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Correio Braziliense

As novas caras que estarão no Senado pelos próximos oito anos

Renovação foi o lema de campanha mais vitorioso na disputa pelas 54 cadeiras em jogo no Senado, no último domingo. Entre os eleitos, apresentamos nove que são estreantes em qualquer tipo de cargo conquistado pelo voto popular


postado em 10/10/2018 06:00

Plenário do Senado vazio: novos nomes no ano que vem (foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press)
Plenário do Senado vazio: novos nomes no ano que vem (foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press)

Eles nunca tinham vencido uma eleição, mas vão debutar na metade mais exclusiva do Congresso Nacional. O Correio apresentará os 54 vitoriosos na corrida pelo Senado, em 2018. Começamos com nove candidatos que jamais tinham conquistado um cargo eletivo, mas captaram a insatisfação dos brasileiros com a política profissional e desbancaram nomes estabelecidos.
É o caso, por exemplo, do Jornalista Carlos Viana, eleito pelo PHS em Minas Gerais. Até a última pesquisa de intenções de voto, a disputa era liderada com alguma vantagem pela ex-presidente Dilma Rousseff, do PT — que acabou na quarta colocação, quando as urnas foram abertas.

No Distrito Federal, a campeã de votos foi Leila do Vôlei (PSB), que deixou para trás o ex-governador e ex-ministro Cristovam Buarque (PPS), que tentava a reeleição. Há quatro anos, a campeã das quadras tinha tentado uma vaga na Câmara Legislativa, mas teve de se contentar com uma suplência. Estreante no parlamento, ela foi secretária de Esportes no governo de Rodrigo Rollemberg.

Em comum, vários dos calouros nas urnas viram a campanha decolar conjugando o binômio segurança pública e combate à corrupção, e surfando na onda que levou ao Congresso uma bancada numerosa alinhada com o vitorioso no primeiro turno da disputa presidencial, Jair Bolsonaro (PSL). Duas mulheres do Centro-Oeste, Selma Arruda (MT) e Soraya Thronicke (MS), estão entre os quatro senadores que integrarão a inédita representação da legenda do capitão reformado na casa.

Seleção de calouros

(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Leila do Vôlei (PSB)

Colecionadora de vitórias nas quadras e nas areias, Leila Gomes de Barros, mais conhecida como a Leila do Vôlei (PSB), 47 anos, será a primeira mulher a ocupar uma cadeira no Senado pelo Distrito Federal. Nascida em Taguatinga, a cerca de 25km de Brasília, ela defendeu a seleção brasileira de vôlei de 1990 
a 2000. Entre os torneios que disputou, foi campeã dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, em 1999, e medalha de bronze nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996, e Sidney, em 2000. Após deixar as quadras, jogou vôlei de praia até 2003. A primeira incursão na política foi em 2014, quando concorreu a uma vaga de deputada distrital, mas ficou como suplente. Na eleição deste ano, foi a mais votada para o Senado e venceu o senador, ex-governador do DF e ex-ministro Cristovam Buarque (PPS). O eixo central de sua plataforma eleitoral foi a valorização do esporte como atividade importante para as áreas da saúde, educação, segurança pública e trabalho.

(foto: Reprodução/Internet)
(foto: Reprodução/Internet)

Fabiano Contarato (Rede)

Candidato ao Senado mais votado no Espírito Santo, Fabiano Contarato (Rede), 52 anos, nasceu em Nova Venécia, é graduado em direito e pós-graduado em direito penal e direito processual penal. Atualmente, é corregedor-geral do Estado e professor da Universidade 
de Vila Velha. Mas Contarato passou a ser conhecido a partir do trabalho como titular da Delegacia de Delitos de Trânsito, cargo que ocupou até setembro de 2014. Nesse mesmo ano, foi lançado pelo PR como candidato ao Senado, mas retirou a candidatura alegando motivos pessoais. Foi diretor-geral do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES) até agosto de 2015, quando pediu exoneração do cargo. O senador eleito defende as reformas do Código Penal e do Código de Trânsito para, segundo diz, acabar com a impunidade. Também propõe, entre outras iniciativas, a criação de políticas de incentivo aos bons motoristas e a prestação de assistência social para vítimas da violência no trânsito.

