSL). Em parte, isso se deve ao fato de que as escolhas podem ser influenciadas pelas alianças que ainda estão em discussão, embora a dificuldade vá além disso.

Hoje, a Executiva do PDT se reúne em Brasília para discutir se apoia ou não Haddad no segundo turno — e, caso apoie, em que termos. Ciro Gomes estará presente à reunião, assim como o economista Mauro Benevides Filho, que seria a escolha de Ciro para o Ministério da Fazenda, caso vencesse.

A demora na decisão, porém, também ocorre por se avaliar que isso faria pouca diferença para conquistar votos hoje. Afinal, diferentemente do que se via em 2002, não há mais necessidade de o PT dar garantias de que não haverá decisões radicais, como calote na dívida pública. Por sua vez, não se pode esperar seduzir empresários e banqueiros com um nome de cunho liberal, porque Bolsonaro já fez isso ao escolher Paulo Guedes como seu guru econômico.

O economista-chefe da Spinelli Investimentos, André Perfeito, afirma que o mercado, dificilmente, vai apoiar Haddad. Mas ressalva que, ainda assim, cabe ao candidato do PT deixar seu programa mais claro. “Vários pontos precisam ser esclarecidos, tanto para o mercado quanto para o eleitor, que ainda não sabe qual será a agenda do governo petista”, diz. “O plano do PT para a economia foi bastante radicalizado, e o próprio Haddad está relativizando o documento. Então, cabe a ele decidir para que direção vai.”

Para a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, a escolha de nomes poderia ajudar. Ela destaca que a equipe de Haddad precisa ter um perfil fiscalista, que defenda o ajuste fiscal, a reforma da Previdência, o menor intervencionismo estatal e que seja a favor de privatização. “É preciso que tenha tudo aquilo a que o PT sempre se opôs”, destaca. “Haddad só conseguirá reverter essa ‘fama’ de que o partido tem de prejudicar as contas públicas, se ele anunciar esse nome reformista logo. Mas, isso é pouco provável, pois ele corre o risco de perder apoio de sua base.”

A escolha imediata é importante, frisa a economista, não só como preocupação eleitoral, mas também do ponto de vista da governabilidade, caso o PT vença o pleito. Se um nome de peso for anunciado depois, não será suficiente para evitar uma piora expressiva do risco Brasil. Solange ressalta ainda que o partido deveria ter feito uma autocrítica não só quanto à corrupção, mas também quanto às escolhas econômicas para minimizar a aversão do mercado. “Nunca apontaram os erros da nova matriz econômica, no governo Dilma, ou mesmo a mudança na direção econômica depois da saída de Antonio Palocci do governo. As críticas do PT são exatamente à política econômica adotada pós-impeachment”, avalia.

Reavaliação


Thiago Figueiredo, gestor da Horus GGR, afirma que o petista só conseguirá obter votos de centrodireita, pulverizados com Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB) e João Amoêdo (Novo), se reavaliar o plano de governo, algo que beira o impossível. “Teria de colocar isso no papel. Da forma que está, nenhum nome com perfil que agrade ao mercado toparia assumir a equipe de Haddad”, diz o economista. “Sabemos que o PT procura alternativas para diminuir o deficit nas contas públicas, mas é preciso ter dimensão da real situação. O Brasil está precisando de medidas urgentes. Terão de ser mais assertivos e colocar algo no papel, como fez Lula em 2002”, ressalta.

Em entrevista à Rádio Guaíba, Haddad disse que não colocaria um banqueiro como ministro da Fazenda. Segundo ele, teria de ser alguém ligado à produção. Figueiredo ressaltou que, só nesta declaração, o candidato prejudica o apoio de vários nomes que poderiam auxiliá-lo. “É preciso ter uma equipe econômica que tenha passado. Colocar pessoas teóricas não dá garantias de eficiência”, avisa.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade