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Correio Braziliense

Artigo: Vai todo mundo perder

A guerra entre os eleitores não terá fim. Vença quem vencer, não haverá conformismo, para o bem e para o mal. E os próximos quatro anos prometem ser tensos


postado em 13/10/2018 16:55

(foto: Caio Gomez/CB/D.APress)
(foto: Caio Gomez/CB/D.APress)
 
Jurei para mim mesmo que não escreveria hoje sobre política, mas terei de quebrar esse juramento. Me desculpem... Eu sei, é sábado, as pessoas tentam ter um dia mais leve, já que a semana foi absurdamente pesada, cheia de notícias. Na comissão de frente desta batalha chamada Eleições 2018, PT e PSL renovam as estratégias de segundo turno para conquistar a Presidência da República. Na retaguarda, uma legião de apoiadores enfurecidos, que, em muitas vezes, ao escrever sobre eles no site do Correio, onde sou editor, por pouco não digitei a palavra “fãs”. E não foi à toa.

Dos dicionários, o significado da palavra fã: pessoa que tem grande admiração por artistas, figuras públicas ou de quem faz parte do mundo do entretenimento; admirador: fã de cantor, ator. ... Etimologia (origem da palavra fã). Do inglês fan, forma reduzida de fanatic ‘fanático’. Chegamos onde eu queria! Eu poderia ter escrito ‘fã’ em diversos textos que editei, uma vez que era exatamente desse fanatismo que se tratavam as reportagens.

Nos grupos de WhatsApp, familiares e amigos de longa data se estranham. Aliás, esse tipo de conversa por meio do aplicativo deveria ser proibida. Ninguém nunca consegue se expressar como gostaria. E, no outro lado, raros são os que recebem a mensagem da forma como ela foi emitida. Desencontros que acabam virando troca de ofensas, ironias, ataques. Por falar em ataques, o que está acontecendo nas ruas do Brasil? A que ponto chegamos?

Assustador mesmo é pensar que isso não é o fim. Que é apenas o começo. Em 7 de outubro, Bolsonaro levou 46,03% dos votos válidos, contra os 29,28% de Fernando Haddad. Ambos foram ao segundo turno, e o confronto final entre os dois tem data e hora para acabar: dia 28, nas urnas novamente, a partir das 8h.

A guerra entre os eleitores, porém, não terá fim. Vença quem vencer, não haverá conformismo, para o bem e para o mal. E os próximos quatro anos prometem ser tensos, uma vez que aquela pedra atirada não volta mais. Nem aquele disparo de arma de fogo, desfeito. No fim das contas, como diria a ex-presidente Dilma Rousseff, “nem quem ganhar nem perder vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder”. É isso. Em humanidade, todos já perdemos. E perdemos feio.
 
Anderson Costolli é editor do site do Correio. 

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