Politica

Campanha de Haddad chega a encruzilhada para tentar alcançar Bolsonaro

Aliados do petista acreditam que ele deveria sair de São Paulo, uma vez que não devem ocorrer os debates %u2013 principal motivo para a permanência na cidade. Na pesquisa do Ibope divulgada ontem, Bolsonaro cresce nas intenções de voto

Leonardo Cavalcanti, Lucas Valença - Especial para o Correio
postado em 16/10/2018 05:00

Bolsonaro e Haddad


Diante dos números das pesquisas de intenção de votos francamente favoráveis a Jair Bolsonaro (PSL), os aliados de Fernando Haddad (PT) cobram uma mudança na campanha, principalmente em relação ao roteiro e à programação do presidenciável, que centrou as atividades em São Paulo nos últimos dias, desde o final do primeiro turno, em 7 de outubro. ;Ele tem de sair da capital paulista. Com a possibilidade dos debates, até fazia sentido ficar mais tempo por lá, mas Bolsonaro tem evitado os confrontos, deixando Haddad parado, sem se movimentar na campanha;, disse um petista, reeleito com votação expressiva para o Congresso.

A agenda de Haddad mostra que um dia depois da votação, o ex-prefeito de São Paulo viajou para Curitiba, onde se reuniu com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso na Superintendência da Polícia Federal, condenado a 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Nos bastidores, petistas adiantaram que seria o último encontro com o padrinho político até o fim do segundo turno, para evitar desgastes entre uma parte do eleitorado que, mesmo capaz de apoiar Haddad, se incomoda com a proximidade com o comandante do partido. Na quinta-feira da semana passada, o presidenciável petista esteve em Brasília, onde se encontrou com o ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa. Porém, nos outros seis dias, Haddad permaneceu em São Paulo, em entrevistas e encontros com apoiadores.

Números


Ontem, a pesquisa Ibope trouxe Bolsonaro na frente, com 59% dos votos válidos, contra 41% de Haddad. A intenção total de voto também traz o candidato do PSL na dianteira com 52%. Já o do professor registrou 37%. Por outro lado, o petista lidera a rejeição com 47%, enquanto o ex-militar possui 35% (Leia mais sobre a pesquisa na matéria ao lado).

;Considerando que a campanha entre o primeiro e segundo tem apenas 20 dias, é muito tempo dedicado a São Paulo. Contra fatos não há argumentos;, afirmou outro parlamentar petista. Haddad até se encontrou com governadores, como Paulo Câmara (PE) e Ricardo Coutinho (PB) e falou com jornais e rádios. O problema é que a estratégia de permanecer em São Paulo tinha como ponto central a participação nos debates, por causa do tempo de deslocamento e a própria preparação para os confrontos.

Diante da pesquisa Ibope, que mostrou uma diferença de 18 pontos percentuais de Bolsonaro com relação a Haddad, uma fonte do alto comando petista informou que há um desânimo causado pela baixa capacidade de reação do petista frente ao capitão reformado. ;É uma corrida presidencial complexa, quase impossível, onde o imponderável é visto como a única salvação;, disse um petista, que se refere a um eventual deslize de Bolsonaro para a retomada de fôlego por parte do ex-prefeito de São Paulo.

Apesar das críticas dos próprios petistas, acadêmicos consideram que a campanha neste momento é mais voltada para os programas eleitorais e a internet. Para o professor da Universidade Federal de Minas Gerais Carlos Ranulfo, a intenção de Haddad em permanecer em São Paulo, neste segundo turno, faz sentido pelo pouco tempo de campanha. ;A campanha é muito curta para que ele possa cobrir o país inteiro. Então, ele está investindo no tempo eleitoral e tentando diminuir a rejeição em São Paulo;, entende o pesquisador.

Questionado se esse foco no Sudeste não poderia diminuir os votos nas outras regiões, em especial o Nordeste, o professor diz acreditar que Bolsonaro não terá um crescimento tão diferente do que no primeiro turno nesses locais. Ele esclarece que, mesmo que o capitão reformado tenha ;entrado; mais facilmente no Nordeste do que o PSDB em outras eleições ; alcançando até 30% dos votos em alguns estados ;, Bolsonaro tende a continuar com os números da primeira etapa. ;Bolsonaro também não vai para o Nordeste. Agora, ele entrou na região porque a campanha, no fim, ficou polarizada em duas candidaturas;, afirma.

Agenda


Jair Bolsonaro cumpriu campanha ontem no Rio de Janeiro. Sem a presença da imprensa, o presidenciável esteve na sede do Bope ; força especializada da Polícia Militar ;, na Zona Sul da cidade, onde declarou que os membros da entidade terão um representante em Brasília. ;Pode ter certeza, teremos um dos nossos lá;. Um vídeo do encontro foi divulgado pelo Twitter do candidato. O postulante também recebeu a visita, segundo postagem na rede social, de dom Antonio Augusto Dias Duarte, bispo auxiliar do Rio de Janeiro,

Já o candidato Fernando Haddad procurou intensificar a campanha em São Paulo. Após o presidenciável ser entrevistado pela Rádio Bandeirantes, concedeu uma coletiva de imprensa em um hotel da capital. Depois, foi entrevistado pela Rádio Capital. Durante a noite, o petista compareceu a um ato na Praça da República, em homenagem ao Dia dos Professores.


Derrota no TSE


O ministro Luís Felipe Salomão, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu negar dois pedidos da coligação de Haddad para suspender inserções televisivas de Jair Bolsonaro. As peças publicitárias afirmam que o petista quer ;desarmar a população; e o associam ao ex-ministro José Dirceu e ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Para Salomão, as propagandas veiculam conteúdo inerente ;ao debate político-eleitoral e condiz com o horário gratuito, alcançado, portanto, pelo exercício legítimo da liberdade de expressão e opinião;. ;(...) Mesmo que a propaganda transmita mensagens provocantes ou desagradáveis ao adversário, é forçoso reconhecer que faz parte do discurso político;, concluiu o ministro.

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