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Correio Braziliense

Especialista acredita que Bolsonaro só perde 'se cometer um erro grave'

Primeira pesquisa Datafolha sobre a corrida eleitoral para presidente no 2º turno mostra vitória de Bolsonaro com 58% dos votos contra 42% do petista


postado em 11/10/2018 06:00 / atualizado em 11/10/2018 08:08

O sentimento anti-PT tem se mostrado maior que a onda contra Bolsonaro(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
O sentimento anti-PT tem se mostrado maior que a onda contra Bolsonaro (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)



O voo do candidato Jair Bolsonaro (PSL) em direção ao segundo turno das eleições presidenciais foi mais alto do que o de Fernando Haddad (PT), mostra pesquisa Datafolha divulgada ontem. O capitão reformado do Exército chegou a 58% das intenções de votos válidos, enquanto o ex-prefeito conseguiu, até agora, o apoio de 42% do eleitorado. Nos votos totais — considerando nulos, brancos e abstenções —, o placar ficou 49% contra 36% para o deputado.

Brancos e nulos somam 8%, e outros 6% estão indecisos. A margem para que Haddad cresça é, portanto, bem pequena, avaliou o cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília (UnB). “Ele teria de conquistar votos de quem hoje está com Bolsonaro, o que é muito complicado”, explicou. Na visão dele, o capitão só perde a eleição “se cometer algum erro grave”.

O segundo turno, para Barreto, é uma “competição de rejeições” e, na percepção dele, a pesquisa revela que o sentimento anti-PT tem se mostrado maior que a onda contra Bolsonaro. Apesar de rejeitado por 45% da população, o deputado foi capaz de abrir 16 pontos de vantagem contra o petista, mesmo ausente de debates. Já Haddad, citado por 40% dos eleitores quando são perguntados em quem não votariam “de jeito nenhum”, poderia conseguir até 60% dos votos, mas ficou longe desse percentual.

"Ele teria de conquistar votos de quem hoje está com Bolsonaro, o que é muito complicado" Leonardo Barreto, cientista político da UnB (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)


Para o analista político Antônio Augusto de Queiroz, diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), era esperado que Bolsonaro largasse na frente, porque houve uma campanha intensa para que ele ganhasse já no último domingo. O candidato ainda “surfa na onda do primeiro turno”, disse. A pesquisa também revelou que 12% dos eleitores decidiram o voto no dia do pleito. Nas eleições de 2014, foram 9%.

Chance

Queiroz acredita que, a partir das propagandas eleitorais, que começam amanhã, a diferença pode começar a diminuir, e há chances de que o número de votos em branco, nulos e de abstenções aumente. “É muito difícil que Haddad ganhe, mas Bolsonaro pode perder”, afirmou. Ou seja, embora a margem para o petista conquistar votos não seja grande, há espaço para a queda do capitão quando as propostas e experiências políticas começarem a ser confrontadas.

Como no primeiro turno, Bolsonaro perde apenas no Nordeste, onde tem 31% dos votos totais, contra 51% de Haddad. Em busca de votos na região, o capitão tem reforçado que não acabará com o Bolsa Família, apesar de já ter criticado o programa em outras ocasiões. Embora vença com folga no Sudeste, por 55% a 32% dos votos totais, o melhor desempenho do deputado é no Sul: 60% a 26%. No Centro-Oeste, Bolsonaro tem 59% das intenções de voto, contra 27% do petista. No Norte, o placar fica 51% a 40% para o capitão.

As mulheres continuam dando menos apoio ao candidato do PSL. Entre elas, ele tem 42% dos votos totais. Já entre os homens, chega a 57%. Haddad tem 39% do apoio feminino e 33% do masculino.  Bolsonaro também conta com 62% de intenção de voto de quem ganha pelo menos cinco salários mínimos (R$ 4.770) e 58% de quem tem ensino superior. O petista é mais apoiado pelos mais pobres: tem 44% entre quem que completou apenas o ensino fundamental e o mesmo índice entre quem tem renda familiar média mensal de até dois salários mínimos (R$ 1.908).

"É muito difícil que Haddad ganhe, mas Bolsonaro pode perder" Antônio Augusto de Queiroz, diretor do Diap (foto: Luis Nova/Esp.CB/D.A Press - 25/4/17 )


Jogo é investigado pelo MPDFT

A BS Studios, startup que desenvolveu jogo em que o personagem Bolsomito ganha pontos ao matar minorias, será investigada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) por meio de um inquérito civil público. O caso está sob responsabilidade da Comissão de Proteção de dos Dados Pessoais e do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação. No jogo, comercializado pela plataforma Steam, o usuário faz o papel do coandidato Jair Bolsonaro (PSL) e ganha pontos ao matar feministas, gays e integrantes de movimentos de sem-terra. Para o MPDFT, o jogo prejudica as eleições e os grupos envolvidos. A Valve Corporation, responsável pela Steam, será notificada para que interrompa a oferta do jogo.

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