(foto: Reprodução/Internet)
(foto: Reprodução/Internet)

Marcos do Val (PPS)

O instrutor de segurança Marcos do Val (PPS), 37 anos, nasceu em Vitória (ES) e iniciou a carreira como militar do Exército, no 38º Batalhão, aos 19 anos. Em 2000, após desenvolver uma técnica voltada para policiais, foi convidado para atuar como instrutor da polícia americana e recebeu o título de membro de honra da Swat — uma das unidades da corporação. Também participou do treinamento da equipe antiterrorismo da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) e 
foi instrutor em países da Europa, como Itália, França e Portugal. Atualmente morando em Vitória, é estreante na política e defendeu, durante a campanha, uma grande renovação do Senado. A principal bandeira levantada para conquistar os votos dos capixabas foi a adoção de leis mais rígidas para combater o crime. Nessa linha, propôs a redução da maioridade penal, mais investimentos para a segurança pública e a revisão do Estatuto do Desarmamento.

(foto: Reprodução/Internet)
(foto: Reprodução/Internet)

Selma Arruda (PSL)

Nascida em Camaquã, no Rio Grande do Sul, a juíza aposentada Selma Arruda (PSL), 55 anos, foi a mais votada na disputa pelo Senado em Mato Grosso. Grande surpresa do pleito, ela ficou à frente do ex-governador, ex-senador e ex-prefeito Jayme Campos (DEM), que conquistou a segunda vaga do estado nesta eleição. Membro do mesmo partido do presidenciável Jair Bolsonaro, ela defende a liberação do acesso às armas para “pessoas de bem”, como propõe o capitão reformado, e fez uma campanha eleitoral focada no combate à criminalidade e à corrupção. Selma Arruda ficou conhecida do público como a juíza da Sétima Vara Criminal de Cuiabá que ordenou a prisão de figurões da política mato-grossense, entre os quais o ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva, e o ex-governador Silval Barbosa. No entanto, para ela, as decisões que proferiu não surtiram o efeito desejado na sociedade. Por isso, explica, concorreu ao Senado para endurecer as leis.

(foto: Reprodução/Facebook)
(foto: Reprodução/Facebook)

Jornalista Carlos Viana (PHS)

Nascido em Braúnas, em Minas Gerais, Jornalista Carlos Viana (PHS), 55 anos, dedicou 23 deles ao jornalismo em televisão, rádio, jornais e revistas. É também especialista em estratégia e professor universitário. Com a carreira na televisão iniciada em 1990, tem passagens pela Rede Minas, pela TV Globo em Minas e na Bahia e pela TV Alterosa, dos Diários Associados. Em 2004, foi editor-chefe do National - The Brazilian Newspaper, nos Estados Unidos. Atualmente, apresenta os programas MG Record, na TV Record Minas, e Plantão da Cidade, na Rádio Itatiaia. Estreante na vida pública, disse em entrevista recente ao jornal Estado de Minas que a falta de experiência política seria uma vantagem na disputa: “O eleitor quer renovação”. Viana é contra o que chama de “ideologia de gênero” nas escolas e a favor da redução da maioridade penal.

