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Correio Braziliense

Haddad sobre Bolsonaro: 'Votou contra e agora diz que defende os pobres'

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, disse que Bolsonaro se contradiz ao defender, agora, a ampliação do Bolsa Família


postado em 11/10/2018 13:17 / atualizado em 11/10/2018 14:15

Fernando Haddad ouviu as propostas da CNBB e prometeu revogar a reforma trabalhista se for eleito(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Fernando Haddad ouviu as propostas da CNBB e prometeu revogar a reforma trabalhista se for eleito (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

O candidato à Presidência Fernando Haddad (PT) criticou a promessa do adversário, Jair Bolsonaro (PSL), de criar o pagamento de 13º para beneficiários do Bolsa Família. Para o petista, é um posicionamento contraditório. "Sempre votou contra o trabalhador e nunca aprovou nada relevante em 28 anos de mandato na Câmara. E agora quer dar um cavalo de pau e dizer que defende os pobres?", questionou, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (11/10), após reunião na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília, com o secretário-geral da entidade, Dom Leonardo Steiner.

Em declarações recentes, Bolsonaro negou que vá acabar com o Bolsa Família, sugeriu ampliar o volume de recursos por meio de combate a fraudes no programa e acusou o PT de disseminar fake news contra ele a respeito do tema. Haddad, no entanto, disse que, de certa maneira, o rival no segundo turno criticou e humilhou os beneficiários ao longo dos últimos 10 anos.

“Tem aí, e não é fake news. Basta ver na internet as frases que ele pronuncia sobre nordestinos que recebem o Bolsa Família. Por que, depois de 15 anos batendo no programa e falando do jeito dele que a gente conhece, sempre de maneira agressiva, ele vem com essa ideia? Me parece muito contraditório”, rebateu Haddad. O petista questionou, ainda, a decisão de Bolsonaro de se ausentar dos debates. 

Para o candidato, que postou um vídeo chamando Bolsonaro para debates, é contraditório alguém não poder ir a debates e dar entrevistas, como Bolsonaro vem fazendo nos últimos dias, de casa. “Entrevista é debate com jornalista. Qual a diferença entre um debate com um jornalista e um adversário? Eu sou educador. Eu vou tratá-lo respeitosamente com a maior deferência. Não tem razão para não ter debate. Às vezes, o jornalista é mais duro do que um adversário”, declarou. 

 
Reforma trabalhista e teto de gastos 

No encontro com Dom Leonardo Steiner, também estiveram presentes o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), e Gilberto Carvalho, ex-ministro-chefe da Secretaria Geral no primeiro governo da ex-presidente Dilma Rousseff. A equipe de Haddad foi pedir apoio e ouvir propostas da igreja católica que, segundo o presidenciável, estão contempladas no programa de governo.

O candidato disse que reafirmou o compromisso de revogar a reforma trabalhista e o limite de gastos. "Dom Leonardo reiterou nota da CNBB sobre medidas do governo atual como o chamada teto de gastos e a reforma trabalhista", disse. "Me comprometi no primeiro momento a revogar essas medidas que, na minha opinião, comprometem os direitos sociais", afirmou o ex-prefeito.

Steiner pediu compromisso com a atuação do Estado para combater a cultura da violência no país, um compromisso “inarredável” com a democracia, o fortalecimento dos órgãos de combate à corrupção, proteção do meio ambiente e o “compromisso com a vida”.

Ao religioso, Haddad pediu que a igreja sugira aos fieis um cuidado maior com as notícias divulgadas na internet. “As pessoas estão sendo bombardeadas com informações falsas. Pedi que a igreja recomende às pessoas em um momento desse, de segundo turno, para checar se aquilo é verdade ou não. Se for verdade, as pessoas têm que saber. Se não for, têm que ter compromisso de barrar a mentira e a propagação”, revelou. 

O petista ressaltou a Steiner que são inverdades as alegações de Bolsonaro a respeito distribuição de materiais impróprios para crianças de seis anos. “Isso nunca aconteceu e é um desrespeito aos professores do Brasil. Veja se os professores vão receber material impróprio sobre sexualidade e usá-lo sem questionar. Isso é completamente impossível de acontecer. Pois mesmo que alguém tenha em mente isso, nós temos uma rede de proteção que são as próprias escolas, diretoras, professoras”, disse.

Aborto

Durante a coletiva de imprensa, Haddad não foi claro sobre o pedido de “compromisso com a vida” de Dom Steiner. O petista limitou-se a dizer que a preservação da vida “é o maior princípio da igreja católica, que é a defesa da vida em todas suas manifestações”. Em nota publicada pela CNBB, no entanto, o pedido foi claro para que, em caso de vitória, o aborto não seja legalizado. 

“O candidato expôs suas propostas de governo e sua preocupação com o Brasil. Da minha parte, abordei com o candidato assuntos que preocupam os bispos do Brasil: a não legalização do aborto, a proteção do meio ambiente, atenção especial à questão indígena e quilombola, a defesa da democracia e o combate rigoroso à corrupção”, disse Steiner. O bispo auxiliar de Brasília reiterou, no entanto, que o petista não pediu apoio e afirmou que a CNBB “não tem partido e nem candidato.”

A entrevista coletiva estava marcada para ocorrer ao lado de fora da CNBB, na 905 norte. Foi, no entanto, transferida para uma sala no Brasil 21. Dois apoiadores de Bolsonaro apareceram no local para se manifestar e hostilizaram o petista enquanto ele ainda estava na reunião com Steiner, Dias e Carvalho. 

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