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Correio Braziliense

'Bolsonaro bota raposa para cuidar do galinheiro', diz Haddad sobre Guedes

Ao falar da composição de seu ministério, caso seja eleito, Haddad disse também que a ideia de não colocar um banqueiro no ministério da Fazenda tem a finalidade de colocar em execução a reforma bancária, a fim de gerar emprego


postado em 10/10/2018 10:42 / atualizado em 10/10/2018 12:29

O candidato do PT foi mais uma vez indagado se soltaria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva(foto: Nelson Almeida/AFP)
O candidato do PT foi mais uma vez indagado se soltaria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (foto: Nelson Almeida/AFP)
 

 

O presidenciável pelo PT, Fernando Haddad, voltou a atacar o guru econômico de seu adversário neste segundo turno, Jair Bolsonaro (PSL), em entrevista à rádio Caruaru. Reiterando que não pretende colocar um banqueiro no Ministério da Fazenda, caso vença este pleito, o ex-prefeito provocou o capitão da reserva, dizendo que colocar o economista Paulo Guedes nessa pasta, conforme Bolsonaro já propagou, é "botar a raposa pra cuidar do galinheiro". E emendou: "Eu não farei isso, não vou colocar um banqueiro como ministro da Fazenda, terei um ministério comprometido com o povo."

Ao falar da composição de seu ministério, caso seja eleito, Haddad disse também que a ideia de não colocar um banqueiro no ministério da Fazenda tem a finalidade de colocar em execução a reforma bancária, a fim de gerar emprego. "O juro vai baixar, de todo jeito, os bancos vão parar de esfoliar o povo. Meu ministro da Fazenda fará a reforma tributária que cobre dos ricos que não pagam. Meu ministro da Fazenda, ao contrário do Paulo Guedes, lá do Bolsonaro, não vai ser banqueiro, será comprometido com a população, vai respeitar os nordestino, as mulheres, a diversidade racial do Brasil e os direitos sociais e trabalhistas."

Na entrevista concedida por telefone à rádio de Caruaru, cidade situada no agreste de Pernambuco, o candidato do PT foi indagado se soltaria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está há seis meses preso na sede da Polícia Federal de Curitiba, se eleito. "Quem vai soltar Lula é a Justiça, quando tiver seu recurso julgado. Todo mundo tem direito ao recurso, à apelação, vocês estão prejulgando alguém que ainda não foi julgado em definitivo. Leiam o processo e me indiquem aonde está a prova contra o presidente", destacou.

Haddad defendeu também a continuidade das operações deflagradas pela Polícia Federal, citando que, no governo petista, essas operações superaram a casa das duas mil, enquanto na gestão do tucano Fernando Henrique Cardoso ficaram em torno de 40.

"Nenhum integrante de qualquer partido deixou de ser investigado (na gestão petista), a PF atuou de maneira eficaz no sistema inteiro. Especificamente sobre Lula, eu li o processo inteiro e tenho certeza que o tribunal superior irá rever a sentença, não vi prova contra ele. (Isso é) inclusive reconhecido por centenas de juristas daqui e do exterior. Lula foi o maior presidente da história do Nordeste e merece ter um julgamento justo; que apresentem as provas contra ele. No mais, é fortalecer PF e MP e o Poder Judiciário, que receberão todo apoio para não botar sujeira embaixo do tapete, em busca da verdade, é isso que farei."

Na entrevista, o candidato do PT falou também que chamar o Programa Bolsa Família de esmola é um preconceito. "Isso é um direito", disse. Haddad destacou que além de privilegiar os menos favorecidos, os governos do PT geraram mais empregos na história do País do que qualquer outra gestão, com 20 milhões de empregos em 12 anos. "Nós sabemos gerar emprego, por isso vamos primeiro fazer a reforma bancária."

'Temer piorado'

Haddad também procurou associar o time do adversário Jair Bolsonaro (PSL) à política do governo Michel Temer. Em entrevista à imprensa estrangeira na manhã desta quarta-feira (10/10), Haddad associou o emedebista ao economista Paulo Guedes, um dos principais conselheiros do candidato do PSL e provável ministro da Fazenda num eventual governo do capitão reformado.

 

"Paulo Guedes é o Temer piorado. E nós vamos reverter essa política", afirmou Haddad, acrescentando que a agenda proposta por Guedes é a "agenda do Temer aprofundada". 

 

Questionado sobre os erros cometidos pelo próprio PT durante sua permanência no governo federal, Haddad afirmou que o partido deveria ter enfrentado desde o início as questões relacionadas ao financiamento privado das campanhas e dos partidos políticos. 

 

"Erramos. Tínhamos que ter enfrentado essa questão na primeira hora", afirmou o ex-prefeito de São Paulo. "Mas temos um legado muito importante, que tem que ser defendido, e temos o melhor programa de governo", emendou. 

 

Haddad prometeu dialogar com todos os setores, caso venha a ser eleito. Mas pontuou que há setores da sociedade que se mostram preocupados com a possibilidade de uma vitória de Bolsonaro. "Todas as centrais sindicais vão dar apoio à minha candidatura, porque têm medo de perder direitos", exemplificou.  

 

Forças armadas 

 

O candidato do PT afirmou que a interlocução que a legenda está buscando ter com a Forças Armadas tem como objetivo garantir a "soberania nacional" e a "soberania popular". Relatando um encontro que teve com o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, Haddad disse que procurou estabelecer uma "petição de princípios".

 

"Ele compreendeu a mensagem que transmiti de apreço às Forças Armadas, de respeito às Forças Armadas, mas de princípios, uma petição de princípios. Não é possível defender o Brasil sem defender os direitos da população, uma coisa está ligada à outra", declarou o ex-prefeito de São Paulo. As conversas estão sendo feitas, de acordo com o candidato, pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e por ele próprio. 

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