(foto: Reprodução/Internet)
(foto: Reprodução/Internet)

Professor Oriovisto Guimarães (Podemos)

Eleito senador pelo Paraná, o Professor Oriovisto Guimarães (Podemos) é um empresário de 73 anos, nascido em Batatais, em São Paulo. Ele é um dos que fundaram, em 1972, o Curso Positivo, que fez história entre os pré-vestibulares de Curitiba. Desde então, o empreendimento se desdobrou em um conglomerado que atualmente reúne gráfica, editora de materiais didáticos, universidade e fabricante de celulares e equipamentos de informática, entre outras iniciativas. É ex-presidente do Grupo Positivo e 
ex-reitor da Universidade Positivo. Quando jovem, participou de movimentos estudantis que combatiam a ditadura militar (1964-1985). Apesar de ter sido filiado ao PSDB por mais de 10 anos, nunca tinha disputado uma eleição ou ocupado cargo público. Durante a campanha, focou na necessidade de renovação da política, com críticas à “impunidade” de corruptos e ao desvio de recursos públicos para “as mordomias dos palácios dos governantes ou para obras superfaturadas”.

(foto: Reprodução/Internet)
(foto: Reprodução/Internet)

Capitão Styvenson (Rede)

Senador eleito com a maior votação no Rio Grande do Norte, Capitão Styvenson (Rede), 41 anos, nasceu em Rio Branco, no Acre. Capitão da Polícia Militar do Rio Grande do Norte desde 2003, ingressou no Comando de Polícia Rodoviária Estadual em 2009. Entre 2012 e 2016, ficou conhecido pelo rigor na coordenação da Operação Lei Seca. Mais recentemente, Capitão Styvenson atuou na Zona Oeste de Natal, com a segurança escolar. Durante a campanha eleitoral, vangloriava-se de ter aberto mão de tempo de tevê e rádio, da verba partidária e da estrutura utilizada pelo partido. Tudo isso, segundo ele, “para mostrar que política se faz com pessoas que acreditam no trabalho, e não no dinheiro”. Suas bandeiras são “educação, segurança pública, honestidade, caráter, limpeza e moralidade”. “Quero devolver às pessoas a dignidade que elas perderam.”

(foto: Reprodução/G1)
(foto: Reprodução/G1)

Soraya Thronicke (PSL)

Eleita senadora por Mato Grosso do Sul, a advogada Soraya Thronicke (PSL), 45 anos, é estreante na política. Durante a campanha, apresentou-se como a única candidata do presidenciável Jair Bolsonaro no estado. Nascida em Dourados (MS), filha das duas famílias 
mais tradicionais do município, é sócia em 
um escritório de advocacia, com atuação em questões ligadas ao agronegócio, aos direitos de empresa, família e sucessões, representando famílias, mulheres, crianças e adolescentes 
em situação de risco, entre outras atividades. Participa, há vários anos, dos movimentos democráticos de rua, tendo liderado protestos contra a corrupção e patrocinado iniciativas judiciais contra abusos de poder e ilegalidades, entre elas uma ação popular contra a JBS, os irmãos Batista e o estado de Mato Grosso do Sul, na qual conseguiu o bloqueio de R$ 730 milhões, dos quais já foram reconhecidos R$ 270 milhões, dinheiro que voltará aos cofres do estado. O combate à corrupção é sua principal bandeira.

(foto: Reprodução/Internet)
(foto: Reprodução/Internet)

Delegado Alessandro Vieira (Rede)

Senador mais votado em Sergipe, Delegado Alessandro Vieira (Rede), 43 anos, é gaúcho nascido em Passo Fundo. Com a bandeira do combate à corrupção, anuncia que pretende trabalhar com “as pessoas de bem que querem mudar tudo”. Formado em direito, ingressou na Polícia Civil como delegado e esteve à frente de várias delegacias sergipanas, entre elas a de Crimes Cibernéticos, da qual foi o primeiro titular. Também chefiou a Coordenadoria Geral de Perícias (Codep), atual Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal (Ceacrim) do Departamento de Defraudações e Combate à Pirataria, e assessorou a Superintendência de Polícia Civil. Antes disso, comandou o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Entre as propostas para a segurança pública em Sergipe, defende a implantação de um plano de segurança integrado envolvendo desde os guardas municipais às Forças Armadas. Prometeu ainda lutar para a punição dos gestores que não realizarem concurso público.

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